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 Internacional

20/09/2006 - 21h18
Lula intervém na campanha e troca Berzoini por Garcia

Por Ricardo Amaral

BRASÍLIA (Reuters) - O presidente do PT, deputado Ricardo Berzoini, deixou a coordenação da campanha do presidente-candidato Luiz Inácio Lula da Silva nesta quarta-feira. Ele será substituído por Marco Aurélio Garcia, assessor especial de Lula e coordenador do programa de governo da reeleição.

A indicação de Garcia foi interpretada, na direção do PT, como solução natural, por ser o segundo homem na campanha e também como uma intervenção direta do presidente Lula em seu comitê. O professor Marco Aurélio, como é conhecido entre os petistas, é um sobrevivente do primeiro círculo de colaboradores diretos de Lula desde a fundação do partido.

No governo, Garcia atua como um dos principais negociadores de Lula em conflitos com outros países, como na recente polêmica nacionalização do setor petrolífero da Bolívia, que criou problemas para a Petrobras.

Berzoini caiu cinco dias depois que um "analista" da campanha foi preso com 1,7 milhão de reais, para comprar um dossiê que ligaria tucanos à máfia dos sanguessugas.

A queda do coordenador era esperada no comando da campanha desde que ficaram evidentes suas relações com Osvaldo Bargas e Jorge Lorenzetti, que ofereceram o dossiê ilegal à revista Época. A substituição foi um movimento para tentar isolar o presidente Lula de mais um escândalo envolvendo petistas.

O ex-coordenador foi chamado por Lula ao Palácio do Planalto no início da noite para entregar o cargo. Ele permanece na presidência do PT, para a qual foi eleito diretamente pelos filiados em outubro do ano passado.

"Embora eu não tenha nenhum envolvimento nessa história (o chamado "dossiê Serra"), estou sofrendo uma pressão tão grande que achei melhor para a campanha a minha saída", disse Berzoini a um amigo, logo depois da demissão.

Internamente, Berzoini estava sob fogo aberto do ministro das Relações Institucionais, Tarso Genro, desde o início da crise.

"Enquanto candidato, o presidente Lula quer uma apuração rigorosa, envolva quem envolver", disse Tarso Genro no fim da tarde, depois de se reunir com Lula e outros ministros. "Não interessa se é o presidente do PT, se está ou não participando da coordenação." Logo após as declarações de Tarso, fontes do PT vazaram a queda de Berzoini, apontando como substituto o prefeito petista de Belo Horizonte, Fernando Pimentel. O prefeito disse a jornalistas que não foi sondado e que não poderia se afastar do cargo porque seu vice, Ronaldo Vasconcelos (PL), é candidato ao Senado.

Berzoini foi chamado ao Planalto para tratar do afastamento logo depois de dizer, em entrevista a correspondentes estrangeiros, que a coordenação é um cargo político que pertence ao presidente, mas ressalvando que havia colocado o cargo à disposição de Lula, pela manhã, e que o presidente respondera que "o assunto não está em discussão".

Em nota de apenas sete linhas, divulgada quando a substituição já era conhecida dos jornalistas, a campanha da reeleição registrou que o trabalho de Berzoini foi considerado por Lula "de fundamental importância para a consolidação da liderança de sua candidatura."

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