UOL Notícias Internacional
 

06/02/2009 - 11h47

Conselho aprova decreto-lei que proíbe eutanásia; médicos começam a retirar alimentação de Eluana

Das agências internacionais
O decreto-lei que proíbe a eutanásia em pacientes foi aprovado nesta sexta-feira na Itália pelo Conselho de Ministros, informou a imprensa local, enquanto uma equipe médica já iniciou o processo de suspensão de alimentação e hidratação a Eluana Englaro, italiana que vive em estado vegetativo há 17 anos.

O que você acha da eutanásia? Existem casos em que ela deve ser permitida?

Após uma longa discussão, o Conselho de Ministros aprovou o decreto-lei apesar de ter recebido uma carta do presidente Giorgio Napolitano, em que expressou sua decisão contrária à medida.

ENTREVISTA: MINHA FILHA MORREU EM 1992, DIZ PAI

  • Reuters

    "Para nós, ela está morta desde 18 de janeiro de 1992". Assim o italiano Beppino Englaro, 67, expressou, em entrevista exclusiva ao UOL Notícias, como vê a situação em que se encontra sua filha, Eluana.

O advogado da família de Eluana Englaro, Giuseppe Campeis, confirmou nesta sexta-feira que os médicos da clínica em que a italiana está internada começaram nesta manhã a redução de alimentação e hidratação artificial da paciente, que sofreu um grave acidente automobilístico em 1992.

"A suspensão da alimentação começou hoje pela manhã, segundo informações do presidente da clínica, e tudo segue como previsto", disse Campeis. A alimentação de Eluana Englaro será reduzida em 50%.

Comoção nacional
O caso de Eluana causou reações acaloradas por parte da sociedade italiana depois que seu pai, Beppino Englaro, conseguiu na Justiça provar que o estado de saúde da sua filha é irreversível e que era da vontade de Eluana morrer se estivesse em coma e, assim, recebeu uma sentença favorável em 2008.

Na terça-feira, Englaro autorizou a transferência de sua filha de Lecco, cidade onde vive, para a clínica La Quiete, em Udine. A transferência de Eluana gerou protestos de manifestantes antieutanásia na porta da clínica, que tentaram impedir a entrada da ambulância. Aos gritos de "Eluana, acorde. Eles querem matá-la", os manifestantes tentaram, sem sucesso, interditar a clínica. Alguns manifestantes do comitê denominado "Per Eluana e Tutti Noi" (Para Eluana e Todos Nós) fundado pelo Movimento pela Vida estudam entrar em greve de fome quando a alimentação de Eluana for interrompida.

Maurizio Sacconi, ministro da Saúde, baixou uma portaria proibindo todos os hospitais públicos e privados de retirarem a alimentação de pacientes em coma. A medida dificultou a busca por uma clínica onde Eluana pudesse morrer, mas não evitou sua internação em Udine. Isso porque a medida não tem valor legal, pois o Executivo não pode se sobrepor às decisões judiciais, segundo explicam os críticos.

O subsecretário do Ministério do Interior da Itália declarou que "em poucos dias a Itália executará sua primeira sentença de morte desde 1948". Já a Procuradoria Geral da Itália convocou o chefe da equipe médica responsável pela morte de Eluana Englaro.

Por parte do Vaticano, a reação contrária à decisão foi enérgica. A Igreja Católica considera a autorização para a realização da eutanásia um 'assassinato'. A decisão foi inédita no país. Conhecida por ser uma sociedade conservadora e intimamente ligada aos valores católicos, a Itália proíbe a eutanásia em seu território.

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    17h00

    0,44
    3,190
    Outras moedas
  • Bovespa

    18h21

    0,14
    76.390,52
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host