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12/01/2007 - 14h33
Novo primeiro-ministro interino toma posse em Bangladesh

Julia R. Arévalo Nova Délhi, 12 jan (EFE).- O ex-presidente do Banco Central de Bangladesh Fakhruddin Ahmed tomou posse hoje como novo chefe do Governo provisório do país, no qual o toque de recolher foi suspenso, após vigorar desde quinta-feira, quando o presidente, Iajuddin Ahmed, declarou estado de exceção.

Fakhruddin Ahmed tomou posse em uma cerimônia no Palácio Presidencial na qual estavam presentes o corpo diplomático e os líderes políticos do país, com a notável ausência do líder do Partido Nacionalista de Bangladesh (BNP), Khaleda Zia, que enviou um representante sem expressão.

Seu grande rival, Sheikh Hasina, líder da Liga Awami, foi à posse e anunciou o cancelamento de todos os protestos convocados para forçar um adiamento das eleições de 22 de janeiro, segundo a agência indiana "PTI".

Hasina conseguiu o que pretendia: que as eleições fossem adiadas até que se revise o censo e que o presidente deixasse seu posto de primeiro-ministro interino, embora Iajuddin Ahmed tenha recorrido ao estado de exceção para cancelar o pleito.

O primeiro candidato a substituir Ahmed como primeiro-ministro interino foi o Prêmio Nobel da Paz 2006, Muhammad Yunus, que não aceitou a oferta.

Fakhruddin Ahmed fez doutorado na Universidade de Princeton e é visto como uma figura politicamente neutra. Foi presidente do Banco Central bengalês, funcionário do Banco Mundial e ultimamente trabalhava em um departamento financeiro no Governo de Daca.

Junto à nomeação de Ahmed, foi suspenso o toque imposto entre as 23h e 5h em Daca e nos outros centros urbanos do país, segundo uma fonte policial citada pelo jornal "The Daily Star".

Apesar do estado de exceção em vigor, os cidadãos de Daca se mostraram hoje aliviados pela solução pragmática à qual o presidente recorreu para revogar eleições que poderiam levar o país a uma guerra civil.

Ao declarar o estado de exceção na quinta-feira, Ahmed deu um prazo de 120 dias, permitidos pela Constituição para manter a medida sem que o Parlamento se pronuncie, para que os dois grandes rivais da cena política cheguem a um consenso para salvar a democracia, restaurada há 16 anos.

Apesar da clara presença de soldados nas ruas depois do desdobramento de 60 mil homens por todo o país e da suspensão das garantias constitucionais, o humor da população "mudou radicalmente, de depressivo a esperançoso, até mesmo feliz", disse o chefe da seção política da Comissão Européia em Daca, Charles Whiteley.

Whiteley afirmou por telefone que Ahmed teve que escolher "uma má solução para evitar outra pior", que teria sido a realização de eleições boicotadas pela oposição, claramente disposta a tomar as ruas para fazer ouvir suas reivindicações por reformas eleitorais.

"Agora, veremos se os dois grandes blocos se dispõem a trabalhar juntos" por uma solução duradoura, disse Whiteley, que acrescentou que a Comissão Européia adotará uma decisão de acordo com o desenrolar da situação, após suspender sua missão de observação das eleições e ameaçar romper suas relações comerciais com Bangladesh.

Outra fonte diplomática consultada pela Efe disse que, apesar de Ahmed ter optado por uma solução rápida, não foi um passo necessariamente "insensato", mas "prático", e manifestou sua esperança de solução de "uma situação que era insustentável".

Em seu discurso da noite de quinta-feira à nação, Ahmed recriminou os blocos políticos por seu comportamento, que levou o país a um estado de "falta de paz, indisciplina e intolerância", e garantiu que o novo Governo interino realizará eleições no prazo "mais curto possível".

Resta saber agora se Hasina e Zia são capazes de superar sua animosidade pessoal e aproveitar o adiamento vigiado anunciado por Ahmed, com o apoio do Exército. A ausência do líder do BNP na cerimônia de posse do novo premier não é um bom sinal.

O jornal "The Daily Star" lembrou hoje o risco de retrocesso à "era autocrática do general Mohammad Ershad", último governante a impor um estado de exceção no país, em 1990, e, apesar de não ter criticado a medida, exigiu a Ahmed que suspenda a censura imposta.

O general Ershad estava na posse de Fakhruddin Ahmed hoje.

Além da censura imposta à imprensa, o Exército fez detenções e buscas em casas de alguns representantes tanto da Liga Awami como do BNP e o presidente destituiu o chefe dos serviços secretos e de sua guarda pessoal, segundo a "PTI".

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