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10/06/2011 - 08h55

Após 20 anos de conflitos, Croácia se aproxima de sua meta de entrar na UE

Vesna Bernardic.

Zagreb, 10 jun (EFE).- A Croácia, que foi junto com a Eslovênia a primeira república iugoslava a declarar sua independência, demorou anos para fechar seu processo de integração europeia, marcado por guerras, Governos autoritários, luta contra a corrupção e difíceis reformas políticas e econômicas.

Em 25 de junho de 1991, quando o Parlamento croata declarou a independência da antiga Iugoslávia comunista, um dos objetivos proclamados, além de se tornar uma democracia e uma economia de mercado, foi a integração na União Europeia (UE).

Devido à oposição de Belgrado e à guerra servo-croata que já estava ardendo, a UE interveio como mediadora e estabeleceu uma moratória de três meses sobre essa independência, que, portanto, entrou em vigor em 8 de outubro.

No entanto, o caminho rumo à comunidade ocidental não seria fácil: já em 1990 tiveram início na Croácia os primeiros incidentes entre a minoria sérvia, apoiada de Belgrado pelo presidente Slobodan Milosevic, e as autoridades da Croácia, lideradas pelo nacionalista e autoritário Franjo Tudjman.

Os sérvios da Croácia proclamaram sua "República Sérvia de Krajina", disposta a se unir à Sérvia, e durante a guerra de 1991 conseguiram se apoderar de 28% do território da Croácia, que "limparam" de população croata.

Após a assinatura do cessar-fogo entre as partes em 1992 e a chegada dos "capacetes azuis" da ONU, a Croácia foi reconhecida por UE, Estados Unidos e outros países em 15 de janeiro de 1992.

Seguiram-se anos de ocasionais bombardeios e tentativas frustradas da comunidade internacional de negociar um acordo entre as duas partes.

Na ofensiva de reconquista de 1995, a Croácia conseguiu recuperar a maior parte da "Krajina", menos a Eslavônia ocidental com Vukovar, que foi pacificamente reintegrada à Croácia de 1995 a 1998 com a ajuda de uma missão da ONU.

Essa guerra, além de produzir vítimas humanas, levou a uma estagnação nos esforços para a democracia do país.

Com a morte de Tudjman em 1999 e a chegada ao poder em 2000 de uma coalizão liderada pelo social-democrata Ivica Racan e pelo presidente Stjepan Mesic, começou a integração da Croácia na UE.

Em 2000 tiveram início as negociações sobre o Acordo de Estabilização e Associação, que foi assinado em outubro de 2001, e, em fevereiro de 2003, Racan apresentou oficialmente a candidatura da Croácia a membro de pleno direito da UE.

Em junho de 2004, pouco depois que Ivo Sanader subiu ao poder, o país foi aceito oficialmente como candidato por Bruxelas, e se determinou que as negociações teriam início em 17 de março de 2005.

Essa data foi adiada pouco depois porque o Tribunal Penal Internacional para a Antiga Iugoslávia (TPII) denunciou que Zagreb não cooperava suficientemente, já que não tinha detido o comandante da ofensiva de 1995, Ante Gotovina.

As negociações foram iniciadas seis meses mais tarde, em outubro de 1995, depois que o TPII confirmou a cooperação da Croácia. Gotovina foi detido em dezembro de 2005 na Ilha das Canárias.

Uma nova estagnação aconteceu em 2008 pelo bloqueio da Eslovênia, devido ao litígio fronteiriço entre os dois países vizinhos.

Foi sob o Governo da sucessora de Sanader e atual primeira-ministra, Jadranka Kosor, que se decidiu por uma arbitragem internacional para solucionar o litígio e desbloquear as negociações.

Além disso, Jadranka puniu os corruptos, outro passo importante para a entrada do país na UE, levando muitos ex-funcionários, incluindo Sanader, à prisão.

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