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08/01/2009 - 05h35

Norte de Israel tem trégua após queda de 3 foguetes e alarme falso de novos ataques

Das agências internacionais
Atualizado às 9h50

O norte de Israel voltou a uma situação de normalidade, nesta quinta-feira (08), depois que três foguetes foram lançados a partir do Líbano no norte em Israel, e depois que soaram os alarmes antiaéreos em várias localidades, devido ao temor de novos impactos.
  • AFP

    Soldados da ONU e do Líbano inspecionam o local em Israel...

  • AFP

    ...onde caíram os foguetes disparados na manhã de hoje



"Esta manhã, tinham sido detectados movimentos de tropas do outro lado da fronteira, mas a situação agora está tranqüila", disse à "Agência Efe" a soldado israelense Dora Geisman, posicionada na zona fronteiriça.

A volta à normalidade foi confirmada também por fontes da missão das Nações Unidas na passagem fronteiriça de Rosh Hanikra, à qual o Exército israelense impede a passagem.

O Exército israelense voltou a fazer hoje, pelo segundo dia consecutivo, um cessar-fogo de três horas na faixa de Gaza para que a população civil possa obter mantimentos. A trégua, assim como na quarta-feira, "ocorrerá entre 13h e 16h (9h e 12h de Brasília)", disse Peter Lerner, porta-voz do Exército israelense para a coordenação com os territórios palestinos.

Durante esse período, as passagens fronteiriças de Nahal Oz e Kerem Shalom estarão abertas e permitirão a entrada a Gaza de cargas de ajuda humanitária e combustível.

O cessar-fogo permite um pequeno alívio à população de Gaza, já que a maioria permanece trancada em casa há dias e não dispõe de energia elétrica ou água potável. A pausa também é aproveitada pelos serviços de emergência para atender os feridos e resgatar cadáveres entre os escombros.

A tensão no norte de Israel se intensificou no começo da manhã, quando pelo menos dois foguetes Katyushas disparados do sul do Líbano atingiram a cidade de Nahariya, e um terceiro atingiu o kibutz Matzuva, segundo o porta-voz da polícia israelense, Miki Rosenfeld.

"Seis pessoas tiveram que ser atendidas, com crise nervosa", acrescentou o comando policial. A imprensa local diz que há pelo menos uma pessoa ferida em conseqüência de vidros quebrados durante as explosões em um asilo de idosos.

Alarme falso
Fonte militares chegaram a anunciar que mais foguetes haviam sido disparados na manhã de hoje do sul do Líbano em direção a Israel, mas, em seguida, um porta voz militar israelense declarou que os disparos foram "um alarme falso".
  • Arquivo pessoal/Folha Imagem

    Brasileira que mora em Israel fotografa rastro de míssil que passou perto do apartamento

  • Arquivo pessoal/Folha Imagem

    Segundo Nilda Souza, a foto foi tirada no dia 4, quando uma creche da região foi atingida



As sirenes de alerta foram acionadas acidentalmente na região de Nahariya, norte do país, por causa do barulho provocado pelos aviões do país que sobrevoavam a região ao romper a barreira do som.

Cinco mísseis de Israel foram lançados de volta como resposta aos três foguetes que vieram do Líbano e que, segundo o site da rede de televisão "CNN", deixou duas pessoas feridas.

Autoria
Ainda não se sabe quem foram os responsáveis pelos disparos libaneses. Porta-vozes do Hamas negaram também qualquer relação com este fato e, em declarações a emissoras libanesas, disseram que sua luta "acontece dentro da palestina".

O movimento islamita xiita Hizbollah também informou que não está envolvido no lançamento de foguetes. "O Hizbollah nos assegurou que permanece comprometido com a estabilidade e o respeito da resolução 1701 do Conselho de Segurança, e isso significa que não está envolvido", falou o ministro da Informação do Líbano, Tarek Mitri.

A resolução, que data de 14 de agosto de 2006, garantiu o fim das hostilidades - mas não um cessar-fogo permanente - entre o Hizbollah e Israel, que havia iniciado uma violenta ofensiva no Líbano depois que o movimento radical sequestrou dois soldados hebreus no mês anterior.

O ministro Rafi Eitan, do gabinete do premiê Ehud Olmert, em entrevista ao Canal 2 israelense, culpou os palestinos que vivem no Líbano pelo lançamento de foguetes e disse que o ataque parece ter sido um caso "isolado".

