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13/06/2011 - 18h30

Novo Governo no Líbano será dominado pelo Hezbollah e aliados

Beirute, 13 jun (EFE).- Após cinco meses de paralisia política, o primeiro-ministro Najib Mikati conseguiu nesta segunda-feira formar um novo Governo no Líbano com 29 integrantes, ele inclusive, todos pertencentes à coalizão liderada pelo Hezbollah.

O secretário-geral da Presidência libanesa, Suhail Burji, foi o encarregado de ler a lista de novos ministros após reunião em Beirute com o chefe de Estado libanês, Michel Suleiman, Mikati e o presidente do Parlamento Nabih Berri.

Burji leu uma lista com 30 membros, mas pouco depois o druso Talal Arslan renunciou ao Ministério de Estado e acusou o primeiro-ministro de empregar uma "linguagem dúbia" durante os contatos prévios para constituição do Gabinete.

Por sua vez, Mikati afirmou que o novo Executivo "será de todo o Líbano e trabalhará para todos os libaneses, sem distinção alguma e sem que haja vencedores nem vencidos. O Governo respeitará os valores de justiça, tolerância e amor. Não há substituto para coexistência", ressaltou.

Nesta terça-feira, o Executivo se reúne para designar um comitê ministerial, que deverá redigir uma declaração com o programa de Governo que deverá conquistar a confiança do Parlamento.

Caso seja aprovado, o programa poria fim a uma crise política iniciada no último dia 12 de janeiro com a queda do Governo anterior liderado por Saad Hariri, causada pela retirada de vários ministros partidários do Hezbollah.

Os ministros se retiraram depois que o Governo do Líbano optou não desprezar os trabalhos de um tribunal especial - apoiado pela Organização das Nações Unidas - que investiga o assassinato de Rafik Hariri, pai de Saad, morto em um atentado em 2005, do qual podem ter participado membros da organização fundamentalista islâmica.

Mikati, um empresário multimilionário e deputado independente, foi designado primeiro-ministro e encarregado de formar um Gabinete no último dia 25 de janeiro, mas não pôde completar sua tarefa até esta segunda-feira por divergências dentro da própria coalizão que o respaldou.

A plataforma 8 de março, que até esse momento tinha estado na oposição parlamentar, conseguiu a designação de Mikati graças ao apoio de algumas cadeiras do grupo do druso Walid Jumblatt, até então aliado Hariri.

O principal obstáculo para criar um Gabinete foram as exigências e aspirações pessoais de dirigentes dentro da coalizão, já que a plataforma de Hariri, o Movimento 14 de março, já anunciou que não participaria de nenhum executivo liderado pelo Hezbollah e seus aliados.

A esse respeito, o escritor e economista Georges Corm disse à Agência Efe que "quando se olha para a composição do Governo, não há resposta sobre porque sua criação demorou tanto, é algo misterioso", considerou.

"Talvez, como se diz que em breve vão a publicar a ata de acusação (do caso Hariri), tenham achado que era melhor formá-lo agora", opinou Corm, em referência às informações divulgadas na imprensa libanesa indicando que a ata será publicada entre o dia 20 de junho e o dia 5 de julho.

O anúncio do Executivo acontece depois da visita há poucos dias de Jumblatt à Síria, palco de revoltas populares e cujas autoridades asseguraram que apoiavam a formação de um gabinete no Líbano, e coincidiu com intensos contatos realizados na última semana no Líbano após a convocação de uma reunião do Parlamento para a próxima quarta-feira.

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