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08/03/2007 - 19h34
Procuradoria de Manhattan acusa Paulo Maluf por roubo de US$ 11,6 milhões

(Atualiza com dados sobre a origem da investigação no 17º parágrafo)

Nova York, 8 mar (EFE).- A Procuradoria de Manhattan acusou o deputado Paulo Maluf (PP-SP) e outros quatro cúmplices pelo roubo de US$ 11,6 milhões de recursos relacionados a uma obra pública no Brasil.

Maluf, ex-prefeito e ex-governador de São Paulo, é acusado de participar de um plano de subornos e superfaturamentos que gerou milhões de dólares em lucro e que foram transferidos para uma conta bancária em Nova York, controlada de forma secreta pelo deputado do PP.

O dinheiro era depois enviado para outra conta, também sob seu controle, na ilha de Jersey, nos Canal da Mancha.

Além de Paulo Maluf e de seu filho Flávio, a Procuradoria nova-iorquina implica na fraude Simeão Damasceno de Oliveira, diretor financeiro da construtora Mendes Júnior, envolvida no plano; Joel Guedes Fernandes, caixa dessa empresa, e Vivaldo Alves, transmissor de fundos no mercado negro.

A investigação revelou que, enquanto Maluf esteve à frente da Prefeitura de São Paulo, entre 1993 e 1997, e também depois, os acusados conspiraram para roubar grandes somas em dinheiro de fundos municipais.

A Procuradoria afirmou que Maluf usou seu cargo para colocar amigos e aliados em cargos importantes da Prefeitura, a fim de facilitar o plano fraudulento, associado à construção da Avenida Água Espraiada, em São Paulo.

Empresas contratadas apresentaram faturas falsas e superfaturadas às construtoras Mendes Júnior e OAS, que, por sua vez, as enviavam para aprovação da Empresa Municipal de Urbanização, encarregada de supervisionar o projeto.

Efetuados os pagamentos, as construtoras pagavam em dinheiro a Maluf e a seu filho, entre outros envolvidos, e também através de envios ilegais para contas bancárias em Nova York.

Algumas dessas transferências foram parar em uma conta no Banco Nacional Safra, em Manhattan, codificada como "Chanani" e aberta por Alves com a aparência de que ele e sua esposa eram os únicos beneficiados, quando, de fato, era controlada pelos Maluf.

Parte dos fundos dessa conta, que eram transferidos depois para outras no mesmo banco, foram usados pelos envolvidos e outros parentes para comprar jóias, relógios e outros artigos nos EUA, e também para despesas nas campanhas políticas de Maluf.

Dados bancários revelam que, entre novembro de 1997 e maio de 1999, cerca de US$ 140 milhões foram canalizados através da conta "Chanani".

A Procuradoria nova-iorquina lembrou que o projeto de obra pública estava orçado em US$ 200 milhões e acabou custando aos brasileiros US$ 600 milhões.

"Este caso representa corrupção e avareza a uma escala colossal", disse o procurador Robert M. Morgenthau, do distrito de Manhattan, em comunicado.

A acusação da Procuradoria refere-se especificamente quinze transferências nas quais aparece "Channani", realizadas entre janeiro e agosto de 1998 e no valor total de US$ 11.680.832,62.

Também alega que, entre janeiro e novembro daquele ano, um total de US$ 16.120.000 foram transferidos dessa conta para outra controlada pelos Maluf em Jersey.

A acusação também constata que pouco mais de US$ 1 milhão foram repatriados ao Brasil através da mesma conta bancária, a fim de pagar despesas de campanha.

O plano para movimentar fundos por Nova York foi descoberto em 2002, durante uma investigação sobre a companhia Beacon Hill, que fazia transferências de dinheiro e fechou depois, disse o procurador.

A Procuradoria acusa Paulo Maluf de ser o responsável pelo plano fraudulento e de receber a maior parte dos fundos roubados, enquanto seu filho Flávio estabeleceu e controlou as contas bancárias em Nova York e em outros lugares.

Os acusados enfrentam um total de 17 acusações, incluindo conspiração e posse de propriedades roubadas.

"A acusação de hoje é uma mensagem de que não toleraremos que Nova York seja usada para canalizar lucro ilícito, qualquer que seja o lugar onde foi gerado", disse Morgenthau.

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