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10/06/2008 - 15h34

Saramago diz que nunca acreditou que comunismo pudesse gerar 'homem novo'

Lisboa, 10 jun (Lusa) - O escritor português José Saramago confessou que nunca acreditou totalmente que o comunismo pudesse atingir seus objetivos finais, como a "criação do homem novo", e voltou a fazer uma dura crítica à experiência soviética.

"Para um regime que se dispunha a criar um homem novo, sabemos hoje que os métodos e as propostas para esse homem novo não eram grande coisa. O atual quadro russo não tem nada a ver com aquilo que alguém - na melhor boa-fé, imagino - pensou que seria possível", afirmou José Saramago, em entrevista publicada na edição de junho da revista portuguesa "Ler".

O autor de "Ensaio sobre a Cegueira" e único lusófono ganhador do Nobel de Literatura se define como "um materialista científico" e diz que já era cético quando entrou para o Partido Comunista Português (PCP), em 16 de janeiro de 1969.

"Sou suficientemente cético para nunca acreditar. Quanto maior é a promessa, mais eu desconfio", declarou Saramago. Apesar de tudo, José Saramago, que em 2003 se autoproclamava "um comunista libertário", justifica sua filiação de quase 40 anos ao PCP afirmando que as dúvidas não podem "conduzir ninguém à paralisia".

"Entre um 100 que eu sei que não posso alcançar e um 84 que sim, talvez, então, joguemos no 84", afirmou em uma parte da entrevista em que teoriza sobre sua "procura pela objetividade" enquanto escritor.

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