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10/02/2007 - 17h38
Putin retoma linguagem da época da Guerra Fria na conferência de Munique

Munique (Alemanha), 10 fev (EFE).- O presidente russo, Vladimir Putin, trouxe hoje à Conferência de Segurança de Munique os fantasmas da Guerra Fria com um discurso repleto de críticas aos Estados Unidos e à ampliação da Otan no leste da Europa.

Putin acusou Washington de querer impor um mundo "unipolar", de promover ações unilaterais à margem da legalidade internacional e de planejar uma "militarização" do espaço que teria conseqüências e ações contrárias à não-proliferação.

O presidente russo, cuja linguagem contrastou com as palavras cuidadosamente escolhidas pela chanceler alemã, Angela Merkel, ao falar das ameaças do mundo e de sua visão sobre como enfrentá-las, se referiu à Otan como uma "organização que se esqueceu que sua natureza não é universal".

"A Otan é uma organização política e militar que reforça sua presença em nossas fronteiras", denunciou Putin e acrescentou que ninguém lhe explicou ainda para que ameaça a Aliança se prepara.

O secretário-geral da Otan, Jaap de Hoop Scheffer, declarou após o discurso de Putin, sentir-se "muito decepcionado" e lamentou que o presidente russo tenha uma imagem tão errônea da organização.

"Ninguém deveria se sentir ameaçado com a proximidade de suas fronteiras do multilateralismo e da democracia", ressaltou Hoop Scheffer, que disse estar muito mais próximo da visão de mundo descrita por Merkel em seu discurso, do que a de Putin.

A chanceler fez um repasse dos conflitos regionais em curso e destacou a importância da cooperação internacional na busca de soluções, uma estratégia conjunta que, segundo sua opinião, será "essencial" para fazer frente à grande ameaça dos próximos anos, a da mudança climática.

"Nenhum país poderá resolver sozinho as conseqüências da mudança climática, que serão devastadoras", assinalou a chanceler, para quem "se há uma ameaça à qual devemos reagir unidos é a da mudança climática".

"Estamos perante uma ameaça global que requer uma resposta global porque ninguém poderá escapar dela", reiterou.

Lembrou que a União Européia (UE) é responsável por 15% das emissões de dióxido de carbono (CO2) do mundo, muito atrás dos Estados Unidos, mas, até agora, mais comprometida na proteção do meio ambiente.

Além disso, Merkel destacou a importância de falar com uma só voz em assuntos que igualmente constituem uma "ameaça" para a paz e a estabilidade, como o Irã e o Oriente Médio.

A chanceler louvou o acordo conseguido pelos líderes palestinos em Meca, que permitirá o estabelecimento de um Governo de união nacional, mas se disse à espera de que esse novo Executivo "dê o passo necessário para o reatamento do diálogo de paz".

"Em Meca foi dado um passo na direção adequada, mas não é o suficiente. Esperamos uma renúncia explícita à violência, o reconhecimento do Estado de Israel e o respeito aos acordos israelense-palestinos anteriores", assinalou.

Com relação ao Irã, Merkel afirmou que a bola está no campo de Teerã e lembrou às autoridades do país que "a comunidade internacional não aceitará truques", mas "uma cooperação baseada na transparência e na confiança mútua".

O negociador iraniano para a questão nuclear, Ali Larijani, uniu-se hoje à Conferência para falar, amanhã, da situação no Oriente Médio e manter encontros bilaterais com "líderes europeus", entre eles o alto representante da UE para Política Externa e de Segurança, Javier Solana.

A porta-voz de Solana, Cristina Gallach, antecipou à Efe que se trata de um encontro do qual não se deve esperar resultados pois "não há nada que negociar".

O conflito com o Irã foi utilizado por Putin como arma contra os EUA, um país, que segundo ele, não só prestou socorro militar, mas continua fazendo isso através da venda de componentes dos aviões F-14.

"A cooperação militar entre Rússia e Irã foi mínima e é mínima", disse Putin, que pediu paciência e sensatez no caso iraniano.

Os representantes se mostraram menos pacientes com relação ao caso do Afeganistão e diante dos conflitos emergentes na África, especialmente no Sudão e na Somália, onde a atuação da China foi qualificada de "preocupante" pela chanceler alemã.

"Se falamos de crise global a resposta há de ser global, ou seja, única", disse Merkel, sendo reconhecida pelo secretário-geral da Otan, que lembrou, no entanto, que a organização "não é a polícia do mundo".

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