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18/04/2008 - 08h02
Paraguai deve usar mais da energia de Itaipu, defende embaixador

Claudia Andrade
Em Brasília

O embaixador do Paraguai no Brasil, Luis González Arias, defende que seu país encontre formas de utilizar mais da energia elétrica a que tem direito, e que atualmente, por não ser totalmente consumida, é vendida ao Brasil.

"Na questão de Itaipu, eu creio que o melhor é o Paraguai utilizar melhor a energia. Porque se for reformar o tratado, vai precisar da vontade dos dois países, vai precisar passar pelos dois congressos e ainda discutir preços. Seria mais fácil utilizar melhor esta energia barata e fazer uma aliança estratégica com países para sua utilização", afirmou, em entrevista ao UOL.

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EFE
Uma multidão heterogênea tomou na noite de ontem a Praça 14 de Maio, no centro da capital paraguaia Assunção para o encerramento da campanha do ex-bispo católico Fernando Lugo, candidato da Aliança Patriótica para a Mudança à presidência do Paraguai nas eleições que ocorrem no próximo domingo.

Desde as 17h, gente de todas as partes do país e caravanas vindas do exterior chegavam aos montes à praça que abriga a sede do poder paraguaio. Empunhavam bandeiras, faixas e panfletos. Mas, mais do que os apetrechos para a festa final, os paraguaios seguidores do candidato missionário levavam para o comício a esperança de mudança.
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Para expandir o uso da energia elétrica da usina binacional, Arias ressaltou a importância de uma nova linha de transmissão, além da modernização da já existente. "Está em licitação o estudo de custo de uma linha de 550 quilovolts e o melhoramento em linhas de 220 quilovolts", disse.

Ultrapassado o obstáculo da transmissão, o embaixador afirma que a energia elétrica de Itaipu pode contribuir para o desenvolvimento da indústria do Paraguai. "Haverá o custo da infra-estrutura necessária para utilizar essa energia, então também é preciso ter segurança de que o produto da indústria será colocado no mercado depois".

Em discursos e debates, os candidatos a presidente dizem que querem rever o preço que o Brasil paga pela energia que compra do Paraguai. Mesmo defendendo outra estratégia, o embaixador justifica a reivindicação. "O rio Paraná é uma fonte importante de energia para nós, que não temos gás e petróleo, por isso a demanda por uma melhora de preço. Mas a questão de Itaipu vai ser encaminhada com tranqüilidade. O Paraguai sempre negociou e pode conseguir a melhora no ganho pela negociação, que é sempre o melhor caminho."

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Apesar de o tema da energia elétrica estar sob os holofotes às vésperas da eleição presidencial, marcada para domingo, Arias acha que há outros assuntos urgentes a serem discutidos.

"Itaipu é apenas uma das questões. Temos várias outras. Nós somos um país sem saída para o mar e precisamos de livre trânsito de mercadorias. Temos um acordo com o Brasil para usar os portos de Santos, Rio Grande do Sul e Paranaguá. Mas ainda encontramos travas. A Receita Federal pára o trânsito neste momento, impedindo o escoamento da produção. É um problema de greve interno, mas é preciso achar uma alternativa porque o fluxo de comércio tem que continuar".

O embaixador também falou sobre o Regime Tributário Unificado (RTU), que pretende simplificar a cobrança de impostos e contribuições federais e assim, estimular a regularização dos comerciantes que importam mercadorias do Paraguai, por via terrestre. O sistema unificado de tributação já funcionou por meio de medida provisória, que foi revogada. O projeto de lei já passou pela Câmara e agora tramita no Senado.

"É uma boa medida, mas não é o modelo mais conveniente para o Paraguai. É uma medida transitória, que vai acabar em um momento. Por outro lado nós temos a dependência deste comércio na região e a medida deve regulamentar os pequenos compradores e aumentar as possibilidades de investimento", avaliou.

Além da questão de tributos, Arias também destacou a parte da fiscalização. "Precisamos melhorar a cabeceira da Ponte da Amizade. Há um processo de intercomunicação entre Paraguai e Brasil, para que as informações sobre o comércio sejam colocadas em um computador e sigam direto para a alfândega. Os produtos terão códigos de barras com as informações. Este processo de informatização começou há dois anos, através do trabalho de uma comissão com técnicos brasileiros e também do lado do Paraguai".