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18/04/2008 - 15h40
Temendo fraude, Justiça Eleitoral intensifica fiscalização no Paraguai

Carolina Juliano
Enviada especial do UOL
Em Assunção

O medo de que a eleição presidencial do Paraguai não decorra de forma lícita ainda paira sobre a capital Assunção a menos de 48 horas do início da votação. Na manhã desta sexta-feira, a chefe da missão de observadores internacionais enviados ao país pela OEA (Organização de Estados Americanos), Maria Emma Mejía, se reuniu com o presidente Nicanor Duarte Frutos, para garantir a fiscalização do pleito deste domingo.

Ao sair da reunião, a diplomata colombiana disse que garantiu ao presidente que não existem no país os "agitadores estrangeiros" que ele disse que haviam chegado para atrapalhar o processo eleitoral.

PRINCIPAIS CANDIDATOS
Reuters
Ex-bispo, o candidato Fernando Lugo é tido como o 'pai dos pobres' no Paraguai e lidera as pesquisas de intenção de voto
Reuters
Candidato Lino Oviedo é ex-general e se apresenta ao eleitorado como 'perseguido político' e 'homem de mão forte'
Reuters
Blanca Ovelar já foi ministra da Educação em duas ocasiões e representa a continuidade do atual cenário político paraguaio
PERFIL DE FERNANDO LUGO
PERFIL DE LINO OVIEDO
PERFIL DE BLANCA OVELAR
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ÁLBUM DE FOTOS
Duarte e outras autoridades do governo paraguaio têm denunciado a suposta presença de agitadores e a polícia chegou a prender na noite de quarta-feira nove colombianos, que depois se revelaram torcedores do time Nacional de Medellín, que jogou em Assunção esta semana.

Na mesma operação foram presos um francês e uma argentina, todos liberados horas depois. "Garanto a vocês que não há colombianos, equatorianos, venezoelanos ou uruguaios que queiram atentar ou perturbar estas eleições ou a democracia no Paraguai", disse Mejía em uma coletiva de imprensa.

Maria Emma atribuiu o temor do governo paraguaio desses supostos agitadores à "tensão eleitoral enorme" no país que vive "uma eleição atípica". "Podemos ver e sentir nas ruas que as pessoas querem muito participar", disse ela.

Ameaça de bomba
Antes da reunião com o presidente paraguaio, a diplomata e o grupo de observadores da OEA foram surpreendidos pela evacuação do hotel "La Misión", onde estão hospedados, depois de uma ameaça de bomba. Perto das 8h30, uma chamada anônima denunciou a possível existência de explosivos. Autoridades do hotel informaram imediatamente a Polícia Nacional e agentes especializados constataram que se tratava de um falso alarme.

VELHOS, JOVENS E CRIANÇAS NO ÚLTIMO COMÍCIO DE LUGO
EFE
Uma multidão heterogênea tomou na noite de ontem a Praça 14 de Maio, no centro da capital paraguaia Assunção para o encerramento da campanha do ex-bispo católico Fernando Lugo, candidato da Aliança Patriótica para a Mudança à presidência do Paraguai nas eleições que ocorrem no próximo domingo.

Desde as 17h, gente de todas as partes do país e caravanas vindas do exterior chegavam aos montes à praça que abriga a sede do poder paraguaio. Empunhavam bandeiras, faixas e panfletos. Mas, mais do que os apetrechos para a festa final, os paraguaios seguidores do candidato missionário levavam para o comício a esperança de mudança.
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O fato colaborou para que o clima hostil que paira sobre Assunção ficasse ainda pior. Os observadores da OEA tiveram reuniões com todos os candidatos às presidenciais de domingo durante a manhã e passaram a transitar pela cidade escoltados por forte esquema da Polícia Nacional.

Em frente ao Hotel Crowne Plaza, no centro da cidade, onde está baseada a campanha de Blanca Ovelar, do Partido Colorado, o trânsito da rua Cerro Cora chegou a ser reduzido enquanto os observadores estiveram reunidos com a candidata. Blanca falou aos jornalistas pouco antes da reunião e conclamou emissoras de rádio e canais de televisão a participarem da apuração dos votos para "dar transparência às eleições".

Do outro lado da cidade, no comitê de Fernando Lugo, o mesmo aparato policial denunciava a presença dos agentes da OEA no prédio da Avenida República Argentina, onde funciona o comitê central da Aliança Patriótica para a Mudança. Por mais de uma hora, o líder das pesquisas eleitorais conversou com os observadores para pedir uma fiscalização intensa no domingo.

Tribunal Eleitoral promete punições
Também na manhã de hoje, o Ministro do Tribunal Superior de Justiça Eleitoral, Juan Manuel Morales, disse em conferência de imprensa que haverá punições para o candidato que se autoproclamar vitorioso das eleições antes da divulgação dos resultados oficiais

Morales disse ainda que se pesquisas de boca-de-urna distorcerem a verdade também sofrerão punições os responsáveis e também ele mencionou que tanto cuidado - que em nenhuma outra eleição foi observado - se deve ao fato de o país viver "eleições atípicas".