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21/09/2009 - 17h15

Brasil espera uma solução rápida para a crise após regresso de Zelaya, diz Amorim

Do UOL Notícias*
Em Sâo Paulo
Atualizado às 18h00

O chanceler Celso Amorim disse na tarde desta segunda-feira (21) que o Brasil espera uma solução rápida para a crise política em Honduras, após o regresso do presidente deposto, Manuel Zelaya, a Tegucigalpa.

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"Esperamos que isso abra uma nova etapa nas discussões e que uma solução rápida, baseada no direito constitucional, possa ser alcançada", declarou Amorim a jornalistas em Nova York.

Segundo o chanceler, "o Brasil não teve nenhuma interferência" na volta de Zelaya, limitando-se a conceder-lhe a permissão para entrar na embaixada brasileira em Tegucigalpa, que foi "solicitada uma hora antes de sua chegada".

"O presidente disse que chegou a Honduras por meios próprios e pacíficos", indicou Amorim, acrescentando que não tem maiores detalhes sobre como o presidente deposto retornou ao país.

Amorim também disse ter conversado com o secretário-geral da OEA e com o governo norte-americano para que fosse garantida toda a segurança para Zelaya e para os funcionários da embaixada brasileira em Tegucigalpa.

Em entrevista à imprensa local, Zelaya, agradeceu ao governo do Brasil pelo respaldo dado a ele e conclamou a população hondurenha a se reunir em frente à embaixada do país. Posteriormente, falando à rede Telesur, ele revelou ter conversado com Amorim e que aguarda um telefonema do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que viaja a Nova York para participar da Assembleia Geral das Nações Unidas.

Mais cedo, a informação da chegada de Zelaya à embaixada brasileira foi confirmada por sua mulher, Xiomara Castro e seus filhos. O porta-voz do Departamento de Estado dos EUA, Ian Kelly, também confirmou que Zelaya está em Honduras e pediu calma à população.
  • Esteban Felix/AP

    Zelaya (centro, de óculos), se reúne com conselheiros na embaixada do Brasil em Tegucigalpa


Zelaya foi deposto por uma aliança entre militares, membros do judiciário e parlamentares no último dia 28 de junho. No mesmo dia, Brasil emitiu um comunicado repudiando a ação, no qual pedia que Zelaya fosse "imediata e incondicionalmente reposto em suas funções".

Os parentes de Zelaya se dirigiram à embaixada e estariam no local. A TV hondurenha "Cholusat" mostrou a polícia sobrevoando a embaixada brasileira. A emissora de televisão lembrou que a embaixada é um território a qual a polícia não tem acesso. A transmissão foi interrompida quando a emissora mostrou uma entrevista ao vivo com Zelaya.

Os elementos da crise

  • Desde que foi eleito, em 2005, Manuel Zelaya se aproximou cada vez mais dos governos de esquerda da América Latina, promovendo políticas sociais no país. Ao mesmo tempo, seus críticos argumentam que Zelaya teria se tornado um fantoche do líder venezuelano Hugo Chávez e acabou sendo deposto porque estava promovendo uma tentativa ilegal de reformar a constituição



Em declarações aos jornalistas presentes à embaixada do Brasil em Tegucigalpa, Zelaya pediu para que o povo hondurenho venha à capital do país para protegê-lo e pediu às Forças Armadas para que não intervenham para impedir sua presença e sua busca pelo diálogo.

Zelaya também afirmou que o secretário-geral da OEA (Organização dos Estados Americanos), José Miguel Insulza, viajará a Honduras para iniciar um diálogo que permita superar a crise política. "Esta manhã, Inzulsa disse que queria vir hoje mesmo para iniciar o diálogo", disse Zelaya. "Minha presença aqui é para que o diálogo seja feito pessoalmente", acrescentou.

Insulza pediu nesta segunda-feira que o governo interino de Honduras garanta a segurança de Zelaya e da embaixada brasileira. Em nota para a imprensa, a OEA pede calma aos hondurenhos. "O presidente constitucional de Honduras, José Manuel Zelaya, se encontra em Tegucigalpa, hospedado na embaixada do Brasil. Quero fazer um chamado à calma aos atores envolvidos no processo e apontar às autoridades do governo interno que devem se fazer responsáveis da segurança do presidente Zelaya e da embaixada do Brasil", diz a nota.

Chávez anunciou retorno de Zelaya
Anteriormente, a chanceler de Zelaya, Patricia Rodas, em declarações à emissora Venezuelana de Televisão, com base em Caracas, disse que Zelaya estaria na sede das Nações Unidas na capital hondurenha, para onde se dirigiram simpatizantes do presidente deposto.

O presidente venezuelano, Hugo Chávez, também afirmou que o presidente deposto de Honduras estava em Tegucigalpa. Segundo Chávez, Zelaya lhe telefonou confirmando estar na capital hondurenha. "Agora veremos o que farão os golpistas", acrescentou.

O venezuelano disse que Zelaya viajou por terra durante dois dias até que conseguisse entrar em Honduras, o que ocorreu hoje. Chávez também chamou a atenção para os riscos que Zelaya e seus familiares poderão correr a partir deste momento. "Pedimos respeito à vida de Zelaya, da primeira-dama e do povo", afirmou. O presidente da Guatemala, Álvaro Colom, também sustentou que o líder deposto está na capital hondurenha "há horas", e previu que seu retorno "será o fim da crise política" em Honduras.

O deputado e porta-voz do partido governista de El Salvador, Sigfrido Reyes, disse que se reuniu no domingo em San Salvador com o presidente deposto de Honduras.

Reyes, da Frente Farabundo Martí de Libertação Nacional (FMLN), disse à agência de notícias EFE que falaram sobre Honduras durante o encontro, que aconteceu no aeroporto internacional de El Salvador, onde Zelaya fez uma escala técnica antes de, segundo a imprensa local, ir para os Estados Unidos.

Segundo o deputado, no entanto, o retornou de Zelaya a Honduras não foi tema da conversa e também não houve indícios de que o líder deposto voltaria a seu país.

"Golpe em Honduras é semelhante ao golpe militar de 1964 no Brasil"


*Com as agências internacionais

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