UOL Notícias Internacional
 

30/12/2006 - 01h21

Saddam Hussein é enforcado no Iraque

Da Redação
Em São Paulo
CENAS DA VIDA DE SADDAM
Reuters
Em foto não-datada de sua juventude
Reuters
Ao lado de sua primeira mulher, Sajida
Reuters
Cumprimentando Donald Rumsfeld, ex-secretário de Defesa dos EUA, em 1983
Reuters
No palácio presidencial, em Bagdá, em 98
AFP
Pouco depois de ser capturado, em 2003
AFP
Pouco antes de ser enforcado
MAIS DA VIDA DO EX-DITADOR
INFOGRÁFICO ANO A ANO DE SADDAM
UOL NEWS: 'NADA MUDARÁ NO IRAQUE'
O ex-ditador iraquiano Saddam Hussein, 69, foi enforcado no início deste sábado em Bagdá. Ele havia sido condenado à morte pelo assassinato de 148 xiitas em 1982, quando governava o país com mão-de-ferro.

A televisão estatal iraquiana levou ao ar imagens de Saddam Hussein, aparentando estar calmo, trocando uma ou outra palavra com o homem mascarado que ajeitava a corda em volta de seu pescoço e o encaminhava para o cadafalso.

"Foi muito rápido. Ele morreu imediatamente", disse à agência "Reuters" uma das testemunhas oficiais da execução levadas pelo Estado ao local da forca. Segundo ela, o ex-presidente iraquiano, que estava constrangido mas não usou o capuz, fez uma breve oração antes de morrer.

"Nós ouvimos seu pescoço quebrar", disse Sami al-Askari, um aliado do primeiro ministro Muri al-Maliki, depois do enforcamento em um edifício do Ministério da Justiça na parte norte de Bagdá.

Já o conselheiro da Segurança Nacional do Iraque, Mouwafak al-Rubai, também presente à execução, afirmou que ele "pareceu firme e não teve medo da morte".

"Não tentou resistir e não pediu nada. Tinha em suas mãos um exemplar do Alcorão, que desejou enviar a uma pessoa. Alguém tomou o nome do destinatário do Alcorão e prometeu cumprir o pedido", afirmou.

"Saddam tinha as duas mãos atadas quando foi enforcado", acrescentou. "Num momento, girou a cabeça para mim como para me dizer: 'Não tenha medo'. Foi uma sensação muito estranha", acrescentou.

Segundo o conselheiro, durante a execução estiveram presentes um juiz do Tribunal de Apelação iraquiano, um representante da Promotoria, outro do Governo e "um grupo de testemunhas". "Não havia nenhum americano", garantiu.

O corpo de Saddam será entregue à sua família. "Seus parentes poderão receber" o corpo, disse Rubai, sem especificar uma data. Raghad Saddam, a filha mais velha do ex-ditador, pediu que seu pai seja enterrado na capital do Iêmen, Sana. Ela vive na Jordânia desde a queda do regime de seu pai, em abril de 2003.

Momentos depois da execução, as autoridades iraquianas impuseram o toque de recolher em Tikrit, cidade natal de Saddam, e em várias localidades próximas, Segundo fontes policiais iraquianos, o toque de recolher em Tikrit durará quatro dias. O objetivo da medida é evitar possíveis distúrbios ou atentados de represália.

A Polícia e o Exército iraquiano estabeleceram postos de controle nas estradas que levam à cidade, cerca de 170 quilômetros ao norte de Bagdá, acrescentaram as fontes.

Trajetória
A execução de Saddam foi precedida por muitas especulações, iniciadas na terça-feira, quando uma corte iraquiana de apelações confirmou a sentença de morte e decidiu que ela deveria ser cumprida em um prazo máximo de 30 dias.

Saddam Hussein morreu após uma trajetória política que inclui atividades revolucionárias, três temporadas na prisão, duas derrotas militares para os Estados Unidos e uma guerra de oito anos contra o vizinho Irã, além de acusações de assassinatos e violação de direitos humanos cometidos nos 24 anos nos quais governou o país.

Aliado do Ocidente e da então União Soviética durante a guerra Irã-Iraque nos anos 1980, ele acabou transformado em vilão nos governos republicanos de George Bush e de George W. Bush nas décadas seguintes - e seu regime acabaria sendo derrubado em 2003 pela coalizão militar liderada pelos EUA.

