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07/02/2008 - 16h16

Ex-governador Mitt Romney desiste da disputa pela vaga republicana

Da Redação*
Em São Paulo
O ex-governador de Massachusetts, Mitt Romney, anunciou que abandona a disputa pela vaga do Partido Republicano para a eleição presidencial dos Estados Unidos. A informação foi confirmada em discurso na tarde desta quinta-feira, após ser adiantada por fontes internas do partido à rede de TV "CNN". A desistência de Romney abre caminho para que o senador pelo Arizona, John McCain, seja referendado como candidato do partido à Casa Branca.

"Se lutasse por minha campanha até a convenção, poderia atrapalhar o lançamento da campanha nacional (republicana), facilitando
para que os senadores (Hillary) Clinton ou (Barack) Obama pudessem vencer", disse Romney no discurso que fez em uma conferência com ativistas conservadores.

CAI MAIS UM REPUBLICANO
AFP
Ex-governador de Massachusetts anunciou que abandona a disputa pela vaga do Partido Republicano
ROMNEY: 3 VEZES EX
'BUSHISMO' DE JOHN McCAIN
A ORATÓRIA DE HILLARY CLINTON
DISPUTA DEMOCRATA ACIRRADA
INFOGRÁFICO: ENTENDA A ELEIÇÃO
Em seu texto de renúncia, Romney classificou a corrida pela Casa Branca como "tempo de guerra" e justificou a renúncia como forma de evitar o racha do Partido Republicano e como prova de "amor ao país".

Apoio a McCain não foi formalizado

Romney afirmou também que, embora discorde de inúmeros pontos defendidos por McCain, pensa de forma semelhante ao até então adversário ao defender a continuidade da ocupação do Iraque, da caça a Osama Bin Laden e da "guerra contra o terror" e contra a Al Qaeda. No entanto, não deixou claro se apoiará ou não McCain.

De toda forma, em seu discurso final, Romney voltou a defender a diminuição de barreiras para os negócios, o corte de impostos e a autonomia do Congresso para atuar em acordos com novos parceiros, posição contrária àquela defendida por McCain. "Enfrentamos uma competição econômica que nunca vimos antes. China e Ásia estão crescendo depois de séculos de pobreza, seus povos são inovadores e ambiciosos", afirmou. "Se não mudarmos nosso rumo, a Ásia ou a China vão nos ultrapassar como potências econômicas, assim como nós ultrapassamos a Inglaterra e a França no século passado."

Corrida agora é pela ala radical

Com a saída de Romney, o caminho de McCain à obtenção dos 1.191 delegados necessários para garantir a candidatura republicana será mais fácil. Ainda há outros dois candidatos na disputa oficial, o ex-pastor batista e ex-governador do Arkansas, Mike Huckabee, e Ron Paul, mas eles têm poucas chances de vencer. Assim, o senador terá como principal desafio convencer a ala mais conservadora do partido, que dialogava melhor com Romney, de que não é liberal.

A DISPUTA REPUBLICANA
CANDIDATODELEGADOS
McCain743
Romney294
Huckabee195
Isso, porém, não garante que a desistência de Romney tenha sido boa para a dupla democrata, Clinton e Obama, uma vez que McCain ainda mantém o trunfo de ser melhor aceito entre os eleitores independentes, justamente por não ser considerado tão radical.

ROMNEY NAS PRIMÁRIAS
POSIÇÃOESTADOS
11
11
6
1
Campanha cara não decolou

Romney venceu as primárias em oito Estados na terça e em outros três, anteriormente. Ele ocupava a segunda posição nas primárias do partido, com 294 delegados após a 'Superterça', quando eleitores de 24 Estados foram às urnas - bem menos da metade do total acumulado por McCain, até então líder da disputa com 743 delegados.

Além do seu Estado de origem, Utah, e de Massachusetts, que governou de 2003 a 2007, levou a melhor em Alaska, Colorado, Dakota do Norte, Maine, Michigan, Minnesota, Montana, Nevada e Wyoming.

US$
34.032.404
foi quanto Mitt Romney declarou ter investido, do próprio bolso, em sua campanha até o final de 2007
O desempenho foi semelhante ao do outro concorrente republicano, o ex-governador Mike Huckabee, terceiro colocado e vencedor em seis Estados, com um total de 195 delegados. No entanto, a campanha de Romney estaria "pior do que o esperado", segundo a revista "Time" e a rede "CNN", e uma pesquisa do jornal "Washington Post" mostrou que seu índice de rejeição subiu de 22%, no começo da campanha em 2007, para 46%, números que podem explicar sua renúncia.

Isso porque Romney investu mais de US$ 35 milhões de sua fortuna pessoal na campanha - segundo declarou à Comissão Eleitoral, a cifra chegava a US$ 34.032.404 ao fim de 2007, valor que deve ter sido superado com os gastos de 2008 -, e chegou a se reunir com o comitê financeiro de sua campanha, antes de renunciar.

"Mais de 4 milhões de pessoas me deram seus votos. Claro que é menos do que os 4,7 milhões do senador McCain. Onze Estados me deram sua aprovação, comparados aos 13 Estados dele. Ele está se saindo bem melhor com os delegados que conseguiu", reconheceu Romney, sem deixar de agradecer a seus eleitores.

Aos 60 anos e considerado mais conservador que o senador McCain, 71, Romney gerou polêmica ao se lançar na disputa. Favorável a um rigor maior do governo na política de imigração ilegal, também criticou abertamente o casamento homossexual e o direito da mulher ao aborto. Mórmon, por diversas vezes precisou ressaltar em seus discursos que iria respeitar a liberdade religiosa, caso chegasse a ser eleito presidente.

*Com agências internacionais

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