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O Papa no Brasil

Brasil é destaque entre países católicos

Larissa Guimarães
Em São Paulo

O catolicismo no Brasil impressiona pelos números e pela fé. O país é a maior nação católica do mundo e abriga metade dos fiéis da América Latina. Traduzindo em números, são cerca de 145,4 milhões de brasileiros que se declaram fiéis à Igreja comandada pelo papa Bento 16, de acordo com dados de 2005 da CNBB. Isso corresponde a 78,95% da população.

CATOLICISMO NO BRASIL
1) São Paulo5.935.807
2) São Sebastião do Rio de Janeiro3.556.095
3) Olinda e Recife3.371.975
4) Belo Horizonte3.162.539
5) Campo Limpo2.600.000
6) São Salvador da Bahia2.495.439
7) Porto Alegre2.475.398
8) Fortaleza2.406.000
9) São Miguel Paulista2.198.284
10) Santo André2.102.100
Maiores dioceses do paísNumero de fiéis
Fonte: CNBB

Apesar do título de maior nação católica em números absolutos, o Brasil está longe de ser o país com a maior concentração de fiéis em termos relativos. Na América Latina, a Argentina desponta como o país mais "fervoroso", onde 92% da população se declara católica. O Brasil aparece como 26° no ranking de 43 países.

E os brasileiros já foram mais católicos. Utilizando-se dados do censo do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), em 1900, 99% dos brasileiros declaravam-se católicos. O percentual de fiéis passou para 89% em 1980 - uma queda de 10 pontos percentuais em 80 anos. "É claro que os dados de um censo feito em 1900 são questionáveis. Mas, comparando esses números com os do censo de 1980, percebemos um leve declínio do catolicismo no Brasil em 80 anos. A queda média foi de apenas um ponto percentual por década", explica o cientista político e professor da PUC-Rio César Romero Jacob, um dos autores das obras "Atlas da Filiação Religiosa e Índices Sociais do Brasil" (2003) e "Religião e Sociedade em capitais" (2006).

A queda mais acentuada no rebanho católico se passou entre 1980 e o ano de 2000. Os fiéis caíram de 89% para 74% da população - uma perda de 15 pontos percentuais em 15 anos, de acordo com o IBGE. "Uma queda suave no número de católicos era inevitável, já que o século 20 foi marcado pela comunicação. Mas, entre 1980 e 2000, a perda de fiéis da Igreja foi grande, mesmo com as três visitas de João Paulo 2º no período", opina Jacob.

Onde perdeu?
Nos últimos 25 anos, a Igreja católica perdeu fiéis principalmente para as igrejas pentecostais, que hoje representam a segunda maior religião no país. As pentecostais de maior expressão são a Assembléia de Deus, a Congregação Cristã no Brasil e a Igreja Universal do Reino de Deus. Os brasileiros filiados a essa religião saltaram de 3% (1980) para 11% (2000) da população.

Um dado em especial preocupa a Igreja. Cresce no país o número de brasileiros que se declaram "sem religião". Eles não são ateus, mas pessoas que não têm filiação religiosa. Esse grupo não migrou do catolicismo para as igrejas pentecostais ou evangélicas. Resolveu ficar à parte da vida religiosa da comunidade ou do bairro. No último censo do IBGE, 12 milhões de brasileiros se declararam "sem religião", o que corresponde a 7,4% da população do país. No censo de 1980, esse grupo representava apenas 1,6% dos brasileiros.

"Esses fenômenos [a migração para as pentecostais e os "sem religião"] ocorreram principalmente nos cinturões de miséria que se criaram em torno das grandes capitais. Grande parte desses brasileiros migraram das regiões Centro-Oeste e Norte para outros estados e também deixaram sua religião de origem", explica César Romero Jacob.

Dentro do catolicismo brasileiro, há alas que criticam a Igreja por não estar tão presente nas periferias das grandes cidades, embora ela declare ter os pobres como sua prioridade. Para alguns religiosos, o catolicismo perdeu parte do seu rebanho no momento em que enfraqueceu tendências como a da Teologia da Libertação, que dá ênfase ao social. O movimento foi forte durante as décadas de 60 e 70 e se espalhou pelo país, mas foi enfraquecido desde que o Vaticano rejeitou partes de seus ensinamentos.

Grupos e comunicação
A Igreja vem atuando para reconquistar seu rebanho, e a visita do papa é um símbolo dessa busca. No próximo dia 11 de maio, Bento 16 vai canonizar Frei Galvão, o primeiro santo nascido no Brasil, conforme foi anunciado em fevereiro. Mais um forte sinal de que a Igreja quer aumentar a chama do catolicismo no país.

"Decerto, a visita do papa Bento 16 vai ajudar no resgate de fiéis, mas não será algo automático. É uma visita muito simbólica e pode contribuir para uma maior devoção no país", avalia o teólogo Fernando Altemeyer. Para ele, a Igreja precisa investir em mais comunicação para reconquistar fiéis. "O investimento em programas de rádio é muito importante. A comunicação é chave neste processo de resgate."

Paralelamente, grupos católicos também têm atraído novos fiéis. O grupo de maior expressão hoje é a Renovação Carismática Católica - os chamados "carismáticos". O movimento traz novas abordagens de evangelização e se preocupa em renovar as práticas tradicionais da Igreja. Seu maior ícone, o padre Marcelo Rossi, é um dos campeões em vendas de CD no país. As missas do padre, com músicas e danças, continuam a atrair multidões em São Paulo.

Vocações em crise

A Igreja também enfrenta no país a chamada "crise das vocações", como ocorre em quase todos os países de presença católica. O número de homens e mulheres que escolhem a vida religiosa tem caído ao longo dos anos, de acordo com Fernando Altemeyer. A Igreja católica tem hoje um "déficit" de 200 mil padres, e o catolicismo brasileiro conta com apenas 18,6 mil sacerdotes.

Apesar de o número de padres cair, a Igreja registra aumento da quantidade de diáconos - ministros religiosos que podem se casar e realizar algumas celebrações, como batismos e casamentos. Hoje, cerca de 1,8 mil assumiram a vida religiosa. Há dois anos, a Igreja registrava 1.400 diáconos.

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A visita do representante de Jesus Cristo ao nosso país não poderia ter vindo em melhor hora. Felizmente ele trouxe para nós brasileiros cinco dias de inúmeras bênçãos, das quais estamos muito necessitados. Já fazia algum tempo que nos noticiários não se escutavam mais notícias boas, somente morte e violência...Nós brasileiros temos que a cada dia mais termos orgulho de ter nascido nessa pátria tão querida, ainda mais agora que com essa tão ilustre visita que nos agraciou com um santo originalmente brasileiro....Que Santo Antonio de Sant'Anna Galvão rogue por nós!!!!Marco Antonio Vieira - Ponta Porã/MS

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