O ex-ditador iraquiano foi condenado à forca em 5 de novembro de 2006 sob a acusação de ter ordenado a execução de 148 iraquianos xiitas em Dujail, em 1982, depois de ter sido alvo de um atentado fracassado. O júri foi marcado pelo assassinato de três advogados de defesa, pela troca do juiz-chefe, pelo comportamento rebelde do réu e por sucessivos adiamentos e interrupções.

Organizações de defesa dos direitos humanos, como a Anistia Internacional, condenaram o julgamento, afirmando que ele teve erros, por ter sido realizado em um país dominado por conflitos sectários.

REAÇÕES POPULARES À MORTE
AFP
Socialista protesta em Srinagar (Índia)
Crédito
Em Sadr City, subúrbio pobre de Bagdá, xiitas "enforcam" boneco durante festejo
Crédito
Em Sydney (Austrália), iraquianos festejam
Crédito
Em cidade do estado de Michigan, iraquianos radicados nos EUA comemoram
A REAÇÃO À MORTE DO DITADOR
BUSH: JULGAMENTO FOI JUSTO
REALIDADE OFUSCA A MORTE
Saddam também foi julgado por genocídio contra curdos iraquianos, cometido em 1980, com mais seis outros réus. Esse julgamento deve continuar mesmo após a morte do ex-presidente.

Histórico

Saddam Hussein nasceu em 28 de abril de 1937 na aldeia de Al-Awja, perto da cidade pobre e violenta de Tikrit, a 150 quilômetros ao norte de Bagdá. Ingressou em 1956 no Partido Socialista Ba'ah, árabe, e dois anos depois foi preso por conta de suas atividades revolucionárias. Em 1959, fugiu para o Egito após uma tentativa frustrada de assassinar Abdul Karim Qasim, premiê iraquiano à época.

Ausente do país, foi condenado à morte, mas acabou sendo perdoado e voltando a Bagdá após a revolução liderada pelo partido Ba'ath em 1963; no ano seguinte, voltou à prisão, que só deixaria três anos depois.

Conhecido por admirar o ex-ditador soviético Josef Stalin, Saddam nunca foi um ideólogo, mas apelou muitas vezes ao nacionalismo árabe, ao Islã e ao patriotismo iraquiano para cimentar sua liderança.

Em 1968, ele tomou parte em golpe de estado. O presidente Al-Bakr, que era seu parente, indicou-o como vice. Em 1979, assumiu a Presidência do Iraque e fez novos expurgos no partido.

Em 1980, contando com apoio do Ocidente e da ex-URSS, declarou guerra ao vizinho Irã. Os combates duraram até 1988, tiveram um alto custo financeiro para o Iraque e provocaram cerca de um milhão de mortes.

Em 1990, invadiu o Kuwait, proclamando a '19ª província' iraquiana. Mas, sete meses depois, foi derrotado na Guerra do Golfo pela coalizão liderada pelo então presidente dos EUA George Bush.

Durante os anos 1990, a ONU exigiu a eliminação das supostas armas de destruição de massa, que o Iraque sempre negou ter. A população do país foi castigada pelas duras sanções econômicas impostas pelas Nações Unidas. Em 1998, EUA e Reino Unido bombardearam o Iraque, tentando forçar o regime de Saddam a colaborar com as inspeções da ONU.

Em 2001, como uma resposta aos ataques terroristas do 11 de setembro, o presidente dos EUA, George W. Bush, incluiu o Iraque no chamado "eixo do mal", o que abria caminho para a nova campanha militar norte-americana contra o país. Dois anos depois, uma coalizão liderada pelos EUA invadiu o país.

O ataque norte-americano tinha o objetivo de matar Saddam, mas ele conseguiu desaparecer depois que as forças da coalizão invadiram Bagdá, em 9 de abril. Escondido, continuou tentando motivar as tropas, que se mostraram mais frágeis do que se imaginava e não resistiram ao poderio militar dos EUA - nem tampouco usaram as supostas armas químicas que motivaram o ataque.

Saddam foi forçado a esconder-se, até ser encontrado pelas tropas dos EUA em um esconderijo próximo a Tikrit, sua região natal. Em 2005, o ex-ditador foi levado a julgamento por conta do massacre dos xiitas. Em 5 de novembro de 2006, após um julgamento conturbado, um tribunal iraquiano condenou Saddam à morte por crimes contra a humanidade.

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