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18/05/2006 - 10h05
SP sofre novos ataques; 10 ônibus
são queimados, e 6 morrem
PM apreende armas e drogas com suspeito
Novos ataques contra ônibus e forças de segurança supostamente realizados por pessoas ligadas à facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital) ocorreram entre a noite de quarta-feira e a madrugada de quinta no Estado de São Paulo. Pelo menos seis pessoas morreram em confrontos com a polícia, e dez ônibus foram queimados. Não houve feridos nos ataques a ônibus.


Da Redação
Apesar dos novos ataques do PCC, os ônibus urbanos voltaram a funcionar normalmente na capital durante a manhã, com o apoio da PM e da Guarda Civil Metropolitana, sem incidentes graves. Segundo balanço divulgado na tarde de quarta pela Secretaria de Segurança, a onda de violência deixou, desde sexta-feira, 138 mortos, sendo 93 suspeitos de serem criminosos. Os policiais mortos são 30 ( 23 PMs e 7 policiais civis; os demais são guardas civis, agentes penitenciários e cidadãos comuns). Foram presos 122 suspeitos. O total de ataques é de 283 (incluindo 84 a ônibus).

Entrevista com Marcola

A TV Bandeirantes levou ao ar durante a madrugada uma suposta entrevista com Marcos Camacho, o Marcola, principal líder da facção criminosa. Ele negou o suposto acordo com o governo estadual para um cessar-fogo e ameaçou com novos ataques. A Secretaria de Ação Penitenciária vai pedir a fita para periciá-la.

Em Brasília, o presidente da CPI do Tráfico de Armas, deputado Moroni Torgan (PFL-CE), disse nesta quinta que quer ouvir Marcola, possivelmente na próxima semana, sobre os ataques realizados pela facção criminosa em São Paulo desde o final da semana passada. Ontem, a CPI revelou que advogados do PCC pagaram a um funcionário terceirizado R$ 200 por uma gravação de uma sessão secreta da comissão -o que teria levado o PCC a saber do plano de transferência de seus líderes presos, possível estopim da onda de violência.

Mais ataques na madrugada

Cinco ônibus foram incendiados na noite de quarta-feira, por volta das 20h, fazendo com que algumas empresas tirassem os veículos de circulação. Outros quatro veículos foram queimados na região de Santo Amaro, na zona sul, e um na zona norte. Em Guaratinguetá (176 km da capital), um ônibus municipal foi incendiado no começo da noite de quarta-feira. Outros dois ônibus teriam sido incendiados em Mauá, na Grande São Paulo.

Em mais um confronto com a polícia, de acordo com o 95º Distrito, próximo do bairro de Heliópolis, três suspeitos foram mortos em uma favela, após disparar tiros de fuzil contra uma viatura que fazia ronda no local.

Também na noite de quarta, 11 homens armados tentaram invadir um Batalhão da PM em Osasco, na Grande SP, segundo a Secretaria da Segurança Pública. O grupo tentou entrar pelos fundos da 1ª Companhia, no Parque Mazei. Paulo Eduardo Gomes de Oliveira foi morto após troca de tiros. Outros dez homens fugiram.

Em Guarulhos, dois suspeitos morreram após trocas de tiros com a polícia, segundo o 1º DP de Guarulhos. Os dois motoqueiros tentavam interromper as aulas de uma faculdade. Em outro incidente, um homem que planejava um ataque a uma delegacia também teria morrido.

Em São Sebastião (litoral de São Paulo), quatro homens encapuzados, armados com espingarda calibre 12 e pistolas, destruíram na madrugada desta quinta parte da gráfica do jornal diário "Imprensa Livre". Um funcionário da gráfica cortou o pé ao tentar fugir pela janela, mas os criminosos não agrediram ninguém.

Na marginal Tietê, PMs trocaram tiros com suspeitos que estavam em um carro e balearam um deles. No veículo, foram encontradas bananas de dinamite. O incidente complicou o trânsito durante a manhã.

Novos boatos

Nova onda de boatos sobre ameaças do crime organizado circulou na noite de quarta. Alunos foram dispensados das aulas, estabelecimentos perderam clientes e até o aeroporto de Cumbica, em Guarulhos, teve a segurança reforçada.

Bloqueio de celulares

Uma decisão judicial determinou no dia 17 (quarta-feira) o bloqueio dos sinais de telefonia celular em áreas de presídio de seis cidades do Estado de São Paulo. A medida deverá entrar em vigor em 48 horas, de acordo com o secretário de Segurança do Estado, Saulo de Castro Abreu Filho. A medida terá duração de 20 dias, renováveis, e atinge Avaré, Iaras, Presidente Venceslau, Araraquara, São Vicente e Franco da Rocha.

