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14/08/2008 - 10h41

No Senegal, 17 mil alunos escolhem estudar idioma português

Lisboa, 14 ago (Lusa) - Cerca de 17 mil alunos do ensino médio e secundário do Senegal estudam a língua portuguesa e 700 estudantes freqüentam o curso de português da faculdade de Letras e Ciências Humanas da Universidade Cheick Anta Diop (UCAD), na capital, Dacar.

"O Senegal é um caso único na África no que se refere ao ensino da língua portuguesa, que é aprendida nas escolas de dez das 11 regiões do país", afirmou o responsável no Senegal pelo Centro de Língua Portuguesa do Instituto Camões (CLP-IC), José Horta, à agência Lusa.

O país africano recebeu o estatuto de observador associado da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) durante a cúpula do grupo lusófono, ocorrida em 24 e 25 de julho, em Lisboa.

Segundo José Horta, existem mais alunos aprendendo português no Senegal do que na França, país com uma grande comunidade de luso-descendentes. "Desde a independência do país, em 1960, é obrigatório para os alunos a partir do 8º ano aprenderem - além do francês e do inglês, obrigatórios - uma outra língua estrangeira e, entre elas, está o português. Este fator foi significativo para a divulgação da nossa língua no Senegal", disse.

José Horta disse que, conforme a região, o português é a segunda ou terceira língua estrangeira opcional mais ensinada no Senegal. O espanhol ainda é a língua de preferência dos estudantes.

Na região sul da nação africana, o português ultrapassa o espanhol na preferência dos alunos, abrigando cerca da metade dos professores da língua de Camões do país.

"Isso explica-se pelo fato de a região de Casamança - que pertenceu a Portugal até o século 19 - ficar próxima da fronteira com a Guiné-Bissau, e muitas famílias estão divididas entre os dois países", comentou.

"Fala-se também o crioulo guineense nessa região do Senegal, que também é cristã, o que facilita a aprendizagem e a escolha do português pelos alunos", argumentou o responsável pelo CLP-IC. No entanto, os alunos das regiões do norte do país, mais islamizadas, preferem aprender o árabe.

Os alunos universitários que concluem o curso de português acabam tornando-se professores, tradutores ou trabalham na área do turismo.

Atualmente, o Senegal possui uma associação de professores de português que conta com 170 docentes, formados majoritariamente na UCAD. "O Instituto Camões, que atua no Senegal desde 1975, inaugurou o Centro de Língua Portuguesa no dia 10 de junho de 2006", disse José Horta, professor de Literatura e Cultura Portuguesa e Metodologia do Ensino de Português da UCAD.

O Centro de Língua Portuguesa está localizado em duas salas da UCAD, abrigando uma biblioteca, uma sala para estudos, exposições de filmes, uso de material tecnológico. Também oferece orientação dada por dez monitores, dois deles pagos pela Universidade e oito bolsistas do Instituto Camões, majoritariamente senegaleses.

"O Centro serve como apoio aos estudantes que necessitam de um espaço para estudar e também oferece cursos de português à população em geral. Todos os anos, oferecemos três cursos com duração de três ou quatro meses, com média de 20 alunos em cada um", garantiu Horta, que também leciona no CLP-IC.

Com uma população estimada em 12,8 milhões de pessoas, a República do Senegal situa-se na costa ocidental da África e faz fronteira com a Guiné-Bissau, Mauritânia, Mali, Guiné-Conacri e Gâmbia. A língua oficial é o francês e vários dialetos locais também são igualmente falados.

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