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05/11/2008 - 15h57

Little Haiti festeja em créole após os EUA "copiarem" os haitianos

Rodrigo Bertolotto
Do UOL Notícias
Em Miami (EUA)
Na vitrine da loja de produtos de vodu, placa oficial da campanha de Barack Obama tem a inscrição em créole "nou bezwen chanjman"(em português, nós queremos mudança). Nas camisetas, a imagem do democrata eleito presidente dos EUA aparece com a frase "mwen vote pou Obama" (nós votamos em Obama).

O bairro de Little Haiti, no centro de Miami (Flórida), fez festa durante toda a madrugada de quarta-feira para celebrar a ascensão do primeiro presidente negro dos EUA, costume que é a norma na ilha caribenha de onde veio a maioria da população local.

Haitianos dos EUA festejam Obama
O Haiti foi a primeira nação negra a se tornar independente na América. E isso aconteceu em 1804. Ou seja, teve um líder de origem africana mais de dois séculos antes que os EUA. "Como negra, estou completamente entusiasmada com Obama. Ele vai ser muito bom para o povo norte-americano e a comunidade haitiana", festejou Louise Hypolitte, com um broche do candidato eleito no peito - o voto dela foi facilitado porque na região as cédulas de votação eram trilíngües, em inglês, espanhol e créole.

Mais de 600 mil haitianos vivem nos EUA, com a grande maioria se concentrando na Flórida, onde chegam desde a década de 70 usando o mesmo método dos cubanos: botes e balsas clandestinas.

Eles se instalaram na região de Lemon City e a batizaram de La Petite Haiti (A Pequena Haiti), com uma população atual de 40 mil pessoas. Os haitianos espalhados por todo o sul do Estado encontram por lá os restaurantes tradicionais, o mercado de produtos típicos, além das igrejas protestantes e católicas com cerimônias em créole e francês e também as lojas de vodu (conhecidas como botanica). A vizinhança é muito colorida e tem em seus muros pinturas estilo naive, tão característico de Porto Príncipe.

A atividade em que os haitianos são mais visíveis é dirigindo os taxis amarelos de Miami. Eles dominam quase 90% dos profissionais dos volantes. Um deles é Felix Frantz. Ele virou a noite festejando a vitória anunciada as 23h pelos relógios da Flórida. "Que felicidade. Foi muita batucada, muita cerveja. Tínhamos que comemorar. Achamos que os americanos não iam apoiar um negro. Mas aconteceu", opina esse imigrante que há dez anos está nos Estados Unidos.

As TVs locais percorreram os bairros negros durante a noite para reportar como foi a festa, afinal, o apóio foi maciço ao candidato democrata, com mais de 90% dos votos. As imagens mostravam gente dançando com placas de Obama e um desfile de carros com as pessoas pulando e buzinando. No bairro de Liberty City, as pessoas comemoravam até de manhã, com garrafas em punho.

Os haitianos que votaram (cinco anos de residência no país dá esse direito) esperam que a política de deportação de conterrâneos levada até agora seja afrouxada. "Se Obama quer colocar os EUA marchando, tem que legalizar os clandestinos, para arrecadar impostos e permitir que eles trabalhem", sentencia Jacques Douce, comerciante que está há 20 anos no país.
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