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15/05/2006 - 15h53
Comércio e escolas fecham após três dias de ataques a policiais, bancos e ônibus
PCC queima 68 ônibus em SP
Comércio, escolas, universidades e empresas de São Paulo e de outras cidades do Estado decidiram dispensar seus funcionários e alunos mais cedo nesta segunda-feira, temendo uma escalada da onda de violência que, desde a noite de sexta, já deixou ao menos 81 mortos, entre policiais, criminosos e cidadãos comuns. Ao menos 13 bancos foram atacadas, e dezenas de ônibus incendiados.

Das agências
Da Folha Online

Estabelecimentos localizados em ruas de comércio tradicionais, como na região de Pinheiros e no Centro de São Paulo, baixaram as portas e dispensaram seus empregados. Instituições de ensino dispensaram os alunos e devem suspender as aulas de amanhã, como medida de precaução.

Uma situação ainda não esclarecida causou também a evacuação e o fechamento parcial do Aeroporto de Congonhas, na zona sul da capital paulista.

O ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, disse no início da tarde que o governo federal descarta intervir para controlar os ataques, que são atribuídos ao PCC (Primeiro Comando da Capital), facção criminosa que opera no Estado.

Thomaz Bastos, após reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, disse acreditar que as forças de segurança do governo de São Paulo têm condições de controlar a crise, mas voltou a oferecer ajuda.Segundo o ministro, trata-se de cooperação, não de intervenção. Ele vai a São Paulo para conversar pessoalmente com o governador Cláudio Lembo às 18h.

Bastos colocou 4.000 homens da Força Nacional de Segurança à disposição de São Paulo, Paraná e Mato Grosso do Sul --onde ocorreram rebeliões. O número pode chegar a 7.000, segundo a Justiça.

Balanço de vítimas

A maior onda de ataques de que se tem notícia realizada pelo crime organizado em São Paulo entrou em seu terceiro dia atingindo também alvos civis. Já foram confirmados pelas autoridades cerca de 180 ataques da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) no Estado, com pelo menos 81 pessoas mortas.

As vítimas, segundo dados oficiais divulgados por volta das 14h30, são 22 PMs, oito agentes penitenciários, seis policiais civis, três guardas civis metropolitanos e quatro cidadãos comuns, entre eles, alguns parentes de policiais; os restante 38 mortos são criminosos. Os feridos são, pelo menos, 49.

Os suspeitos detidos pela polícia, de acordo com informações do Departamento de Investigações Sobre o Crime Organizado (Deic), são pelo menos 91.

Durante a madrugada, ataques contra ônibus na capital forçaram as companhias de transporte público da cidade a não mandar seus carros para as ruas nesta segunda-feira. A decisão afetou duramente a população, em especial moradores das zonas Sul e Leste, que ficaram sem condução para o trabalho. Pelo menos 2,9 milhões de passageiros foram afetados.

Pelo menos seis das empresas de ônibus de São Paulo mantiveram seus veículos nos pátios para evitar depredações. Os criminosos já queimaram mais de 68 ônibus desde o início do levante, na última sexta-feira. Foram 44 ônibus na capital, e os demais no ABC e em Osasco. A maioria dos ônibus foi destruída na madrugada deste domingo para segunda.

Agências do Banco do Brasil, do Bradesco e da Caixa Econômica Federal foram alvos de tiros dos criminosos. Já duas agências do Itaú e outra do HSBC foram incendiadas.

Em Higienópolis, bairro de classe média-alta da região central da cidade, um carro da Polícia Civil foi metralhado no início da tarde desta segunda. Quatro policiais estavam no veículo, e um deles foi atingido. Duas escolas da região --Rio Branco e Sion-- mudaram sua rotina e criaram esquemas especiais de segurança.

Por toda a cidade foram montados bloqueios da polícia, que procura por suspeitos de participação nas ações. Até o momento, foram presos 82 suspeitos.

A ação coordenada dos criminosos se estende por outras cidades do Estado, onde foram registrados ataques a policiais. A violência já ultrapassou as fronteiras do Estado. Foram registrados ataques também no Paraná, Mato Grosso do Sul e Bahia.

Reação do PCC

As ações, segundo o comando da segurança pública de São Paulo, são uma reação da facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital) à transferência de líderes da organização para a penitenciária 2 de Presidente Venceslau (a 620 km da capital), complexo de segurança máxima idealizado para abrigar os membros do PCC.

Entre os 765 detentos transferidos para o presídio está Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, considerado o principal chefe do grupo.

Rebeliões

Às 13h30, a Secretaria da Administração Penitenciária (SAP) de São Paulo divulgou um balanço que trouxe uma redução no número de rebeliões em andamento em presídios e centros de detenção provisória (CDPs) no Estado.

Elas são, agora, 29, contra 45 na manhã desta segunda-feira. O número de reféns, ainda segundo a SAP, também diminuiu, de 196 para 120. A maioria é de agentes penitenciários.

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