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13/07/2007 - 15h37
Sérvia acusa ONU de ignorar terror no Kosovo e Rússia ameaça não negociar

Belgrado, Moscou e Nações Unidas, 13 jul (EFE).- A Sérvia denunciou que a ONU ignora a atmosfera de terror criada no Kosovo pela maioria albanesa contra os sérvios e a Rússia ameaçou sair das negociações no Conselho de Segurança sobre a nova resolução para a província, enquanto o secretário-geral da ONU pediu agilidade e moderação às partes envolvidas.

Em carta enviada na terça-feira pelo embaixador sérvio na ONU, Pavle Jevremovic, ao secretário-geral, Ban Ki-moon, e divulgada hoje, a Sérvia critica ferozmente o trabalho do representante especial do secretário-geral para o Kosovo, Joachim Rucker. Ele é acusado de deixar de fora do último relatório ao Conselho de Segurança "a situação insustentável em que vivem os sérvios e outros não-albaneses".

O texto assegura que o objetivo de construir uma sociedade multiétnica no Kosovo está longe ser alcançado.

"O relatório, da mesma forma como os dois anteriores, despreza o isolamento, a discriminação econômica e o medo à violência e o maus-tratos que, como parte de um terror de baixa intensidade, assolam a população albanesa em um esforço para expulsar os sérvios da província", diz a carta.

Como prova dessa situação, o texto menciona a redução da população sérvia de Pristina, capital da província, de 40.000 para 87 pessoas. Nenhum dos milhares de não-albaneses refugiados nos últimos sete anos voltou para casa.

A carta foi acompanhada de um anexo que lista quase 70 atos de agressão contra membros da comunidade sérvia, as propriedades ou igrejas deles, cometidos entre março de 2005 a julho de 2006.

Os relatórios da ONU não ajudam a criar a atmosfera para retomar negociações e embarcar em uma busca genuína de uma resolução para o status do Kosovo, acrescenta na carta.

Enquanto isso, a Rússia advertiu hoje que não participará da discussão da nova minuta de resolução sobre o Kosovo no Conselho de Segurança da ONU se não for levada em conta sua oposição à independência unilateral da província sérvia.

"Se não forem introduzidas as mudanças que nós consideramos importantes, e que já expusemos a nossos colegas, não vemos necessidade de participar de uma redação cosmética", declarou o vice-ministro de Assuntos Exteriores russo, Vladimir Titov.

Ele reconheceu que, ao contrário do texto anterior, a nova minuta não inclui explicitamente "o reconhecimento automático da independência do Kosovo".

Titov ponderou que o conteúdo da minuta elaborada por países ocidentais "deixa a impressão inequívoca de que se decidiu de antemão a independência do Kosovo como resultado de quatro meses de negociações".

A Rússia é terminantemente contra a imposição de prazos para a solução definitiva da questão.

"Consideramos que, se nas negociações não for alcançado um resultado mutuamente aceitável em quatro ou seis meses, esse prazo não deveria ser definitivo, mas uma etapa a mais no processo de solução para o Kosovo", disse o vice-ministro à agência de notícias russa "Interfax".

Na quinta-feira, o ministro de Assuntos Exteriores da Rússia, Serguei Lavrov, denunciou que a nova minuta de resolução mantinha implicitamente o dispositivo de independência automática do Kosovo, contra o que afirmavam EUA e países europeus.

"Após a complicada linguagem diplomática, se percebe a conclusão de que o plano de Martti Ahtisaari entra de fato em vigor dentro de 120 dias, sem importar se as partes chegarão a um acordo", disse o ministro.

Lavrov afirmou que o prazo de "só quatro meses" indicado é insuficiente e acrescentou que "continua sem resolver o problema da predeterminação da independência do Kosovo".

O processo de determinação do status do Kosovo está bloqueado no Conselho de Segurança por causa da recusa da Rússia - que tem poder de veto - em apoiar o plano do mediador finlandês Martti Ahtisaari, que prevê uma "independência sob supervisão internacional" para a província sérvia.

Mas, segundo os EUA e países da União Européia (UE), o novo projeto de resolução deixa de fora a declaração automática da independência para o Kosovo se não houver acordo entre sérvios e albaneses, como previa a versão anterior rejeitada por Sérvia e Rússia.

O projeto apresentado agora prevê um adiamento da decisão durante vários meses para dar mais tempo a Belgrado e Pristina a negociar com o objetivo de chegar a um acordo e para superar as divergências com a Rússia.

Segundo fontes americanas, este projeto tenta achar um equilíbrio entre os desejos separatistas da maioria albanesa do Kosovo, apoiada pelos EUA, e a recusa russa a determinar a secessão no âmbito da ONU.

Antes, esperava-se que a solução final do status do Kosovo sairia no primeiro semestre do ano.

Em visita a Belgrado, capital da Sérvia, o secretário-geral da Otan, Jaap de Hoop Scheffer, defendeu hoje que se evitem adiamentos "desnecessários" sobre o estatuto do Kosovo e pediu moderação às partes envolvidas.

"No Conselho de Segurança da ONU há um novo projeto de resolução que prevê uma continuação das negociações. Espero que as partes que até agora impediram a aprovação de uma resolução sobre o Kosovo mostrem a flexibilidade indispensável", declarou De Hoop Scheffer em Belgrado, onde se reuniu com o ministro do Exterior sérvio, Vuk Jeremic.

"Tenho a impressão de que este projeto pode ser uma última oportunidade para todas as partes", acrescentou.

O secretário-geral da Otan afirmou que o atual status do Kosovo é insustentável. Ele reiterou que a tarefa primordial das forças aliadas no Kosovo (KFOR) é a proteção de todos, especialmente dos sérvios.

Em 1999, quando milícias albanesas entraram em confronto com forças sérvias no Kosovo, a Otan interveio e bombardeou a cidade de Belgrado, a 250 km da zona de conflito.

Para o ministro Jeremic, não é necessária uma nova resolução para continuar as negociações.

"Estamos em uma fase delicada do processo de determinação do estatuto e, indistintamente ao desenvolvimento do processo no Conselho de Segurança, o mais importante é preservar a paz e estabilidade na região, sobretudo no Kosovo", disse Jeremic.

De Hoop Scheffer também deveria se reunir hoje com o presidente sérvio, Boris Tadic, e com o primeiro-ministro, Vojislav Kostunica.

A Sérvia rejeita a independência da província (onde 90% da população é de etnia albanesa) e o plano de Ahtisaari porque não são resultado de negociações. Já os albano-kosovares afirmam que a independência não é negociável e sugerem a possibilidade de proclamá-la de forma unilateral se o processo no Conselho de Segurança se atrasa demais.

O Kosovo está sob administração interina da ONU e a vigilância da Otan desde o fim da guerra de 1999, à espera de uma solução de seu estatuto político definitivo.

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