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13/10/2006 - 11h56
Yunus, o "banqueiro dos pobres", ganha o Nobel da Paz 2006

Oslo, 13 out (EFE).- O bengalês Muhammad Yunus e o Grameen Bank, instituição criada por ele para a concessão de microcréditos a pessoas de baixa renda, foram agraciados hoje com o Prêmio Nobel da Paz 2006.

A escolha é vista como uma mensagem do Comitê Norueguês do Nobel contra o neoliberalismo econômico e a uma globalização que não leve em conta as necessidades dos pobres. "A paz duradoura não pode ser obtida sem abrir um caminho para que uma ampla parte da população saia da pobreza", afirmou em seu veredicto o Comitê. A escolha foi recebida com surpresa por observadores, pois Yunnus e o Grameen Bank não estavam nas últimas apostas.

Yunus, de 66 anos, fundou seu banco em 1976, e sua ambição, no longo prazo, é contribuir para erradicar a pobreza do mundo por meio de microcréditos que beneficiam especialmente as mulheres.

O que há algumas décadas parecia uma missão impossível e sem sentido do ponto de vista de qualquer banqueiro, a concessão de créditos a pessoas de parcos recursos, tornou-se, como assinalou o Comitê, "um importante instrumento na luta contra a pobreza".

O trabalho de Yunus já fora reconhecido com uma infinidade de prêmios, entre eles o Príncipe de Astúrias da Concórdia de 1998.

O Grameen Bank é uma entidade que só concede créditos aos mais pobres, que se tornam seus acionistas. Assim, o conjunto de acionistas já soma 3,8 milhões de pessoas, das quais 98% são mulheres.

O fato de quase todos os clientes serem mulheres demonstra a relevância do organismo financeiro na luta pela libertação feminina em sociedades em que elas enfrentam dificuldades devido a seu gênero. O Comitê Nobel afirmou que os "microcréditos se tornaram uma importante força de libertação em sociedades nas quais as mulheres precisam lutar contra um entorno social e econômico repressivo".

As mulheres que tomam os empréstimos, que se diferenciam de todos os outros tipos de créditos porque não requerem avais, costumam ser pessoas sem terras.

As solicitantes formam grupos de cinco, e as duas mulheres mais pobres recebem primeiro o crédito. Quando estas começam a devolvê-lo, chega a vez de as outras três terem acesso ao dinheiro.

Desta forma, é criada uma espécie de rede de apoio que, ao mesmo tempo, exerce pressão, o que explica a taxa de pagamento de 97%.

"Cada indivíduo na Terra tem o potencial e o direito de viver decentemente. Yunus e o Grameen Bank demonstraram que até os mais pobres entre os pobres podem trabalhar para superar as dificuldades", disse o Comitê.

Embora o sonho de Yunus de erradicar a pobreza no mundo não possa ser cumprido apenas mediante microcréditos, o economista e o Grameen Bank "demonstraram que para atingir este objetivo, os microcréditos devem desempenhar um papel mais importante", afirmou o Comitê Nobel em um aberto convite ao mundo financeiro a seguir o exemplo.

Yunus é o diretor-executivo do Grameen Bank. Nasceu em Bangladesh em 1940, é muçulmano não-praticante e estudou Ciências Econômicas em Nova Délhi. Posteriormente, ampliou seus estudos nos Estados Unidos com bolsas das instituições Fullbright e Eisenhower.

Voltou a seu país em 1972 para dirigir o departamento de Economia da Universidade de Chittagong. Foi nessa situação que saltou a seus olhos o abismo existente entre as teorias que ensinava e a realidade.

As apostas dos últimos dias apontavam como favoritos o ex-presidente finlandês Martti Ahtisaari, a ativista chinesa Rebiya Kadeer e a chechena Lidia Yusupova.

O anúncio do prêmio da Paz é o último da "ronda dos Nobel", depois de ser anunciado nesta quinta-feira o de Literatura, concedido ao turco Orhan Pamuk.

Os prêmios do ano em Medicina, Física, Química e Economia reconehceram exclusivamente pesquisadores americanos.

No ano passado, o Nobel da Paz foi concedido ao diretor da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Mohamed ElBaradei.

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