UOL Notícias Internacional
 

17/06/2009 - 12h12

Irã reduz banda larga para evitar envio de imagens ao exterior

Do UOL Notícias*
Em São Paulo
O governo do Irã reduziu pela metade a capacidade de banda larga em seu país para evitar o envio de imagens ao exterior através da internet, disseram fontes diplomáticas nesta quarta-feira (17). Na mesma data, a Guarda Revolucionária do Irã advertiu em um comunicado emitido pela agência de notícias estatal que seus investigadores iriam tomar medidas contra "sites de notícias dissidentes" que encorajem distúrbios públicos e tumultos nas ruas. A Guarda promete tomar "ações legais fortes" e exigir "a remoção de materiais" desses sites.

A Guarda Revolucionária é uma das partes que compõem as Forças Armadas iranianas. Ela tem grande influência interna e controla os principais programas de defesa do país. É considerada uma das chaves para a manutenção do poder no Irã e tem fortes vínculos com o líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei, e o presidente Mahmoud Ahmadinejad, que é um de seus ex-membros.

Com o bloqueio do acesso a diversas páginas na internet, iranianos adotaram a postura de utilizar ferramentas online para tentar driblar a censura do governo e propagar informações, imagens e vídeos do clima de tensão no país.

Os sites mais populares têm sido o Twitter e o Facebook, mas iranianos também têm usado o YouTube, o Flickr e o MySpace para postar material, por meio de ferramentas que driblam os bloqueios impostos pelas autoridades iranianas, escreve a BBC Brasil.

A importância do Twitter e outros sites de relacionamento como instrumento de informação aumentou na terça-feira, depois que o governo proibiu a presença da imprensa estrangeira nas ruas de Teerã. Além disso, o governo corta o funcionamento de telefones celulares e de serviços de SMS em determinadas horas e locais da cidade.

Apesar das restrições, os iranianos estão acostumados a buscar servidores e proxy estrangeiros para tentar driblar o controle governamental. Todos os servidores iranianos estão controlados por uma rede do ministério, que filtra e permite o acesso às páginas no interior do país e no exterior.

Manifestantes prometem mais protestos
Os partidários do candidato derrotado à presidência, Mir Hussein Mousavi, convocaram novas manifestações nesta quarta-feira (17) em Teerã, ao mesmo tempo que aumentam o número de detenções de políticos e intelectuais reformistas.

Uma mensagem de e-mail que circula entre os internautas indica que o protesto acontecerá "em silêncio e sem lema".

Parte da comunidade internacional manifestou inquietação com a situação em Teerã, cenário de manifestações e distúrbios, alguns violentos, desde o anúncio no sábado da reeleição do ultraconservador Mahmoud Ahmadinejad.

Após a manifestação pacífica de terça-feira, os partidários de Mousavi, que acusa o regime de fraude eleitoral, convocaram para esta quarta-feira outra concentração na praça Haft-é-Teherán, apesar da proibição por parte do governo.

AFP 
Imagem publicada hoje no TwitPic, do Twitter, mostra suposta manifestação em Teerã


Procurador defende pena de morte
O procurador-geral da cidade iraniana de Isfahan, Mohamad Reza Habibi, advertiu nesta quarta-feira que os causadores dos distúrbios que há cinco dias agitam o país podem ser condenados à morte.

Em declarações divulgadas pela agência de notícias local "Fars", Habibi afirmou que as agitações podem ser consideradas "atividades criminosas" contra a segurança do Estado, delito que, segundo a lei islâmica iraniana, pode levar à pena de morte.

"Advertimos esses poucos ativistas controlados pelo exterior que tratam de violar a segurança nacional incitando outros a destruir que, segundo o código penal islâmico, a condenação contra aqueles que fazem a guerra a Alá é a morte", afirmou.

Habibi pediu para que os que provocaram distúrbios nesta cidade "evitem as ações ilegais e voltem a se unir à nação".

Mousavi pede ato em memória aos mortos
O candidato derrotado na eleição presidencial iraniana Mir Hussein Mousavi pediu aos partidários que realizem manifestações pacíficas ou se reúnam nas mesquitas na quinta-feira (18) para expressar solidariedade aos mortos nos tumultos ocorridos após a eleição.

A mídia estatal informou que sete pessoas foram mortas na segunda-feira em um grande protesto no centro de Teerã contra o que Mousavi diz ser uma eleição fraudada em favor do atual presidente, Mahmoud Ahmadinejad.

"Durante os últimos dias e como consequência de ações violentas e ilegais (pessoas que protestavam) contra o resultado da eleição presidencial, um número de cidadãos foi ferido ou martirizado", disse Mousavi. "Peço que o povo expresse sua solidariedade às famílias... comparecendo juntos em mesquitas ou tomando parte em manifestações pacíficas", disse ele em sua página na internet.

Ele disse que também irá participar, mas não deu detalhes sobre quando ou onde. O comunicado não dizia se alguma manifestação será realizada nesta quarta-feira (17).

O anúncio no sábado dos resultados oficiais da eleição realizada na sexta-feira, mostrando que Ahmadinejad havia obtido uma vitória esmagadora contra Mousavi, desencadeou vários dias de confrontos entre partidários de Mousavi, a polícia antidistúrbios e seguidores de Ahmadinejad.

As autoridades negaram as acusações da oposição de que houve fraude na eleição de sexta-feira.

Governo chama imprensa de "porta-voz de agitadores"
O governo iraniano, que enfrenta a maior onda de protestos desde a revolução islâmica de 1979, criticou as "armadilhas" dos inimigos da nação.

O ministério iraniano das Relações Exteriores acusou nesta quarta-feira os meios de comunicação estrangeiros de ser "porta-vozes" dos "agitadores" que mancham a imagem do país, após a recente reeleição do presidente ultraconservador Mahmoud Ahmadinejad, questionada pela oposição.

As autoridades iranianas, que com frequência consideram os membros da imprensa estrangeira em seu território como representantes oficiais de seus respectivos países, acusam "certos países" de apoiar o que chama de manifestações ilegais contra o poder e de terem se transformado em "porta-vozes do movimento de agitadores", segundo um comunicado oficial.

"Alguns países, em uma reação rude e rápida em relação às manifestações ilegais, as apoiaram contra os princípios democráticos e as leis e se converteram nos porta-vozes dos agitadores", completa o comunicado da chancelaria.

O texto recomenda à imprensa estrangeira "mudar sua interação incorreta com os acontecimentos iranianos". Caso contrário, "no momento oportuno e sem espaço para dúvidas os inimigos da unidade nacional iraniana serão neutralizados".


*Com informações das agências internacionais

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