UOL Últimas NotíciasUOL Últimas Notícias
UOL BUSCA


 

28/09/2006 - 11h33
Corpo da mãe do último czar russo é enterrado em São Petersburgo

Alexandr Karpov São Petersburgo (Rússia), 28 set (EFE).- O corpo da imperatriz Maria Fiodorovna Romanov (1847-1928), mãe do último czar da Rússia, foi enterrado hoje em São Petersburgo, a antiga capital imperial, em uma cerimônia na qual estavam presentes os principais representantes da monarquia européia.

"Maria Fiodorovna não é só a imperatriz russa, mas o símbolo de milhares de mães que perderam seus filhos e netos enquanto brigavam nos dois lados na Revolução Bolchevique", disse Nikolai Romanov. Ele é membro da dinastia imperial que controlou o poder na Rússia entre 1613 e 1917.

O caixão com o corpo da mãe do czar Nicolau II foi sepultado em uma cripta na Catedral da Fortaleza de São Pedro e São Paulo, onde fica o panteão dos Romanov.

Desta forma, o corpo da imperatriz ficará junto ao de seu marido, Alexandre III (1845-94), e ao de seu filho, o último czar Nicolau II, fuzilado pelos bolcheviques junto com sua família em 1918.

Participarão da cerimônia os príncipes dinamarqueses Frederik e Mary, além de outros representantes das monarquias européias, como Constantino da Grécia, o príncipe Michael de Kent da Inglaterra e cerca de 50 membros da família Romanov.

Em seu testamento, a imperatriz disse que queria ser enterrada junto a seu marido. Em junho de 2001, a Casa Real da Dinamarca autorizou a exumação de seu corpo do cemitério da catedral de Roskilde, em Copenhague, para que fosse levado à Rússia.

"O coração da imperatriz sempre permaneceu na Rússia. Durante seus últimos anos de vida em Copenhague, ela se sentiu como uma emigrante", disse esta semana Margrethe II da Dinamarca.

O caixão chegou no navio da Marinha dinamarquesa Esben Snare à base naval russa de Kronstadt, no mar Báltico, vindo de Copenhague, cidade natal de Maria Fiodorovna e para onde fugiu após a vitória dos bolcheviques na Rússia.

Segundo alguns políticos e membros da Casa Real russa, a cerimônia é considerada por muitos um ato de "justiça histórica" e, embora possibilite que algumas feridas abertas na guerra civil russa sejam estancadas, não significa o encerramento definitivo deste capítulo da história do país.

A reabilitação do último czar como vítima da "repressão política" ainda está pendente nos tribunais. No entanto, o ministro da Cultura russp, Alexandr Sokolov, descartou a possível restituição dos bens dos Romanov desapropriados pelos bolcheviques após a Revolução Russa.

O corpo do último czar e os de sua família foram encontrados em 1979 e, após terem sido identificados, foram enterrados na fortaleza de São Pedro e São Paulo em 1998. O então presidente russo, Boris Yeltsin, assistiu ao enterro.

Quanto ao possível retorno da monarquia à Rússia, o príncipe Nikolai Romanov garantiu que "não há alternativa à democracia. Os russos devem decidir por eles mesmos".

A cerimônia, na qual as autoridades locais gastaram mais de US$ 1 milhão, começou esta manhã no suntuoso Palácio Peterhof e, logo após, o cortejo fúnebre foi para a residência de verão dos czares em Tsarskoye Selo (Pushkin).

Em seguida, o caixão foi levado à Basílica de São Isaac, conhecido como o templo dos Romanov, onde o patriarca ortodoxo russo Alexei II celebrou um serviço religioso.

"Hoje, rendemos tributo à memória da filha da Casa Real dinamarquesa. Maria Fiodorovna se dedicava muito à beneficência, era uma hábil diplomata e uma estadista", disse Alexis II durante a homilia.

O enterro na fortaleza de São Pedro e São Paulo, às margens do rio Neva, foi acompanhado pela benção do patriarca à alma da imperatriz, que chegou à Rússia há 140 anos para se casar com Alexandre III.

Depois de os participantes da cerimônia jogarem sobre o caixão terra trazida especialmente da Dinamarca, os canhões da fortaleza dispararam 31 salvas - correspondentes à idade da imperatriz quando ela chegou à Rússia.

Maria Sofia Dagmar nasceu em 1847 em Copenhague e se converteu à fé ortodoxa com o nome de Maria Fiodorovna para se casar com o então imperador russo, Alexandre III.

Após a explosão da Revolução, a czarina fugiu para a península da Criméia, onde residiu durante dois anos em meio ao assédio do Exército vermelho. Várias tentativas de monarcas europeus de dar asilo à imperatriz e a seu filho, como a de Alfonso XIII, fracassaram. Nicolau II estava, então, detido na capital.

Em abril de 1919, um navio da Marinha inglesa conseguiu tirar Maria Fiodorovna da Criméia junto com genros, netos e suas duas filhas.

Após uma breve estadia na Inglaterra, a imperatriz voltou a seu país de origem, onde viveu seus últimos anos.

ÍNDICE DE ÚLTIMAS NOTÍCIAS   IMPRIMIR   ENVIE POR E-MAIL

Folha Online
Reforma visual da Folha facilita a leitura; conheça as mudanças
UOL Esporte
Após fiasco de público, CBF reduz preços de ingressos para partida
UOL Economia
Bovespa reduz ritmo de perdas
perto do fim dos negócios

UOL Tecnologia
Fãs do iPhone promovem encontro no Brasil; veja mais
UOL Notícias
Chuvas deixam quatro mortos e afetam mais de 4 mil no Paraná
UOL Vestibular
Cotista tem nota parecida com de não-cotista aponta Unifesp
UOL Televisão
Nova novela da Record terá máfia e Gabriel Braga Nunes como protagonista
UOL Música
Radiohead entra em estúdio para trabalhar em disco novo
UOL Diversão & Arte
Escritor indiano Aravind Adiga ganha o Booker Prize
UOL Cinema
Novo filme dos irmãos
Coen tem maior bilheteria nos EUA