UOL Notícias Internacional
 

02/07/2008 - 16h23

Governo colombiano anuncia resgate de Ingrid Betancourt e outros 14 reféns

Das agências internacionais
Em Bogotá (Colômbia)
Atualizado às 21h03

O governo da Colômbia anunciou nesta quarta-feira o resgate de Ingrid Betancourt, de três reféns americanos e de outros 11 militares seqüestrados que estavam sob o poder das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia).
  • Arte UOL

    O resgate foi realizado em zona de selva a 72 km da capital do departamento de Guaviare, no sudoeste da Colômbia


    Os ex-reféns chegaram à base militar de Catam, na zona oeste de Bogotá, capital colombiana, por volta das 19h10, horário de Brasília. Sorridente e bem disposta, Ingrid Betancourt acenou para o público. Ela deu um forte abraço em sua mãe, Yolanda Pulecio, e em seu marido, Juan Carlos LeCompte, e depois pegou na mão do ministro da Defesa, Juan Manuel Santos. "Eu acredito que é um sinal de paz para a Colômbia, que nós podemos encontrar a paz", afirmou Ingrid em sua primeira declaração pública, pouco antes de encontrar os familiares. Em depoimento posterior à imprensa, Ingrid pediu às Farc que respeitem a vida de seus guerrilheiros. "Desejamos que os rebeldes que estavam lá, nossos guardas, sigam vivos, e Deus queira que não estejam sujeitos à justiça das Farc", disse.

    Os outros reféns, que também agradeceram ao governo colombiano, estavam sorridentes e aparentavam boa saúde. Todos posaram para fotos com o ministro Santos e demais autoridades colombianas. Os três ex-reféns norte-americanos foram direto para os EUA encontrar suas famílias, informou o governo.

    De acordo com o ministro da Defesa, o resgate foi feito em zona de selva a 72 km da capital do departamento de Guaviare, em uma operação audaciosa realizada pelas Forças Armadas colombianas. Os reféns estão em boas condições de saúde, informa o ministro.

    "Seguiremos trabalhando na libertação dos demais seqüestrados. Fazemos um apelo aos atuais líderes das Farc para que não se matem, libertem os outros reféns e não sacrifiquem seus homens", disse Santos.

    A senadora e então candidata à presidência da Colômbia Ingrid Betancourt foi seqüestrada pelas Farc no dia 23 de fevereiro de 2002, junto com sua companheira de chapa Clara Rojas. A ação aconteceu perto de San Vicente del Caguán, 740 km ao sudeste de Bogotá, durante o governo de Andrés Pastrana.

    Já os três norte-americanos, Thomas Howes, Marc Gonsalves e Keith Stansell, eram trabalhadores a serviço do Departamento de Defesa dos EUA em missão antidrogas que foram seqüestrados quando o avião em que estavam caiu na Colômbia em fevereiro de 2003.

    As Farc, que chegaram a contar com 17 mil membros, hoje estão localizadas em áreas remotas da selva, com cerca de 9.000 combatentes. Só neste ano, a guerrilha já perdeu três líderes.
    • Alain Keler/Reuters

      No dia do seqüestro, Ingrid aparece com soldados colombianos

    • Reprodução/AP

      Betancourt aparece pela segunda vez em vídeo divulgado pelas Farc em agosto de 2003


    Repercussões
    A irmã de Betancourt, Astrid, disse a uma rádio colombiana que "foram longos anos de espera" pela liberdade da irmã.

    Lorenzo Delloye-Betancourt, filho de Ingrid, disse que sua soltura após seis anos de cativeiro é "a notícia mais bonita de minha vida, se for verdade". Já a filha Melanie disse que é como "emergir de um sonho ruim".

    O ministro das Relações Exteriores da Colômbia, Fernando Araújo, que passou seis anos como refém das Farc, se declarou emocionado pela libertação de quinze pessoas.

    Em diversas partes da Colômbia, centenas de pessoas saíram às ruas com bandeiras, enquanto os motoristas promoviam um buzinaço para comemorar o anúncio do resgate.

    Já na França, país que vinha fazendo grandes esforços em favor da liberdade de Ingrid, o presidente francês Nicolas Sarkozy agradeceu a seu colega colombiano Álvaro Uribe e pediu à guerrilha das Farc que pare com "seu combate absurdo".