A operadoras Vivo, Claro, TIM e Nextel terão de seguir a medida, segundo o secretário. A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) será informada. A medida vem na esteira da aprovação, por uma comissão do Senado, de um pacote de medidas de combate ao crime organizado, entre elas, o isolamento de presos pegos com celulares em presídios e o uso de seus bens para indenizar o governo por danos a presídios. A matéria segue para aprovação dos deputados.

Rixa

O delegado-geral da Polícia Civil de São Paulo, Marco Antônio Desgualdo, não descartou na tarde desta quarta a possibilidade de novos ataques "pontuais" na cidade, mas disse que uma possível represália do PCC marcada para acontecer à tarde era "boataria".

Segundo Desgualdo, o Deic (Departamento de Investigações Sobre o Crime Organizado) investiga a possível existência de uma briga entre duas facções criminosas - o PCC e o CRBC (Comando Revolucionário Brasileiro do Crime) - e a influência disso na onda de boatos.

A rixa teria resultado em uma chacina, há cerca de 30 dias, e em um duplo homicídio no domingo (14), no qual foram vítimas, segundo a Secretaria de Segurança Pública, Maria Aparecida Floriano da Silva, 63, e Eduardo Floriano da Silva, 24, mãe e irmão de um líder do PCC de codinome Capeta.

Segundo Desgualdo, o duplo homicídio teria sido a fonte de informações não-confirmadas que causariam possíveis novos ataques a mando do PCC.

Balanço de vítimas

Na tarde desta quarta, a Secretaria de Segurança Pública divulgou novo balanço da onda de violência. Desde a última sexta-feira são 138 mortos, sendo 93 suspeitos de serem criminosos. São 22 suspeitos mortos a mais que no balanço anterior, divulgado na terça.

Os policiais mortos passaram de 29 para 30 (são 23 PMs e sete policiais civis; os demais são guardas civis, agentes penitenciários e cidadãos comuns). Foram presos 122 suspeitos. O total de ataques foi a 283 (incluindo 84 a ônibus).

O secretário Saulo de Castro e o delegado-chefe Desgualdo tentaram explicar nesta quarta a não-divulgação da identidade dos suspeitos mortos pela polícia.

Ambos afirmaram que os nomes estão sendo mantidos em sigilo devido às investigações sobre possíveis antecedentes e ligações com facções do crime organizado. A divulgação dessas identidades poderia, segundo eles, atrapalhar o trabalho da polícia.

Com essas afirmações, Saulo e Desgualdo buscaram afastar a suspeita de falta de transparência, por parte do governo, quanto aos dados dos mortos e a maneira como eles foram mortos.

Reunião com Marcola

Uma pista sobre o estopim da onda de violência surgiu em Brasília. O depoimento secreto dos delegados Godofredo Bittencourt e Rui Ferraz Fontes, ambos do Deic (Departamento de Investigações sobre o Crime Organizado), à CPI das Armas, na semana passada, foi vendido a dois advogados que seriam do PCC por um funcionário terceirizado da Câmara, informou nesta quarta-feira a CPI do Tráfico de Armas.

De acordo com a CPI, Arthur Vinicius Silva, contratado para trabalhar no registro do áudio da reunião, vendeu por R$ 200 dois CDs com a gravação integral dos depoimentos aos advogados Maria Cristina de Souza e Sérgio Wesley da Cunha, que atuam pela facção.

Por meio dos advogados, os CDs teriam chegado ao líder do PCC, Marcos Willians Herba Camacho, o Marcola, e detonado a série de ataques a forças de segurança e de rebeliões de presos.

Na audiência sigilosa, os delegados paulistas informaram que transfeririam e isolariam um grupo de presos considerados de alta periculosidade, incluindo líderes da PCC, e que tinham conhecimento do plano dos criminosos de promover uma megarrebelião no domingo passado.

Quem mandou

As ações que assustaram São Paulo, segundo o comando da segurança pública de São Paulo, foram uma reação da facção criminosa PCC à transferência de líderes da organização para a penitenciária 2 de Presidente Venceslau (a 620 km da capital), complexo de segurança máxima idealizado para abrigar integrantes do crime organizado numa situação de isolamento total.

Entre os 765 detentos transferidos para o presídio está Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, considerado o principal chefe do grupo e tido como mandante dos ataques do PCC às autoridades.

Segunda-feira de pânico

Na tarde de segunda-feira, medo e tensão levaram estabelecimentos localizados em ruas de comércio tradicionais, como na região de Pinheiros e no centro de São Paulo, a baixar as portas e dispensar seus empregados ainda no meio da tarde. Como precaução, empresas e escolas também encerraram o expediente mais cedo, o que provocou congestionamento recorde.

(com Folha Online, Folha de S.Paulo e agências internacionais)

  

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