UOL Últimas NotíciasUOL Últimas Notícias
UOL BUSCA

15/05/2006 - 18h56
Pânico toma conta de São Paulo e chefe da PM vê exagero; rebeliões acabam em todo o Estado
Medo faz trânsito bater recorde na 2ª
Em meio a um congestionamento recorde, os paulistanos foram para casa mais cedo nesta segunda, com o comércio, empresas e escolas fechados pelo temor da onda de violência que, desde sexta, já deixou 81 mortos no Estado, entre policiais, criminosos e cidadãos comuns; o chefe da PM paulista disse que a boataria alimenta o pânico, e o governador rejeitou ajuda federal.

Da Redação
Das agências
Da Folha Online

O comandante-geral da Polícia Militar no Estado de São Paulo, coronel Eliseu Eclair, afirmou que esta segunda foi o dia menos violento desde o início dos ataques da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC). Falando no final da tarde no Palácio dos Bandeirantes, sede do governo paulista, ele deu a entender que o pânico vivido hoje pela população da cidade não condiz com a realidade.

"Hoje (segunda) foi o dia mais tranqüilo. E por que, à tarde, aconteceu este pânico?" O coronel atribuiu a situação à cobertura da imprensa e à boataria que se propaga numa espécie de "boca-a-boca eletrônico" --pela Internet, mensagens de SMS e celulares. Eclair citou reportagem da Folha Online que aborda a boataria para apoiar seu raciocínio.

O coronel disse que há informações "mirabolantes" circulando pela cidade a respeito de supostas ações e planos dos bandidos.

"Não tenho dúvida nenhuma de que vamos controlar a situação", disse o policial, que afirmou ainda que os índices de violência estão arrefecendo. "Vamos analisar os números, e não a sensação (de violência)", disse.

Desde sexta-feira à noite, os ataques do PCC deixaram ao menos 81 mortos no Estado de São Paulo. Deste total, 38 são suspeitos e criminosos. O número de presos por suspeita de envolvimento nos ataques, segundo o coronel, já chega a 91.

"Nós estamos em guerra contra eles, podemos ter mais baixas, mas não vamos recuar. Ontem dominamos 20 presídios e hoje dominamos mais 20", afirmou Eclair.

Para o coronel, não há necessidade de alarme da população paulistana, que hoje enfrentou paralisação de ônibus, trânsito carregado e fechamento de lojas, escolas e universidades.

Ele atribuiu o medo dos paulistanos à cobertura da imprensa e disse que entrou em contato com diretores de jornais e emissoras de TV para reduzir o que classificou de "sensacionalismo".

São Paulo recusa ajuda

No início da noite, após uma reunião, o governador Cláudio Lembo (PFL) e o ministro da Justiça Márcio Thomaz Bastos anunciaram que o governo federal não vai colaborar diretamente com as ações das forças de segurança estaduais. A rejeição a essa ajuda pelo governador vem desde o início dos ataques, foi reafirmada pelo comandante da PM na entrevista em que falou dos boatos e, por fim, oficializada por Lembo, com o ministro a seu lado.

Thomaz Bastos afirmou, no entanto, que a solicitação de ajuda por parte do governo estadual pode ser feita a qualquer momento, e que será prontamente atendida. Segundo o ministro --que elogiou muito a atuação das forças estaduais de segurança--, já ocorre um trabalho de intercâmbio de inteligência com a Polícia Federal.

A oferta do ministro incluía 4.000 homens da Força Nacional de Segurança à disposição de São Paulo, Paraná e Mato Grosso do Sul --onde ocorreram rebeliões. No entanto, ao declinar da oferta, Lembo citou nominalmente o Exército, dizendo que não havia a necessidade de sua presença no Estado.

Por volta das 21h, a Secretaria da Administração Penitenciária anunciou que terminaram todas as rebeliões em unidades prisionais do Estado de São Paulo --desde o início da crise, elas chegaram a ser 73. Todos os reféns foram soltos; nove detentos morreram.

"Toque de recolher" espontâneo

Estabelecimentos localizados em ruas de comércio tradicionais, como na região de Pinheiros e no centro de São Paulo, baixaram as portas e dispensaram seus empregados.

Como precaução, empresas e escolas também estão encerrando o expediente mais cedo. A conseqüência: às 18h, o congestionamento atingia 212 km, contra a média de 58 km. O recorde anterior era de 187 km. O rodízio de veículos foi suspenso --medida que será mantida nesta terça-feira.

O pânico mudou a rotina econômica de São Paulo. Empresas como Microsoft e Samsung, por exemplo, dispensaram os funcionários. Os shoppings Iguatemi e Market Place fecharam as portas às 16h. A rede de supermercados Pão de Açúcar dispensou seus funcionários, mesmo tendo percebido um aumento no número de consumidores em pelo menos uma de suas lojas.