Já a Frente Popular para a Libertação da Palestina, grupo suspeito pelos ataques a Israel, se recusou a confirmar ou negar a responsabilidade pelo lançamento dos foguetes. "Não confirmamos ou desmentimos o lançamento de foguetes", disse o porta-voz oficial do grupo, Anuar Raya Qatari ao canal de televisão "Al Jazeera".

O porta-voz do grupo radical palestino, que mantém uma forte presença no sul do Líbano, acrescentou que os árabes têm o direito de usar qualquer meio possível para ajudar os seus "irmãos" que estão "sob a contínua agressão" em Gaza.

É a primeira vez que há uma troca de tiros entre o sul do Líbano e o norte de Israel desde o início dos bombardeios israelenses na faixa de Gaza, que já dura treze dias.

O governo libanês condenou nesta quinta-feira os lançamentos de foguetes contra Israel a partir de seu território e pediu aos serviços de segurança que investiguem o incidente.

"Posso afirmar que não foi nem o Hizbollah, nem Amal, nem nenhum grupo libanês", disse Ali Hamedan, porta-voz do presidente do parlamento libanês, Nabih Berri, que pertence ao grupo xiita Amal, aliado do Hizbollah.

Hamedan assegurou que esperam o resultado das investigações do Exército e da Finul, mobilizada no sul do país, para evitar um aumento da violência entre Líbano e Israel. "Ninguém aceita o que aconteceu, não por proteger Israel, mas para preservar o Líbano, sua estabilidade e sua segurança", acrescentou.

Logo após o lançamento dos foguetes do território libanês, aviões de guerra israelenses penetraram no espaço aéreo libanês. Por sua parte, o destacamento da Finul, cuja missão é evitar uma alta da violência entre Israel e Líbano, intensificou suas patrulhas na área.

O primeiro-ministro libanês, Fouad Siniora, afirmou que o Líbano segue comprometido com as resoluções da ONU e rejeita que seu território volte a se transformar em um campo de batalha. Siniora insistiu em que seu país não terminou ainda de curar as feridas da guerra de 2006 e não pode suportar outro conflito bélico.

Conflito na faixa de Gaza
  • Reuters

    Dezenas de tanques israelenses, apoiados por helicópteros, entraram no sul do território palestino pelo ponto de passagem de Kisufim e seguiram para a cidade de Khan Yunis


Já na faixa de Gaza, dezenas de tanques israelenses, apoiados por helicópteros, entraram na madrugada desta quinta-feira no sul do território palestino pelo ponto de passagem de Kisufim e seguiram para a cidade de Khan Yunis, revelaram as testemunhas. Paralelamente, aviões israelenses atacaram a cidade de Rafah, também no sul da faixa de Gaza, bombardeando uma casa e um suposto túnel na zona da fronteira com o Egito. Mais cedo, o Exército israelense havia lançado milhares de folhetos ordenando a evacuação aos residentes da região de Rafah, no sul da faixa de Gaza.

O objetivo dos ataques é de acabar com dezenas de túneis ao longo da "Rota Philadelphi", que liga o território palestino ao Sinai egípcio e pelos quais, segundo Israel, as milícias se abastecem de armas e foguetes que lançam contra seu território.

Além disso, pelo menos quatro palestinos morreram em uma onda de bombardeios maciços israelenses sobre a faixa de Gaza, informaram fontes médicas e do Exército. Três milicianos da Jihad Islâmica e uma quarta vítima, segundo a imprensa israelense.

Na noite de ontem, as forças israelense atacaram mais de 60 alvos na região, entre eles as casas de dois dirigentes do braço armado do Hamas, as Brigadas de Ezedin al-Qassam: Yasser Natat, responsável pelo lançamento de foguetes a partir da área de Rafah, e de Mohammed Sanuar, comandante das Brigadas na zona de Khan Yunes.

O Exército de Israel bombardeou nas últimas 12 horas uma mesquita "usada para armazenar armas e como ponto de encontro de operações terroristas", além de cerca de 15 túneis na fronteira entre Gaza e Egito, instalações da Polícia do Hamas, armazéns de armas e plataformas de lançamento de foguetes, entre outros alvos, segundo comunicado oficial.

Desde a noite de ontem, as milícias palestinas lançaram cerca de dez foguetes contra o sul de Israel, dois dos quais atingiram campos perto de Be'er Sheva, outros dois nos arredores de Ashkelon, três em Ashdod e outros três na região de Eshkol, sem causar vítimas.

A ofensiva, iniciada em 27 de dezembro, matou mais de 700 palestinos e deixou cerca de 3 mil feridos, enquanto nove israelenses morreram e dezenas ficaram feridos devido ao fogo das milícias palestinas neste período.

FAIXA DE GAZA

  • Arte UOL

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