UOL Notícias Internacional
 

16/07/2009 - 18h00

Ex-presidente da Libéria admite uso de caveiras humanas para assustar população

Do UOL Notícias*
Em São Paulo
O ex-presidente da Libéria, Charles Taylor, disse hoje durante seu julgamento no tribunal de Haia, na Holanda, que não havia nada de errado em mostrar caveiras humanas em bloqueios rodoviários durante o período que levou ao seu golpe de Estado e que esta era uma estratégia para fazer com que as pessoas obedecessem às ordens dos soldados rebeldes.

Saiba mais sobre o processo

  • Robin van Lonkhuijsen/United Photos/Reuters - 13.jul.2009

    Charles Taylor responde a
    11 crimes de guerra e contra a humanidade por seu envolvimento no conflito de Serra Leoa



Em seu terceiro dia de depoimento no Corte Especial para Serra Leoa, Taylor negou a alegação de que seus soldados removiam as vísceras de suas vítimas e amarravam os intestinos nas estradas. A prática foi descrita por um ex-comandante que testemunhou pela promotoria, Joseph 'Zigzag' Marzah.

Aos 61 anos, o ex-líder africano responde por 11 acusações de crimes de guerra e contra a humanidade, relacionados a sua participação na guerra civil de Serra Leoa, país vizinho à Libéria, entre 1991 e 2002. Ele se declarou inocente de todas as acusações.

Taylor justificou o uso das caveiras nas estradas lembrando que imagens do tipo são usadas em muitas "fraternidades" e em universidades no Ocidente. O ex-presidente é formado em economia por uma faculdade dos Estados Unidos.

"Eu descobri que eram caveiras de inimigos e nós não achamos que aquele símbolo tinha nada de errado", disse.

Taylor disse à corte que sabia da existência de violações, mas que seu grupo de guerrilheiros rebeldes foi treinado na Líbia para evitar atrocidades ao entrar na Libéria em 1989.

"Descobrimos que (atrocidades) aconteciam e agimos para levar os responsáveis à Justiça", afirmou. Soldados rebeldes que cometiam excessos passavam por corte marcial e em alguns casos chegavam a ser executados.

O ex-presidente liberiano também acrescentou que o êxito da guerrilha não poderia ter acontecido sem o apoio da população do país. Os promotores que trabalham no caso afirmam que os rebeldes chefiados pelo ex-presidente usavam táticas de terror para forçar o apoio da população local, incluindo o uso de amputações sistemáticas.

*Com as agências internacionais

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