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04/04/2007 - 03h28
Peru lembra 15 anos do "autogolpe" que deu poder absoluto a Fujimori

David Blanco Bonilla Lima, 4 abr (EFE).- Os peruanos lembram amanhã os 15 anos do autogolpe de Estado que permitiu ao ex-presidente Alberto Fujimori obter poderes absolutos e formar um Governo considerado por muitos como um dos mais corruptos da história do país.

A data chega em meio ao anúncio de uma iminente resolução da Justiça do Chile ao pedido de extradição do ex-líder, solicitado pelo Peru por crimes de violação aos direitos humanos e corrupção.

Em 5 de abril de 1992, Fujimori, que ficou no poder de 1990 a 2000, dissolveu o Congresso e fechou o Poder Judiciário, o Ministério Público, o Tribunal de Garantias Constitucionais e o Conselho da Magistratura. Para isso, ele contou com a colaboração das Forças Armadas, lideradas então pelo general Nicolás Hermoza Ríos, atualmente preso.

Ao lado de Fujimori e de Vladimiro Montesinos, considerado braço dirento do então presidente, o militar formou um "triunvirato" que planejou objetivos a serem desenvolvidos em 30 anos de Governo, disse à agência Efe o jornalista e investigador Gustavo Gorriti.

Um ano depois, a pressão internacional levou, Fujimori a convocar um Congresso Constituinte Democrático (CCD), que se encarregou de elaborar a Constituição de 1993.

No entanto, com o argumento de que era necessária uma reforma total da judicatura, Fujimori manteve comissões interventoras que acabavam dando o controle de seu Governo sobre as instituições.

Ao lembrar o golpe de Estado, o presidente do Conselho de Ministros do Peru, Jorge del Castillo, destacou que esta situação não deve acontecer "nunca mais", porque as conseqüências foram muito ruins para o país.

Del Castillo disse que sofreu "na própria pele" a perseguição daquele Governo e que coube a ele denunciar a tentativa de assassinato do atual presidente Alan García, então líder da oposição.

O ex-presidente do Senado Felipe Osterling comentou, por sua vez, que os políticos da oposição não suspeitavam da intenção de romper a ordem constitucional. Ele lembrou que, semanas antes, havia sido denunciado que a família de Fujimori estava envolvida no mal uso de doações procedentes do Japão.

Osterling, que publicou um manifesto rejeitando o golpe junto ao presidente da Câmara dos Deputados, Roberto Ramírez del Villar, afirmou que Fujimori "quis perpetuar-se no poder".

Já Ollanta Humala, atual líder da oposição, afirmou que o autogolpe permitiu que Fujimori assentasse as bases da impunidade e da corrupção no Peru.

Humala reconheceu à agência oficial "Andina" que a decisão do ex-governante foi inicialmente amparada pela maioria da população, "que queria uma mudança".

Na sua opinião, este período estabeleceu as bases para a privatização do Estado e a defesa dos interesses dos grandes grupos de poder em detrimento da população.

Para o ex-procurador anticorrupção Luis Vargas Valdívia, o golpe significou "a interrupção da vida democrática" e o início de um dos Governos mais corruptos da história peruana.

"Não é certo dizer que o país pôde recuperar a governabilidade com esta manobra, pois a vitória contra o Sendero Luminoso se deveu basicamente a trabalhos populares e de Inteligência da Polícia Nacional", assegurou.

Esta posição não foi compartilhada pelo congressista Santiago Fujimori, irmão do ex-líder. Ele acha que o período instaurou "as bases do desenvolvimento e da pacificação" no Peru.

O parlamentar assegurou que o golpe permitiu a derrota do grupo armado Sendero Luminoso, a reinserção financeira do Peru no âmbito internacional, a abertura do mercado de investimentos e a assinatura definitiva da paz com o Equador, em 1998.

Quinze anos depois, e em meio a uma grande rejeição, a ruptura da ordem constitucional será lembrada hoje em Lima por organizações civis e defensoras dos direitos humanos. Segundo elas, "as violações de direitos humanos e os delitos de corrupção transcorreram num clima de total impunidade a partir desta data".

A convocação inclui uma entrevista coletiva na sede do Congresso da República e um ato público em frente à sede do Ministério Público para expressar a rejeição "à impunidade e para exigir justiça", à espera de que Fujimori seja extraditado para responder às acusações contra ele em seu país.

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