UOL Notícias Internacional
 

06/09/2009 - 07h00

Em meio a negociações sobre aviação militar, Sarkozy participa do 7 de setembro no Brasil

Cláudia Andrade
Do UOL Notícias
Em Brasília
A apresentação da Patrulha Acrobática da França no desfile de 7 de Setembro, na Esplanada dos Ministérios, em Brasília, será o símbolo da expectativa pela vitória francesa na disputa pelo contrato que prevê a renovação da frota de caças do Brasil. Três países estão na briga, mas a oferta francesa tem claro apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O Brasil assina na segunda com a França o maior e mais importante acordo militar de sua história recente. Serão 8,5 bilhões de euros em submarinos e helicópteros. Provavelmente a conta será aumentada em breve pela aquisição de caças.

Esta semana, em entrevista à AFP, Lula expressou a preferência de seu governo pelo avião Rafale, da empresa Dassault, sócia da Embraer. A principal vantagem da oferta francesa seria, segundo o presidente da República, a disposição em transferir tecnologia para o Brasil.

O Rafale compete com o F18, dos Estados Unidos, e o Gripen, da Suécia. Na prática, porém, trata-se de duas ofertas americanas contra uma francesa, uma vez que o equipamento sueco conta com componentes americanos, como explica o coordenador de aviação do Centro de Transportes da UnB (Universidade de Brasília), Adyr da Silva.

"O avião sueco é até interessante. Mas é ingenuidade achar que um avião fabricado na Suécia com componentes americanos não vai ficar sob o critério dos Estados Unidos", disse.

O entrave, neste caso, seria a indisposição para transferência de tecnologia, considerada importante pelo Brasil. "A associação dos franceses com a Embraer permitira que o avião fosse fabricado em partes no Brasil, ou até montado aqui. Seria uma exigência facilmente colocada e aprovada", acredita o ex-presidente da Infraero.

A renovação da frota deverá ser feita com a compra de 36 caças pela Aeronáutica, ao custo estimado em mais de R$ 4 bilhões. Adyr Silva defende a modernização do equipamento aéreo brasileiro. "O Brasil precisa ter poder de dissuasão. O Brasil está convivendo com vizinhos que estão se armando e estamos defasados. Vamos atualizar um núcleo essencial de defesa nacional, para garantir a soberania nacional".

Para o especialista, o crescimento econômico do país deve estar acompanhado de um reforço na defesa, caso contrário o Brasil ficará "vulnerável". "Sem um mínimo de defesa, não adianta crescer".

Assinatura de acordos
O esquadrão de demonstração da Força Aérea Francesa sobrevoará a Esplanada dos Ministérios deixando um rastro de fumaça nas cores da bandeira daquele país: azul, branco e vermelho. Como convidado de honra, o presidente francês Nicolas Sarkozy acompanhará a apresentação. Em sua delegação estarão os ministros dos Negócios Estrangeiros, Defesa, Comércio Exterior, entre outros.

Na terça-feira, o ministro Miguel Jorge (Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior) comandará reunião com empresários franceses de vários setores, incluindo indústria espacial e de defesa.

Na última quarta, o Senado aprovou projetos autorizando empréstimos externos para a construção do primeiro submarino movido a energia nuclear e compra de helicópteros franceses. Os acordos referentes a essa parceria estratégica devem ser assinados durante a visita de Sarkozy.

"No campo político, as relações entre Brasil e França estão extremamente bem colocadas. Estão no nível mais elevado dos últimos anos. A França está se transformando em um aliado consistente do Brasil", analisa o especialista da UnB.


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