O próprio Tribunal de Justiça comunicou que o expediente em todos os fóruns do Estado seria encerrado mais cedo, às 17h. A justificativa é a tentativa de diminuir os problemas de transporte dos funcionários, uma vez que parte da frota de ônibus paulistana não está circulando. Nove terminais de ônibus - oito na zona Sul - permaneceram fechados e há mais de 4 mil ônibus fora de circulação nesta segunda-feira.

Universidades e faculdades suspenderam as aulas noturnas e devem manter a medida nesta terça. A direção da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) argumentou "situação de insegurança generalizada na cidade".

De acordo com nota divulgada, a suspensão das atividades teve início às 15h nas quatro unidades da capital e só serão retomadas quando "forem restituídas condições adequadas ao funcionamento da universidade". Em Higienópolis, a Escola Carlitos suspendeu as aulas hoje e amanhã, por conta da falta de segurança.

O grande número de ligações entre celulares feitas por pessoas buscando informações sobre os ataques está provocando sobrecarga. A assessoria da Vivo desmentiu os boatos de ataques aos sistemas, mas confirmou que o excesso de ligações provoca sobrecarga. O mesmo ocorreu com a TIM.

Tiros em Higienópolis

Em Higienópolis, bairro de classe média-alta da região central da cidade, um carro da Polícia Civil foi metralhado no início da tarde desta segunda. Quatro policiais estavam no veículo, e um deles foi atingido. Duas escolas da região --Rio Branco e Sion-- mudaram sua rotina e criaram esquemas especiais de segurança.

O saguão do aeroporto de Congonhas, na zona sul, foi evacuado e parcialmente fechado por conta de uma suspeita de pânico. O esquadrão antibombas da polícia não encontrou nada.

Balanço de vítimas

A maior onda de ataques de que se tem notícia realizada pelo crime organizado em São Paulo entrou em seu terceiro dia atingindo também alvos civis. Já foram confirmados pelas autoridades 184 ataques da facção criminosa PCC no Estado, com pelo menos 81 pessoas mortas.

As vítimas, segundo dados oficiais divulgados na tarde desta segunda, são 22 PMs, oito agentes penitenciários, seis policiais civis, três guardas civis metropolitanos e quatro cidadãos comuns, entre eles, alguns parentes de policiais; os restante 38 mortos são criminosos. Os feridos são, pelo menos, 49.

Os suspeitos detidos pela polícia, de acordo com informações do Departamento de Investigações Sobre o Crime Organizado (Deic), são ao menos 91. Os ônibus queimados no Estado são 56, e os ataques a agências bancárias chegaram a oito.

Durante a madrugada, ataques contra ônibus na capital forçaram as companhias de transporte público da cidade a não mandar seus carros para as ruas nesta segunda-feira. A decisão afetou duramente a população, em especial moradores das zonas Sul e Leste, que ficaram sem condução para o trabalho. Pelo menos 2,9 milhões de passageiros foram afetados.

Pelo menos seis das empresas de ônibus de São Paulo mantiveram seus veículos nos pátios para evitar depredações. Os criminosos queimaram 44 ônibus na capital, e os demais no ABC e em Osasco. A maioria dos ônibus foi destruída na madrugada deste domingo para segunda.

Agências do Banco do Brasil, do Bradesco e da Caixa Econômica Federal foram alvos de tiros dos criminosos. Já duas agências do Itaú e outra do HSBC foram incendiadas. Em nota, os bancos afirmaram que abrirão normalmente nesta terça-feira.

Por toda a cidade foram montados bloqueios da polícia, que procura por suspeitos de participação nas ações. Até o momento, foram presos 82 suspeitos.

A ação coordenada dos criminosos se estende por outras cidades do Estado, onde foram registrados ataques a policiais. A violência já ultrapassou as fronteiras do Estado. Foram registrados ataques também no Paraná, Mato Grosso do Sul e Bahia.

Reação do PCC

As ações, segundo o comando da segurança pública de São Paulo, são uma reação da facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital) à transferência de líderes da organização para a penitenciária 2 de Presidente Venceslau (a 620 km da capital), complexo de segurança máxima idealizado para abrigar os membros do PCC.

Entre os 765 detentos transferidos para o presídio está Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, considerado o principal chefe do grupo.

Leia também:

  

Imagens

Policial vigia saguão de Congonhas; boatos de ataques se espalharam


UOL News

Reportagem em vídeo sobre o clima de tensão na cidade


Vídeo

Com medo, paulistano antecipa "rush"

Folha Online
Acompanhe a cobertura completa

Enquete
O governo federal deve intervir em SP?



Perfil
'Intelectual do crime' comanda a desordem em São Paulo

Envie
cartões
de paz


Shopping UOL

Adega de VinhosAproveite e encontre aqui
a partir de apenas R$ 249.
Sony VaioColor, Core Duo, 1.8Ghz,
2MB e 120GB em até 10x.
Tênis Nike:Ache aqui diversos modelos
em até 12 vezes. Aproveite!