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07/05/2008 - 15h35

Ciclone pode ter matado mais de 100 mil em Mianmar, diz diplomata

Das agências internacionais
A representante dos Estados Unidos em Mianmar declarou nesta quarta-feira (7) que o ciclone Nargis, que devastou o sul do país asiático no último fim de semana, pode ter matado mais de 100 mil pessoas.

"Pode haver mais de 100 mil mortos na área do delta do rio Irrawaddy", disse Shari Villarosa, citando uma ONG cujo nome não revelou. A diplomata acrescentou ainda que, segundo uma fonte do governo de Mianmar, "95% dos edifícios desapareceram" na área do delta.

CENÁRIO DE DESTRUIÇÃO
AP/Digital Globe
Imagens de satélite mostram delta em Mianmar antes...
AP/Digital Globe
... e depois da passagem do ciclone Nargis no último fim de semana
TERREMOTO ATINGE O JAPÃO
COMO SE FORMAM OS CICLONES
Segundo os números oficiais do governo de Mianmar, o ciclone Nargis deixou 22.980 mortos, 42.119 desaparecidos e 1.383 feridos. Para a Federação Internacional da Cruz Vermelha, estes números já bastam para transformar o Nargis no ciclone mais fatal no planeta desde 1991.

De acordo com a ONG Save The Children, a maioria das vítimas são menores de idade. "Precisamos de forma urgente de ajuda para localizar as crianças e as famílias sobreviventes. Cerca de 40% das pessoas que vivem na área do delta são menores de 18 anos e tememos que 40% dos mortos e desaparecidos sejam crianças", disse Andrew Kirkwood, diretor da Save The Children em Mianmar.

Ajuda humanitária
O secretário-geral da ONU (Organização das Nações Unidas), Ban Ki-moon, pediu às autoridades de Mianmar que facilitem a chegada ao país das equipes de socorro e a entrada de remessas de emergência depois da passagem do ciclone, declarou o serviço de imprensa da organização.

"Ante a magnitude do desastre, o secretário-geral exortou o governo a responder à onda de apoio e solidaridade internacional facilitando o trabalho das organizações humanitárias, o ingresso de alimentos e da ajuda de todas as maneiras possíveis", dizia o texto da assessoria.

O alcance total dos danos ainda é impossível de calcular. As poucas ONGs presentes no país, que mencionam milhões de pessoas desabrigadas, temem que o número de mortos se agrave consideravelmente.

Enquanto isso, as vítimas do Nargis aguardam a chegada a Mianmar da ajuda internacional, que continua bloqueada pela falta de concessão de vistos por parte da junta militar que governa o país.

Os militares de Mianmar, que exercem o poder com mão-de-ferro desde 1962, aceitaram na terça-feira a ajuda humanitária, em um gesto pouco comum em um dos países mais isolados do mundo. O regime do país explicou, porém, que os voluntários estrangeiros terão que negociar com as autoridades para poder entrar no país.

Cinco dias depois da passagem do ciclone, nenhum visto novo foi outorgado, afirmou nesta quarta o porta-voz da ONU em Bangcoc, Richard Horsey. Ele disse esperar que a nomeação de um ministro em Mianmar responsável por examinar os pedidos e coordenar a ajuda internacional permita o avanço do procedimento.

Em Genebra, a Agência de Coordenação de Assuntos Humanitários da ONU anunciou que a junta autorizou o desembarque de um avião com material de ajuda humanitária.

Há ainda cerca de 22 toneladas de alimentos, além de rolos de lona e plástico para a construção de abrigos, aguardando na fronteira do país a liberação das autoridades militares, de acordo com a agência de refugiados da ONU.

22 MIL MORTES CONFIRMADAS
Reuters
Menina em meio aos destroços deixados pelo Nargis
Reuters
Várias áreas do país ainda estão
sem energia elétrica
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"Esperamos agora pela confirmação de quando os caminhões carregados de ajuda poderão cruzar a fronteira. Levará ainda algum tempo até que eles cheguem a Yangun, mas andaremos o mais rápido possível", afirmou Janet Lim, diretora do escritório do Pacífico Asiático do Alto Comissariado para Refugiados da ONU.

Tailândia, China, Índia e Indonésia também já começaram a enviar ajuda à região, e a França cogita sugerir uma resolução da ONU que imponha a ajuda ao país à força, mesmo que isso viole a soberania de Mianmar.

Analistas acreditam que o ciclone pode ter implicações duradouras sobre a junta militar de Mianmar, que é ainda mais temida e odiada pela população por causa da violenta repressão às manifestações pró-democracia lideradas por monges budistas em setembro.

Doenças
A situação, urgente, se vê agravada pelo temor da propagação de doenças, segundo as autoridades do setor de saúde. A população da região de Yangun, a maior cidade do país, e sobretudo do delta do rio Irrawaddy precisa de água potável e refúgio.

"Uma equipe viu milhares de mortos em uma cidade, com corpos em descomposição amontoados após a retirada das águas", declarou Andrew Kirkwood. "Há 41 mil pessoas desaparecidas, mas muitos acreditam que maioria está morta. Evidentemente, há milhões de pessoas sem casa, mas quantos milhões não sabemos", acrescentou.

No sudoeste do país, um repórter da agência de notícias AFP presenciou a chegada de milhares de sobreviventes à cidade de Labutta, depois de atravessarem áreas inundadas repletas de cadáveres de pessoas e animais.

Com a ajuda de monges budistas, os próprios moradores tentam limpar as ruas e as estradas, que têm árvores caídas, pedaços de telhados e cabos elétricos. Testemunhas entrevistadas pela agência em Yangun afirmaram ter visto poucos oficiais nos trabalhos de emergência.

A Liga Nacional pela Democracia (LND), o partido da opositora e prêmio Nobel da Paz Aung San Suu Kyi, lamentou na terça-feira a ausência de ajuda eficaz por parte das autoridades.

A LND também criticou a manutenção para sábado de um referendo sobre uma nova Constituição, que será adiado para 24 de maio apenas nos 47 municípios mais afetados pelo ciclone.

A Federação Internacional da Cruz Vermelha lançou um apelo urgente de ajuda para as vítimas do ciclone, com o pedido de 6,29 milhões de francos suíços (pouco mais de seis milhões de dólares) para financiar a compra de material de emergência.

O dinheiro será usado para fornecer aos desabrigados refúgios de emergência, água, mosquiteiros e outros artigos de primeira necessidade.

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