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20/11/2006 - 22h06
EUA revivem debate sobre serviço militar obrigatório

(Acrescenta declarações de democratas opostos ao serviço militar obrigatório)

Cristina Ozaeta Washington, 20 nov (EFE).- As necessidades militares americanas no Iraque, e em menor grau no Afeganistão, onde estão cerca de 140.000 soldados americanos, reacenderam o debate sobre o recrutamento obrigatório nos Estados Unidos.

O debate ressurgiu este fim de semana com as declarações do legislador democrata de Nova York, Charles Rangel, de que apresentará uma proposta de lei ao Congresso no começo de 2007 para solicitar o restabelecimento do serviço militar obrigatório.

Rangel afirmou em entrevista ao programa "Face the nation" da emissora americana "CBS" que o tamanho da tropa é insuficiente para enfrentar potenciais ameaças no Irã, Coréia do Norte ou Iraque.

"Não tenho a menor dúvida de que este presidente e este Governo nunca teriam invadido o Iraque caso tivéssemos tido um serviço militar obrigatório e os membros do Congresso e a administração pensassem que seus filhos (e os membros) de suas comunidades estariam em perigo", disse o deputado.

Rangel, um veterano da guerra da Coréia, defendeu sem sucesso uma proposta legislativa a favor do serviço militar obrigatório para as pessoas entre 18 e 42 anos no início de 2006.

"Se formos desafiar o Irã e a Coréia do Norte e, além disso, segundo algumas pessoas pediram, enviarmos mais tropas ao Iraque, não vejo como o faremos isto sem um serviço militar obrigatório", indicou.

Disse também que a Guerra do Iraque é feita com soldados desproporcionalmente oriundos de famílias com baixa renda econômica e de minorias.

Hoje, reiterou sua postura em um discurso na Universidade de Baruch, em Nova York, e indicou que deseja realizar conferências sobre o tema.

O assunto desperta paixões e não há consenso nem entre os republicanos nem entre os próprios democratas.

No entanto, a democrata Nancy Pelosi - que se tornará em janeiro presidente da Câmara de Representantes - desprezou hoje o assunto ao dizer que a proposta de Rangel não está na agenda de seu partido para a nova legislatura.

Suas afirmações foram imediatamente apoiadas pelo futuro líder da maioria democrata na Câmara Baixa, Steny Hoyer, que ressaltou que a questão não está incluída na agenda dos legisladores do Partido Democrata.

Os democratas obtiveram a maioria tanto na Câmara dos Representantes como no Senado americano nas eleições legislativas de 7 de novembro.

Após uma reunião com Hoyer, Pelosi disse não aprovar o serviço militar obrigatório, que foi suspenso em 1973 quase no fim da Guerra do Vietnã e substituído por profissionais remunerados.

Na opinião da futura presidente da Câmara de Representantes, Rangel representa uma "voz muito forte a favor da justiça social em nosso país" e seu apoio ao serviço militar "é uma forma de expressá-la".

Carl Levin, que presidirá o Comitê das Forças Armadas do Senado no novo período de sessões, disse que se trata de uma medida desnecessária, enquanto o reverendo Jesse Jackson se perguntou por que se tem que beneficiar um "grupo privilegiado da sociedade da segurança nacional" enquanto outros "se arriscam mais e recebem menos benefícios".

Nas fileiras republicanas, a senadora da Carolina do Sul Lindsey Graham, que também é membro das Forças Armadas e está na reserva, reconheceu que o Exército dos Estados Unidos não tem pessoal suficiente.

No entanto, ressaltou que pode ser completado com um serviço voluntário "e se não for o caso, então estudaremos outras opções".

No entanto, ressaltou que se pode completar com um serviço voluntário "e caso não possamos então serão estudadas outras opções".

Já o presidente em fim de mandato do Comitê das Forças Armadas, Duncan Hunter, disse que a medida não tem sentido.

"Com uma convocação obrigatória haverá pessoas que não desejam isto. Obrigá-las e substituir os voluntários não tem sentido", declarou.

O debate renasce no mesmo dia que o jornal "The Washington Post" informa que o Pentágono busca uma saída para a situação no Iraque que passaria pelo aumento das tropas por um breve período de tempo e por um compromisso em longo prazo para intensificar o treino e a assessoria às forças iraquianas.

A proposta do Departamento de Defesa faz parte de um estudo encomendado pelo chefe do Estado-Maior Conjunto do Exército dos EUA, Peter Pace, e parte de três opções: aumentar as tropas; reduzir as forças no Iraque, mas ficar mais tempo, ou se retirar.

Fontes do Pentágono traduziram coloquialmente as três opções como "Go Big" ("ir em grande estilo"), "Go long" ("ir com o tempo"), ou "Go Home" ("ir pra casa").

Donald Rumsfeld - que a partir de janeiro será ex-secretário de Defesa - disse em 2005 no Congresso que "não há nenhuma possibilidade de que o serviço militar obrigatório seja restabelecido" nos EUA.

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