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O Papa no Brasil

Eleição de Bento 16 foi a segunda mais
breve da história recente da Igreja

Eugênio Augusto Brito
Em São Paulo

No dia 19 de abril de 2005, ao menos 84 de 115 cardeais eleitores escolheram o alemão Joseph Ratzinger como sucessor do papa João Paulo 2º, morto 17 dias antes. A escolha foi a segunda mais rápida da história recente da Igreja Católica. O conclave que elegeu Ratzinger teve apenas quatro votações, mesmo número necessário para a escolha de João Paulo 1º, em 1978. Desde o início do século 20, apenas a eleição de Pio 12, em 1939, foi mais rápida: demandou os mesmos dois dias, mas ocorreu após três votações.

CANDIDATOS BRASILEIROS
Ayrton Vignola/Folha Imagem
O conclave que elegeu o então cardeal Joseph Ratzinger como novo papa também contou com nomes latino-americanos entre os cotados para o posto máximo da Igreja. Além do argentino Jorge Mario Bergoglio, que teria obtido 26 votos em uma das quatro reuniões – segundo veículos da imprensa italiana – quatro brasileiros estavam, ao menos teoricamente, na disputa.

Os cardeais-arcebispos de Salvador, dom Geraldo Majella Agnelo (presidente da CNBB), do Rio de Janeiro, dom Eusébio Oscar Scheid, e o arcebispo emérito de Brasília, dom José Freire Falcão, tinham direito a voto e, conseqüentemente, poderiam ser escolhidos como novo papa.

No entanto, as maiores chances, segundo a imprensa, eram do cardeal-arcebispo de São Paulo, dom Cláudio Hummes (foto), que as viu desaparecer no decorrer da votação. Em entrevista concedida ao jornal Folha de S.Paulo, após a escolha de Ratzinger, dom Hummes pediu "um voto de confiança" ao novo papa. Acabou ele próprio merecendo o respeito de Bento 16, que o nomeou em 30 de outubro de 2006 prefeito da Congregação para o Clero, com a função de fiscalizar padres e paróquias ao redor do mundo.

Nascido em 16 de abril de 1927, na localidade de Marktl am Inn, o cardeal alemão tinha 78 anos quando foi eleito papa. Não era o favorito absoluto, mas sempre figurou na lista de mais prováveis nomes na linha sucessória do trono papal.

A seu favor, contavam o fato de ser apoiador direto de João Paulo 2º e a posição de decano do colégio de cardeais, figura central na transição entre papas, condição que dividiu com o italiano Angelo Sodano na fase de declínio da saúde do papa polonês.

Pesavam contra a escolha de Ratzinger sua posição pessoal, muitas vezes radical, de defensor da doutrina católica "conservadora reformadora" - contrária aos temas homossexualismo, aborto e eutanásia -, bem como a função exercida desde 1981 de chefe da Congregação para a Doutrina da Fé, o antigo Santo Ofício Inquisitório, popularmente conhecido como Inquisição.

Além disso, Ratzinger tinha idade avançada (acabaria sendo o papa mais velho escolhido em quase três séculos) e histórico de problemas de saúde (sofreu dois derrames, o primeiro em 1991 e o segundo só revelado em 2005, além de fazer uso de medicação para controle cardíaco).

Ainda assim, venceu com ampla maioria. Além dos 84 votos apontados por algumas fontes, outras informavam que Ratzinger teria obtido margem ainda maior, entre 95 e 107. Embora as estatísticas não sejam divulgadas oficialmente, alguns relatos dão conta de que Ratzinger não foi o cardeal mais votado no primeiro pleito, na tarde do dia 18 de abril.

Papa da era digital
Se boa parte do papado de João Paulo 2º transcorreu durante o período de aperfeiçoamento das tecnologias de comunicação, pode-se dizer que Joseph Ratzinger foi o primeiro sacerdote escolhido papa no contexto totalmente inserido na "era da comunicação digital", facilitada por satélites e aparatos sem fio, como computadores e celulares. Assim, informações sobre o conclave, que deveriam permanecer em sigilo irrestrito, tornaram-se públicas, dando conta de que o alemão teria sido superado no primeiro escrutínio pelo italiano Carlo Maria Martini, considerado progressista, mas que contava também com 78 anos e problemas relacionados ao mal de Parkinson, que dificultariam uma vitória definitiva.

A ESCOLHA DO NOME
Reuters
Ratzinger foi apresentado como Bento 16 às cerca de 100 mil pessoas que esperavam a notícia na praça de São Pedro, no Vaticano. O último a usar este nome havia sido o cardeal-arcebispo de Bolonha (Itália) Giacomo della Chiesa, o papa Bento 15, que governou a Igreja entre 1914 e 1932.

Bento 15 era defensor da neutralidade da Igreja Católica durante a Primeira Guerra Mundial, mas pregava a ajuda aos desabrigados e feridos do combate. O italiano tentou ainda negociar a paz entre as nações, mas o Vaticano foi preterido do conselho que estabeleceu as regras do armistício. Após a guerra, o papa iniciou uma reforma administrativa da Igreja, adaptando-a às novas demandas sociais.

