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21/08/2008 - 05h49

Corpos da tragédia na Espanha levarão dois dias para serem identificados

Da Redação*
Em São Paulo
A ministra espanhola do Desenvolvimento, Magdalena Alvarez, afirmou nesta quinta-feira que serão necessários dois dias para identificar os corpos dos 153 mortos no acidente do avião MD-82 da companhia Spanair, que se incendiou na quarta-feira durante a decolagem no aeroporto de Madri.

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    "Até agora, os corpos estão sendo identificados pelas digitais. Mas, alguns deles, terão de ser investigados pelo DNA", disse.

    O Ministério do Interior espanhol informou que dez policiais especialistas em análises de DNA trabalham na identificação dos corpos, muitos dos quais foram carbonizados.

    O acidente ocorreu pouco antes das 15h locais (10h de Brasília), quando o avião, um McDonnell Douglas MD82 da companhia Spanair com destino a Las Palmas, com 164 passageiros e nove tripulantes a bordo, caiu perto de uma das pistas do aeroporto madrilenho de Barajas e pegou fogo.

    Fontes do aeroporto informaram que as equipes de emergência, junto com as forças de segurança do Estado e o corpo da polícia científica desenvolvem trabalhos de "últimos rastreamentos" no local do acidente, em busca de restos mortais que pudessem ter ficado entre os destroços do avião.

    Dezenove feridos seguem internados em hospitais, quatro em estado "muito grave", após o acidente de quarta-feira no aeroporto de Barajas, no qual morreram 153 pessoas, informaram nesta quinta-feira fontes do Governo regional de Madri.

    Segundo as fontes, das 19 pessoas feridas no acidente, oito estão em observação com evolução satisfatória de seu quadro de saúde. Do total de feridos, entre eles três crianças, 18 foram identificados, e um, uma mulher, ainda não pôde ser reconhecida.



    Os corpos já resgatados foram levados ao centro de congressos Ifema, na capital, onde estão reunidos também centenas de parentes. Pelo local passaram nas últimas horas familiares das vítimas para identificar os corpos.

    Muitos dos parentes, visivelmente abalados, tiveram de ser atendidos e acompanhados por alguns dos 70 psicólogos que estão disponíveis no Ifema.

    O acidente
    A ministra do Desenvolvimento da Espanha, Magdalena Alvarez, e a Spanair confirmaram ao jornal espanhol "El País" que 153 pessoas morreram no acidente de um avião MD-82 da companhia aérea, que levava 172 passageiros a bordo (162 passageiros, sendo dois bebês e 20 crianças, e mais dez tripulantes, sendo quatro de movimento e seis de vôo).Veja a lista de passageiros.

    A aeronave saiu da pista no Terminal 4 do aeroporto de Barajas, em Madri (Espanha), nesta quarta-feira (20), depois de fazer um pouso de emergência logo após a decolagem. O piloto tentou voar novamente por alguns metros antes do acidente.

    A Spanair chegou a afirmar que havia 175 pessoas a bordo da aeronave. Sete dos passageiros eram do vôo compartilhado LH 255, da Lufthansa, sendo quatro deles alemães, diz o "El País". O consulado sueco também confirmou dois cidadãos do país entre as vítimas e fonte chilenas declararam ao menos um passageiro dessa nacionalidade.

    Os feridos foram levados a distintos hospitais de Madri. Os hospitais precisaram dar alta a alguns pacientes para conseguir espaço para atender às vítimas do acidente.

    O vôo teria saído com uma hora de atraso, possivelmente por problemas técnicos. Em nota, a Spanair diz que "lamenta confirmar que o vôo JK 5022 de Madri para Las Palmas das Ilhas Canárias se envolveu em um acidente em Madri às 14h45 (horário local) de hoje" e que "está fazendo o possível para assistir as autoridades espanholas nesse momento difícil. A Spanair fornecerá mais informações assim que possível".

    O diretor comercial da Spanair, Sergio Allar, disse ao "El País" que "é responsabilidade da aviação civil fazer a investigação" sobre o acidente. A empresa diz que o avião, ex-Korean Air, passou por revisão completa em 24 de janeiro e foi usado pela primeira vez em 1993. Já o presidente da companhia aérea escandinava SAS, Mats Jansson, ressaltou que ainda não há respostas sobre as causas do acidente com o avião de sua filial espanhola. "Há muitas perguntas que merecem respostas. Mas, por enquanto, não há respostas", desconversou.

    Para a ministra Magdalena Alvarez, a causa do acidente parece ter sido por "erro na decolagem".

    O sindicato de pilotos SEPLA afirmou ao jornal espanhol que o comandante e o piloto auxiliar moravam em Palmas e estavam "perfeitamente qualificados e tinham muita experiência" no manejo do modelo acidentado.

    Segundo a "Agência Efe", as caixas-pretas do avião foram recuperadas e serão o principal elemento da investigação sobre o acidente mais grave já ocorrido na Espanha desde 1985. Um juiz de Madri comandará de maneira imediata a investigação do acidente e ordenará um relatório sobre o conteúdo das caixas-pretas da aeronave acidentada. Fontes jurídicas informaram à agência que o magistrado foi ao aeroporto, à frente de uma comissão judicial, para averiguar de perto informações sobre o número de vítimas.

    Um funcionário do AENA (Aeroportos Espanhóis e Navegação Aérea) contou ao "El País" que o avião estava todo partido e "cheio de corpo". Segundo outras testemunhas, o motor esquerdo da aeronave pegou fogo logo após deslizar na pista e supostamente colidir no final da via. De acordo com o jornal espanhol, 11 caminhões de bombeiros trabalharam para conter o fogo, que já foi extinto.

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    Ao todo, 230 pessoas da equipe de resgate, 170 policiais municipais, 70 bombeiros e cerca de 45 ambulâncias estão no local, além de quatro hospitais de campanha, informa o "El País".

    O incêndio no local gerou uma grande coluna de fumaça. O aeroporto ficou fechado para pousos e decolagens, mas já foi reaberto.

    Os familiares dos passageiros estão sendo atendidos em uma sala montada pela companhia aérea. A Spanair fretou um vôo a partir das Ilhas Canárias para os familiares das vítimas.

    Nos últimos dez anos, 42 pessoas morreram em acidentes aéreos no país. O último acidente de grande proporções aconteceu em Bilbao em 19 de fevereiro de 1985, quando morreram 148 pessoas. O pior de todos aconteceu em 27 de março de 1977 no aeroporto de Los Rodeos, em Tenerife, onde o choque de aeronaves matou 583 pessoas.

    * Com informações de "El País", "El Mundo" e das agências internacionais.

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