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14/06/2011 - 14h11

Mais 1 camponês ameaçado de morte é assassinado na Amazônia

Rio de Janeiro, 14 jun (EFE).- Outro trabalhador rural que também foi alvo de ameaça de morte na Amazônia brasileira foi assassinado a tiros, elevando para seis o número de trabalhadores mortos na região em menos de um mês.

Obede Loyla de Souza, de 31 anos, foi atingido na quinta-feira com um tiro de escopeta no ouvido. Seu corpo, no entanto, só foi encontrado dois dias após e levado nesta terça-feira ao Instituto Médico Legal do Pará, na Região Norte, conforme comunicado da Comissão Pastoral da Terra (CPT).

O crime ocorreu poucos metros da casa do camponês no Acampamento Esperança, no município de Pacajá, no Pará, região recorrente de conflitos entre trabalhadores rurais e madeireiros que desmatam ilegalmente a floresta amazônica.

A Pastoral da Terra não sabe as causas do homicídio, mas tem informações de testemunhas de que a vítima teria sido ameaçada após uma discussão meses atrás por uma pessoa considerada uma espécie de representante dos madeireiros na região.

Segundo a CPT, no dia do assassinato, foram vistos quatro homens circulando em uma caminhonete preta no Acampamento Esperança, onde vivem os trabalhadores rurais que trabalham na produção sustentável de frutas da Amazônia, principalmente castanha.

O crime ocorre menos de um mês depois da morte de cinco líderes ecologistas e trabalhadores rurais nos estados do Pará e Rondônia, na Amazônia, que também receberam ameaças de madeireiros e de agricultores interessados em desmatar a Amazônia para aumentar as terras próprias para o cultivo.

Em 24 de maio, o casal de extrativistas, José Claudio Ribeiro da Silva e sua esposa, Maria do Espírito Santo da Silva, foram assassinados por pistoleiros no Pará, após denunciarem o comércio ilegal de madeira.

Três dias depois, o líder camponês Adelino Ramos, conhecido como "Dinho" e um dos sobreviventes em 1995 do massacre de Corumbiará, foi assassinado a tiros em Roraima.

No fim do mesmo mês, em 30 de maio, o corpo do camponês Eremilto Pereira dos Santos foi localizado na mesma região do Pará, a sete quilômetros do local em que foi assassinado o casal que vivia na mesma reserva.

No intervalo de mais dois dias foi confirmado o assassinato do agricultor Marcos Gomes da Silva, um dos líderes de um assentamento rural em Eldorado dos Carajás, município no qual foram mortos 19 camponeses em 1996 em uma ação policial.

Na semana passada, após uma reunião da presidente Dilma Rousseff com diversos ministros e os governadores dos estados amazônicos, o Governo anunciou que adotaria medidas "mais duras" para enfrentar a onda de violência na Amazônia.

O Governo determinou inicialmente o deslocamento de uma força conjunta, envolvendo Exército, Marinha, Força Aérea e as Polícias Federal e Rodoviária Federal para reforçar as regiões consideradas como áreas de risco.

Igualmente foram anunciadas medidas para proteger os camponeses e líderes ambientalistas ameaçados de morte. Segundo a CPT, a lista dos ameaçados de morte na Amazônia chega quase a 1 mil.

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