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24/04/2005 - 17h39
Papa Bento 16 inaugura seu pontificado

O papa Bento 16 é coroado no Vaticano; amplie
Bento 16 deu início ao seu pontificado neste domingo (24) com uma missa solene na qual recebeu o pálio e o anel do pescador; ele disse que seguirá o Concílio Vaticano 2º

Da Redação
Com agências internacionais

Bento 16 deu início ao seu pontificado neste domingo (24) com uma missa solene na qual recebeu o pálio e o anel do pescador (símbolos do ministério pontifício) e afirmou que durante o seu papado não pretende fazer suas vontades nem seguir suas próprias idéias.

"Meu programa de governo é não fazer minha vontade e não seguir minhas próprias idéias, mas ouvir a palavra e a vontade do Senhor e ser conduzido por Ele", disse o papa em uma longa e aplaudida homilia, na qual destacou que algumas características da gestão já foram expostas em 20 de abril.

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Nesse dia, poucas horas após ser eleito papa, Joseph Ratzinger oficiou sua primeira missa na Capela Sistina, em que pronunciou uma declaração de princípios e se comprometeu a seguir o trabalho traçado no Concílio Vaticano 2º, de promover a unidade dos cristãos e de trabalhar pela paz no mundo.

Bento 16, que deu a impressão de que não quer expressar discursos políticos, mas homilias de caráter pastoral, voltou a pedir a unidade dos cristãos.

Na homilia, que foi interrompida 35 vezes pelos aplausos das 400 mil pessoas que lotaram a praça de São Pedro e as ruas adjacentes, Bento 16 lembrou várias vezes João Paulo 2º e fez o mesmo pedido que Karol Wojtyla fez quando foi eleito Pontífice, em 1978.

"Neste momento, minha lembrança volta a 22 de outubro de 1978, quando João Paulo 2º iniciou seu ministério aqui. As palavras dele ainda ressoam em meus ouvidos: 'Não tenha medo! Abra, mais ainda, abra as portas para Cristo!'", declarou.

O papa acrescentou que João Paulo 2º falava aos fortes, aos poderosos do mundo, "que temiam que Cristo pudesse tirar o poder deles caso o deixassem entrar e tivessem concedido a liberdade à fé".

O novo Pontífice acrescentou: "Sim, Ele lhes teria tirado algo: o domínio da corrupção e a arbitrariedade. Mas não lhes teria tirado nada do que pertence à liberdade do homem, a dignidade, a edificação de uma sociedade justa".

Depois de lembrar as palavras de João Paulo 2º, Bento 16 acrescentou: "Eu também gostaria de dizer hoje a todos vocês, principalmente aos jovens: Não tenham medo de Cristo! Ele não tira nada, mas dá tudo. Sim, abram as portas para Cristo e encontrarão a verdadeira vida".

O novo papa pediu aos católicos de todo o mundo que rezem para que ele não tenha medo nem fuja e não abandone suas ovelhas (os fiéis).

A Missa de Início de Pontificado substitui à de coroação e imposição da tiara, abolida no Pontificado de Paulo 6º (1963-1978).

Bento 16 quis dar à celebração um forte valor simbólico para ressaltar a dimensão de Pedro no ministério dele.

O rito foi baseado no que estava previsto na reforma do Concílio Vaticano 2º e em costumes milenares.

A celebração começou com a reverência de Bento 16 em frente ao túmulo de São Pedro, na cripta da Basílica de São Pedro, para orar diante do apóstolo junto com os patriarcas das igrejas orientais.

Depois, em procissão, todos se dirigiram em direção ao átrio da Basílica de São Pedro, em cujo balcão central havia um grande tapete, que representava a pesca milagrosa e mostrava Jesus falando com Pedro.

Bento 16 usava uma casula dourada, que João Paulo 2º também usou.

Os momentos mais emocioanntes foram a imposição do pálio e do Anel do Pescador, depois da leitura do Evangelho, feita em latim e grego.

O pálio foi imposto pelo cardeal protodiácono, o chileno Jorge Medina Estévez. O ornamento, que simboliza o Salvador que, encontrando o homem como a ovelha, o carrega nas costas, foi confeccionada com lã de cordeiro.

Até agora, o pálio media entre quatro e seis centímetros de comprimento e não era muito largo. Bento XVI recuperou a medida original, de 2,60 metros de comprimento e 11 centímetros de largura.

O pálio tinha cinco cruzes vermelhas, que lembram as cinco chagas de Cristo, com alfinetes que lembram os cravos da cruz.

O anel do pescador foi posto pelo decano do Colégio Cardinalício, Angelo Sodano, em meio à emoção do papa, sorridente, sereno e, em muitas vezes, visivelmente comovido.

O anel do pescador é diferente daquele que João Paulo 2º usava. O atual tem cravado o mesmo tema que o selo de chumbo (usado para carimbar documentos): Pedro jogando as redes para pescar.

Bento 16 usará o anel até morrer, quando o Camerlengo o irá retirar e destruir para ninguém poder usá-lo, simbolizando o fim de seu Papado.

O ritual concluiu com um "rito da obediência". Até agora eram os cardeais quem se ajoelhavam diante do papa, mas hoje isso foi feito por 12 pessoas em lembrança do número dos apóstolos.

Foram três cardeais, um bispo, um presbítero, um diácono, um religioso, uma religiosa, um casal e dois rapazes.

A missa foi concelebrada por 150 cardeais, as leituras foram feitas em inglês e espanhol e a comunhão foi dada por 320 sacerdotes.

Nesse momento, pelos alto-falantes, se lembrou que a comunhão estava reservada aos católicos.

Foram à missa 140 delegações dos principais países do mundo, entre eles os reis da Espanha e o presidente e o chanceler da Alemanha.

Também assistiram representantes da igrejas ortodoxas, entre eles o arcebispo Kirill, "número dois" do Patriarcado de Moscou, e o arcebispo de Canterbury, Rowan Williams, da Comunhão Anglicana.

A missa concluiu com um passeio do papa pela praça em papamóvel descoberto.

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