UOL Notícias Internacional
 

22/06/2009 - 12h02

Polícia iraniana reprime manifestação em Teerã

Do UOL Notícias*
Em São Paulo
A polícia iraniana atacou centenas de manifestantes com gás lacrimogêneo e tiros ao ar para dispersar um protesto em Teerã, nesta segunda-feira (22), de acordo com testemunhas ouvidas pela agência de notícias Associated Press.

Helicópteros sobrevoaram o local onde cerca de 200 manifestantes se reuniam na praça Haft-e Tir. Centenas de policiais antidistúrbio colocaram um fim na manifestação.

Internet divulga vídeos dos protestos

  • Forças de segurança rondam região de Haft-e Tir

  • Polícia prende dois suspeitos em Teerã



Uma manifestação nesta praça durante a tarde havia sido convocada em homenagem à manifestante Neda, morta sábado ao ser baleada no peito, segundo um vídeo amplamente difundido na internet.

Testemunhas disseram que a polícia tentou evitar a formação de qualquer tipo de aglomeração, incluindo pequenos grupos. Na estação de trem localizada na praça Haft-e Tir, a polícia estava impedindo que qualquer um permanecesse parado e separando pessoas que caminhavam juntas.

Horas antes, a poderosa Guarda Revolucionária do Irã ameaçou combater os protestos de rua de Teerã. O anúncio foi feito após o líder da oposição, Mir Hossein Mousavi, ter pedido a seus partidários que realizem novas manifestações contra os resultados da eleição presidencial de 12 de junho.

"Na atual situação delicada... os Guardas vão firmemente confrontar de uma maneira revolucionária os desordeiros e aqueles que violam a lei", disse um comunicado publicado no site da Guarda na internet.

O comunicado dos Guardas, que são vistos como os mais leais protetores do regime religioso, foi um sinal claro de qualquer novo protesto contra a reeleição do presidente Mahmoud Ahmadinejad será combatida com vigor.

Mousavi, que oficialmente ficou em segundo lugar na eleição que ele afirma ter sido fraudada, pediu na noite de domingo que seus partidários realizem novos protestos.

"Protestar contra mentiras e fraudes (na eleição) é nosso direito", disse ele em um comunicado na internet.

Conselho de Guardiões admite irregularidades nas eleições do Irã



O governo de Ahmadinejad acusa o Ocidente de apoiar os "desordeiros" nas manifestações nas ruas que abalaram a República Islâmica.

"A promoção da anarquia e do vandalismo pelas potências ocidentais e pela mídia não é aceitável de nenhuma forma", disse o porta-voz do Ministério do Exterior, Hassan Qashqavi, em entrevista coletiva. Ele não descartou a expulsão de alguns embaixadores estrangeiros de Teerã.

O Irã elevou o tom das acusações de interferência externa em seus assuntos internos após os resultados oficiais das eleições que deram a Ahmadinejad, uma esmagadora vitória sobre Mousavi, o que gerou uma série de protestos promovidos pela oposição.

No domingo, governos ocidentais negaram as acusações de que interferiram nas questões iranianas, alegando que é necessário que se permita a realização de protestos pacíficos e um resultado de eleição justo.

De acordo com o secretário britânico do Exterior, David Miliband, os países estrangeiros não desempenharam nenhum papel nos protestos violentos que ocorreram no Irã após a eleição.

Já Qashqavi disse: "Ao contrário dos padrões reconhecidos internacionalmente... muitos países europeus e a América, em vez de convidar as pessoas para instituições democráticas e enfatizar os canais legais, eles geralmente apoiam os desordeiros e oportunistas."

Questionado se a expulsão de alguns embaixadores era uma opção, Qashqavi disse que não confirmaria nem negaria isso, pois o Irã ainda estuda se tomará alguma medida. Ele também disse que missões iranianas foram danificadas durante protestos relacionados às eleições em países como a Alemanha, entre outros.

Europeus temem que conflito no Irã se torne guerra civil, diz Alencastro

  • O colunista do UOL, Luiz Felipe de Alencastro, comenta a crise política no Irã. Para Alencastro, o discurso do aiatolá Ali Khamenei deve fazer aumentar ainda mais os protestos da oposição.



"Achamos que ninguém poderia atacar um centro diplomático sem que o governo e a polícia locais fossem informados", disse.

Numa referência à contestada disputa eleitoral entre o ex-presidente republicano dos Estados Unidos George W. Bush e o democrata Al Gore em 2000, o porta-voz disse: "Ninguém encorajou os americanos a realizar tumulto ou algo do gênero, e foi a Suprema Corte que resolveu a questão."

Ele disse que o alto comparecimento às urnas na eleição iraniana, de 85%, é "como uma joia que está brilhando no pico da dignidade da nação iraniana, e não permitiremos que a mídia ocidental transforme essa joia numa pedra sem valor."

Espiões europeus
O Irã anunciou nesta segunda-feira (22) a detenção de "cinco espiões europeus", acusados de participar dos "distúrbios" que há nove dias agitam a capital do país, Teerã.

Segundo a agência de notícias iraniana "Fars", que não cita fontes, dois alemães, dois franceses e um britânico foram detidos por estarem "entre os principais ativistas dos distúrbios de sábado em Teerã".

A capital e várias outras grandes cidades iranianas viraram palco de protestos desde a divulgação dos resultados das eleições do último dia 12, denunciadas como fraudulentas pela oposição.

Devido aos confrontos, nos últimos dias as autoridades iranianas passaram a acusar os países ocidentais, especialmente o Reino Unido e os Estados Unidos, de interferir nos assuntos internos do Irã ao colocarem em dúvida o pleito.

Três dos quatro candidatos às eleições presidenciais do Irã disseram que houve irregularidades nas eleições.

O Conselho dos Guardiões, órgão encarregado de validar o resultado da votação, aceitou revisar a apuração de 10% das urnas e já encontrou falhas no processo.

O principal candidato reformista e um dos líderes da oposição, Mir Hossein Moussavi, pediu a repetição do pleito.
  • Arte UOL

*Com informações da AP, AFP, EFE e Reuters

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