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18/04/2008 - 08h03
Paraguai vê fosso entre 'ricos' e 'pobres' como entrave ao Mercosul

Claudia Andrade
Em Brasília

A diferença entre os países ricos e pobres que compõem o Mercosul impede o avanço de todo o bloco. A opinião é do embaixador do Paraguai no Brasil, Luis González Arias. Para ele, é preciso sanar esta deficiência para que se possa avançar no comércio com o restante do mundo.

"O que precisa é resolver a questão da assimetria entre os países do Mercosul. Este é o desafio para viabilizar mais tarde o mercado com os outros países", diz.

Arte UOL
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Arias afirma que o Paraguai precisa da ajuda do Brasil e da Argentina para melhorar sua infra-estrutura e também defende alianças no setor industrial.

"O grande problema (do Mercosul) é a diferença no grau de industrialização e desenvolvimento dos países menores. Os europeus resolveram isso com fundos para países menores e podemos conseguir aqui também, com investimentos na industrialização e livre circulação de mercadorias."

O bloco econômico já tem um fundo, o Focem (Fundo de Convergência Estrutural do Mercosul), que prevê a contribuição das maiores economias do bloco para as menores. O Brasil fica responsável por 70% da contribuição. Para o Paraguai ficam destinados 48% dos recursos, que devem chegar a US$ 100 milhões ao ano. A implantação do fundo, aprovado pelo congresso brasileiro em 2006, está sendo feita por etapas. As diferenças entre os países persistem.

Arias defende governo de coalizão
Seja para brigar pelo fim da diferença no Mercosul ou por qualquer outra reivindicação, o vencedor da disputa presidencial no Paraguai, marcada para este domingo, terá de articular uma aliança entre partidos, na opinião de González Arias. "Qualquer um tem que ter um governo de coalizão, porque ninguém vai ter maioria no congresso".

Para ele, a aliança será indispensável para viabilizar projetos importantes para o país.

"Será preciso para atender as necessidades vitais do Paraguai, como reduzir a pobreza extrema, por exemplo. A macroeconomia vai bem, a microeconomia é que ainda precisa crescer, para transferir educação, saúde e habitação para o povo."

Perguntado sobre quais mudanças o Brasil poderia esperar após as eleições, Arias foi enfático.

"Mudança só no sentido de melhorar a relação com o Brasil. Agora mudança no sentido de problemas que possam surgir, não."