A escolha de Ratzinger remete também a Bento da Norcia, o pioneiro papa Bento 1º, sumo pontífice da Igreja entre os anos de 575 e 579 e que acabou canonizado como são Bento. Patrono da Europa, são Bento é conhecido pelo estabelecimento das regras da vida monástica ocidental, válidas até os dias atuais – entre as quais a pregada pelo lema "ora e trabalha" – e pela evangelização e manutenção das culturas latina e grega no Velho Continente após as invasões bárbaras.

Segundo especialistas, esta ligação estabelecida entre o pontífice alemão e são Bento demonstra o caráter do atual papado, marcado pela firmeza de convicções e pela reflexão, mas apresentado pelo próprio Bento 16, em sua primeira aparição pública às quase 100 mil pessoas que ocupavam a praça de São Pedro no dia da escolha e a outros milhões de telespectadores do evento, como o sacerdócio de um “simples e humilde trabalhador da vinha do Senhor”.
A imprensa italiana publicou incansavelmente (e foi reproduzida pela mundial) relatos atribuídos - sigilosamente, claro - a cardeais eleitores do sucessor de João Paulo 2º. Segundo alguns destes relatos, levados a público pela revista "Limes", o cardeal argentino Jorge Mario Bergoglio teria também se aproximado bastante do trono papal. Na terceira rodada de votações, quando Ratzinger teria conseguido 72 votos, o argentino teria obtido 40. E na votação final, teria conseguido um total de 26 votos, isso após pedir a seus eleitores que votassem no alemão, informação nem sequer comentada pelo Vaticano, de acordo com o jornal Folha de S.Paulo.

Ratzinger contou que, durante o conclave, sentia como se uma guilhotina estivesse próxima de seu pescoço a cada votação. Isso o levou a pedir a Deus: "Por favor, não faça isso comigo. O Senhor tem candidatos mais jovens e cheios de energia do que eu". De todo modo, o próprio Ratzinger admitiu, ao comentar o episódio, que não "poderia ter feito outra coisa a não ser responder 'sim'" ao ser eleito.

Para alguns periódicos italianos, a última votação, ocorrida na tarde do dia 19, teria sido feita a pedido de Ratzinger, apenas para confirmar a escolha do escrutínio anterior. O relato atribuído a alguns dos cardeais eleitores apontava que o alemão possuía qualidades tão impressionantes e um desempenho tão admirável após a morte de João Paulo 2º que não houve contestação.

Com a confirmação da eleição, afirmaria à época o cardeal mexicano Javier Lozano Barragán, houve um brinde com champanhe, mas o novo papa bebeu apenas "um golinho, já que é abstêmio".

Bastidores
De acordo com o periódico italiano "Corriere della Sera", fontes do Vaticano como o cardeal holandês Adrianus Simonis contaram, em tom de brincadeira, que no momento em que os cardeais quiseram enviar ao mundo a tradicional "fumata", indicativo do término da eleição do novo papa, houve uma confusão com os produtos utilizados na chaminé para determinar a cor branca da fumaça. O cardeal brasileiro, dom Cláudio Hummes, foi outro a confirmar o ocorrido.

Assim, às 17h50 (12h50 em Brasília) do dia 19 de abril de 2005, a chaminé da capela Sistina, no Vaticano, emitiu uma fumaça de cor mista, entre cinza e branco, informando da definição do substituto de João Paulo 2º, morto 17 dias antes. Pouco depois, o ressoar dos seis sinos da basílica de São Pedro - novidade introduzida para esta eleição - foi utilizado para marcar o momento do "Habemus papam", pronunciado pelo cardeal chileno Jorge Arturo Medina Estévez.

Joseph Ratzinger foi apresentado aos fiéis que aguardavam na praça de São Pedro, aos líderes mundiais presentes, bem como a outros milhões de pessoas que acompanhavam a escolha pela televisão, como Bento 16, o primeiro papa alemão em cerca de 500 anos (desde o papado de Adriano 6º, entre 1522 e 1523), o 265º papa, considerando tal atribuição como tendo sido iniciada por São Pedro, o sumo pontífice da Igreja e dos cerca de 1 bilhão de fiéis em todo o mundo.

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A visita do representante de Jesus Cristo ao nosso país não poderia ter vindo em melhor hora. Felizmente ele trouxe para nós brasileiros cinco dias de inúmeras bênçãos, das quais estamos muito necessitados. Já fazia algum tempo que nos noticiários não se escutavam mais notícias boas, somente morte e violência...Nós brasileiros temos que a cada dia mais termos orgulho de ter nascido nessa pátria tão querida, ainda mais agora que com essa tão ilustre visita que nos agraciou com um santo originalmente brasileiro....Que Santo Antonio de Sant'Anna Galvão rogue por nós!!!!Marco Antonio Vieira - Ponta Porã/MS

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