    O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, parabenizou o presidente da Colômbia pelo resgate, disse um porta-voz da Casa Branca. Em uma conversa telefônica, ambos falaram sobre "as boas notícias". "O presidente Bush felicitou o presidente Uribe, dizendo a ele que é um 'líder forte"', afirmou Gordon Johndroe, porta-voz do Conselho de Segurança Nacional da Casa Branca. "O presidente Uribe agradeceu ao presidente Bush por seu apoio e confiança no governo da Colômbia", acrescentou.
    • Marc Gonsalves...

    • Thomas Howes...

    • ... e Keith Stansell.

      Eles eram trabalhadores a serviço da Departamento de Defesa dos EUA em missão antidrogas.

      Foram seqüestrados em fevereiro de 2003 quando o avião em que estavam caiu na Colômbia.


    O seqüestro de Betancourt
    A franco-colombiana Ingrid Betancourt foi seqüestrada em 2002 e virou símbolo dos acordos conflituosos entre as Farc e o governo colombiano. Nas eleições em que Betancourt concorria como candidata à presidência, foi eleito Álvaro Uribe, partidário da linha dura com a guerrilha.

    Já no poder, Uribe revela um plano para enviar rebeldes presos ao exterior, com apoio da França, em troca da libertação de seqüestrados políticos. A troca seria de 45 reféns, incluíndo Betancourt por 500 guerrilheiros presos.

    Em 9 de julho de 2003, a França envia um avião a Manaus, na Amazônia brasileira, para uma eventual libertação de Betancourt, numa operação secreta que fracassa.

    Em dezembro de 2004, o presidente colombiano Álvaro Uribe liberta 23 guerrilheiros para destravar o bloqueio a um acordo. No dia seguinte, as Farc pedem a libertade de 500 rebeldes.

    Um ano depois, em 13 de dezembro de 2005, França, Espanha e Suíça propõem negociar a troca de reféns por prisioneiros em uma pequena propriedade rural no sudeste da Colômbia, com observação internacional. Uribe aceita. Mas em 2 de janeiro de 2006, a guerrilha diz desconhecer a proposta européia e considera que negociar seria favorecer Uribe, que estava em campanha para reeleição.

    Uribe é reeleito para um segundo mandato. No início de 2007, Uribe diz ante a cúpula da polícia que o ano será "crucial para resgatar os seqüestrados". A França e a família de Betancourt se opõem a uma operação militar.

    Em 28 de abril, o policial John Frank Pinchao, que partilhava o cativeiro com Betancourt, consegue escapar e conta que ela permanece num acampamento na selva do sudeste da Colômbia.

    Em 6 de maio, em seu primeiro discurso após ser eleito presidente da França, Nicolas Sarkozy afirma que não esquecerá da sorte de Betancourt. No mês seguinte, Uribe começa a liberar mais de 120 guerrilheiros, entre eles o chamado "chanceler" do grupo, Rodrigo Granda, cuja liberdade foi solicitada por Sarkozy.

    Em 17 de agosto, o presidente venezuelano Hugo Chávez aceita fazer a mediação entre as Farc e Uribe. Três meses depois, porém, Álvaro Uribe suspende a mediação de Chávez junto aos rebeldes, acusando o presidente venezuelano de ingerência nos assuntos internos da Colômbia.

    No final de dezembro do ano passado, a guerrilha anunciou a intenção de entregar a Chávez a ex-deputada Consuelo González, a ex-candidata a vice-presidente Clara Rojas e o filho dela, Emmanuel, nascido em cativeiro. A decisão é um ato de "desagravo" ao afastamento do venezuelano da negociação.

    Em 10 de janeiro, as Farc libertam as duas políticas em uma região na selva do departamento de Guaviare. No começo de fevereiro, o anúncio de mais três libertações. Em 27 de fevereiro, são entregues os ex-parlamentares Luis Eladio Pérez, Orlando Beltrán, Gloria Polanco e Jorge Eduardo Gechém.

    Siga UOL Notícias

    Tempo

    No Brasil
    No exterior

    Trânsito

    Cotações

  • Dólar comercial

    11h19

    0,51
    4,052
    Outras moedas
  • Bovespa

    11h23

    -0,55
    100.642,93
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host
    Atualizado às 21h03 %>