UOL Notícias Internacional
 

25/04/2009 - 07h00

Os dois lados erraram na praça da Paz Celestial, diz autor de foto icônica

Edilson Saçashima
Do UOL Notícias
Em São Paulo
A imagem de um manifestante diante de uma coluna de tanques tornou-se ícone do massacre da Paz Celestial. A foto, conhecida como "O Rebelde Desconhecido de Tiananmen", foi feita por Jeff Widener, concorreu ao Prêmio Pulitzer e ganhou diversos prêmios. O homem solitário, que jamais foi identificado, ganhou o apelido de "tank man" (o homem do tanque). A revista "Time" apontou o "tank man" como uma das cem pessoas mais influentes do século 20.

  • Jeff Widener/AP

    Foto de Jeff Widener conhecida como "O Rebelde Desconhecido de Tiananmen"

Aos 52 anos e afirmando ser um "imenso admirador" do fotógrafo brasileiro Sebastião Salgado, Widener concedeu entrevista ao UOL Notícias antes de partir para a Universidade de Columbia, nos Estados Unidos, onde receberia mais um prêmio nesta terça-feira (28). Abaixo, Widener reconstitui os bastidores da famosa foto que ele tirou em 1989 e relembra momentos do massacre da praça da Paz Celestial.

UOL Notícias - Por que o sr. estava em Pequim em junho de 1989?
Jeff Widener -
Na época, eu era o editor de fotografia da (agência de notícias) Associated Press do Sudeste da Ásia e entrei na China para cobrir a crescente inquietação em Pequim.

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O massacre da praça da Paz Celestial, que completa 20 anos agora, continua uma ferida não cicatrizada na história da China. Segundo especialista entrevistado pelo UOL Notícias, o episódio contribuiu para a manutenção
da estabilidade do país.

UOL Notícias - Quais foram as suas impressões sobre os protestos na praça da Paz Celestial? E sobre o governo chinês? Os protestos mudaram sua opinião sobre o governo chinês e a China?
Widener -
A China é um país comunista. Aquela época foi um período de desafios extraordinários e corajosos para os cidadãos chineses. Acredito que o governo foi leniente por algum tempo. Os manifestantes tiveram uma oportunidade para promover mudanças importantes, mas no fim eles empurraram o governo contra a parede, e os militares finalmente tiveram que livrar a cara. Na minha opinião, os dois lados cometeram equívocos.

UOL Notícias - Onde o sr. estava quando tirou a foto do "tank man"?
Widener -
Eu estava inclinado sobre a sacada no sexto andar do Beijing Hotel.

Quando eu fiz a foto, eu estava muito gripado e sofrendo com uma terrível pancada depois que uma pedra atingiu meu rosto. A câmera que estava diante do meu olho salvou minha vida. Então quando eu vi um homem solitário caminhar em frente de uma coluna de tanques, isso me pareceu perfeitamente normal diante do que eu tinha visto nos dias anteriores

Jeff Widener, fotógrafo
UOL Notícias - O sr. conheceu o "tank man"? Qual a sua opinião sobre ele?
Widener -
Não. Eu gostaria de ter conhecido ele... Gostaria de apertar sua mão. Eu acho que ele foi apenas um jovem garoto que ganhou algumas semanas de liberdade e alegria e terminou perdendo amigos e familiares no massacre. Talvez ele apenas estivesse cansado do governo e fez uma última tentativa de desafiá-lo.

UOL Notícias - Como estava o clima em Pequim naquele dia?
Widener -
Estava muito assustador. As ruas estavam cheias de ônibus e carros incendiados, muros destruídos e pedras. As pessoas pedalavam suas bicicletas em um labirinto de escombros enquanto tiros aleatórios ecoavam em ruas distantes.

UOL Notícias - Como você analisa a importância da foto do "tank man" para história? Naquele dia, o sr. já tinha ideia de que a foto poderia ter repercussão internacional?
Widener -
Quando eu fiz a foto, eu estava muito gripado e sofrendo com uma terrível pancada depois que uma pedra atingiu meu rosto. A câmera que estava diante do meu olho salvou minha vida. Então quando eu vi um homem solitário caminhar em frente de uma coluna de tanques, isso me pareceu perfeitamente normal diante do que eu tinha visto nos dias anteriores. Meu cérebro estava confuso com o machucado e a gripe. Na época, eu não imaginava que a foto poderia ganhar o status que ganhou.

UOL Notícias - O sr. teve problemas com a censura na China depois que fez a foto?
Wildener -
Não. Eu fiz várias viagens depois do incidente de Tiananmen até 1995 sem enfrentar qualquer problema.

Veja o vídeo do manifestante que parou os tanques na praça da Paz Celestial

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