UOL Notícias Internacional
 

12/09/2008 - 22h34

Tensão em Santa Cruz de La Sierra já começa no aeroporto

Rodrigo Bertolotto
Enviado especial do UOL
Em Santa Cruz de La Sierra (Bolívia)
A convulsionada situação política da Bolívia já pode ser sentida na chegada ao aeroporto de Santa Cruz de La Sierra: um bloqueio dos oposicionistas obriga os visitantes a pararem e trocarem de táxi ou ônibus no meio da avenida de acesso ao centro da capital do Departamento (Estado) que se transformou em um dos palcos da rebelião dos movimentos contrários ao presidente Evo Morales.

"Nossa categoria apóia os protestos. Há muitos venezuelanos infiltrados aqui e temos que expulsá-los", conta o taxista Mariano Gómez. Uma parte dos taxistas do aeroporto leva os turistas até a "tranca", barreira onde outros colegas pegam os passageiros e os transportam finalmente aos seus destinos.

O sentimento local contra Hugo Chávez, aliado político de Morales e que prometeu mandar tropas em caso de golpe, foi demonstrado também com um protesto diante do consulado venezuelano na cidade. Com megafones, os jovens e senhoras gritaram slogans contra uma intromissão chavista e lançaram rojões que furaram a bandeira do país sul-americano. Entre os presentes, o reitor da Universidade local discursou chamando o mandatário venezuelano de "palhaço".

Por outro lado, universitários tomaram pacificamente o último escritório estatal em Santa Cruz de la Sierra que tinha uma representante de La Paz. Sem resistência dos cinco policiais que guardavam a casa da delegação presidencial, um grupo com vendas invadiu o local e trancou o portão com um cadeado, cuja chave foi depois entregue para o governo departamental.

Os manifestantes, bem vestidos e de maioria branca, gritavam a sigla "IDH", que é a Lei de Hidrocarbonetos cujo destino da arrecadação é o principal ponto do conflito entre situação e oposição, junto com a questão constitucional.

Morales destinou parte da verba para criar uma aposentadoria às pessoas acima dos 60 anos, enquanto os governadores dos departamentos produtores e distribuidores do gás boliviano querem que a verba seja destinada para lá e temem que o próximo passo seja a tomada dos royalties pelos combustíveis.

O conflito entre governo e oposição tem outros componentes. Há a questão geográfica, afinal, o poder de Morales está no apóio dos camponeses indígenas, principalmente do pobre Altiplano, que falam idiomas autóctones como o quéchua e o aimará, enquanto seus adversários são os políticos das províncias das planícies que fazem fronteira com Brasil, Paraguai e Argentina, tem forte presença branca e concentram historicamente as fontes econômicas do país.

Há também o viés ideológico, com Morales tendendo ao nacionalismo, à esquerda e se aliando com Venezuela e Cuba. Já os que querem tirá-lo do poder têm uma postura à direita, seguindo o receituário de antigos governantes do país.

No aeroporto internacional Viru Viru, de Santa Cruz de La Sierra, a única empresa que opera com normalidade é a local Aerosur. A American Airlines, dos EUA, suspendeu seus vôos, enquanto, segundo os responsáveis pelo local, as empresas brasileiras Gol e TAM também enfrentam problemas em suas atividades por lá.

No saguão, a casa de câmbio é a certeza de conseguir trocar dinheiro estrangeiros por bolivianos (um dólar vale sete bolivianos), afinal, os bancos da cidade estão com atividades irregulares na cidade em pé de guerra, com desabastecimento de combustíveis e protestos a todo momento.

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