UOL Notícias Internacional
 

29/09/2009 - 07h00

Lula se transforma em herói para apoiadores de Zelaya em Honduras

Thiago Scarelli
Enviado especial do UOL Notícias
Em Tegucigalpa (Honduras)

Que medidas o Brasil deveria adotar em relação ao presidente deposto?

Uma centena de pessoas subia um morro em cortejo fúnebre, no último domingo, em Tegucigalpa, capital de Honduras. Dentro do caixão, uma jovem que teria morrido por complicações pulmonares após aspirar gás lacrimogêneo lançado por policiais - o que fazia do cortejo também uma marcha política contra o governo.

De repente, chega a notícia de que o presidente Lula tinha desafiado um ultimato do presidente golpista. A marcha grita, ainda em luto: "Viva o Brasil!". Para essas pessoas, Lula é um herói e o Brasil é o melhor país do mundo.

Veja a cronologia da crise

  • Desde que foi eleito, em 2005, Manuel Zelaya se aproximou cada vez mais dos governos de esquerda da América Latina, promovendo políticas sociais no país. Ao mesmo tempo, seus críticos argumentam que Zelaya teria se tornado um fantoche do líder venezuelano Hugo Chávez e acabou sendo deposto porque estava promovendo uma tentativa ilegal de reformar a constituição



A reação é a mesma sempre que se menciona o Brasil entre os apoiadores do presidente deposto Manuel Zelaya: agradecimentos, euforia e vivas.

Desde que o país aceitou acolhê-lo em sua embaixada, não se encontra um zelaysta que não queira mandar um "recado" ao nosso presidente.

"Se me está escutando o presidente do Brasil, gostaria que mandasse o exército aqui, para que os militares de Honduras aprendessem que o nosso presidente é Manuel Zelaya Rosales, a quem nós demos o voto para que fosse chefe da nação", disse, com uma escopeta na mão, German Flores Vallejo, que trabalha de segurança em um McDonalds da capital hondurenha.

O apoio de Lula não é de ontem. O Brasil foi um dos primeiros países a condenar o golpe de Estado que destituiu e expatriou Zelaya em 28 de junho, quando este colocava em marcha seu projeto de reformar a constituição. Lula e a chancelaria brasileira mantiveram o discurso durante os três meses em que o presidente deposto esteve fora do país, e Zelaya chegou a ser recebido em Brasília, onde discursou no Congresso Nacional para alertar sobre a ilegalidade do governo de Roberto Micheletti.

Nas ruas de Tegucigalpa, vivas a Lula e ao Brasil durante uma manifestação pró-Zelaya

  • Rafael Alegria, um dos coordenadores do grupo
    de resistência ao golpe em Honduras, fala sobre
    o fascínio dos partidários de Zelaya pelo presidente brasileiro, em virtude do apoio oferecido ao líder deposto hondurenho. Comentários em espanhol



A última e definitiva prova de apoio chegou na última semana, quando Zelaya retornou escondido ao país e, ao bater nas portas da embaixada brasileira, foi recebido como hóspede e "presidente legítimo".O chanceler Celso Amorim contou mais tarde que ele mesmo falou com Zelaya por telefone para lhe dar "as boas vindas ao território brasileiro".

Depois disso, Lula ainda se levantou para defender o presidente deposto em um discurso na Assembleia Geral das Nações Unidas - e foi aplaudido.

"O respaldo que está dando o presidente Lula e o povo do Brasil ao povo de Honduras é extraordinário. Que bom que emprestou sua embaixada para que esteja aí o presidente Zelaya", afirmou ao UOL Notícias, em Tegucigalpa, Rafael Alegria, um dos coordenadores do grupo de resistência ao golpe de Estado. "Da embaixada do Brasil, nós vamos levá-lo à casa presidencial logo!"

É evidente que essa não é uma posição unânime. O governo Micheletti alega que as ações do Brasil caracterizam uma indevida "ingerência
  • Arte UOL
externa" em Honduras e em mais de uma ocasião pediu que o governo brasileiro anunciasse em definitivo que status recebe Zelaya: se é um exilado político, como poderia parecer, então que seja enviado ao exterior de uma vez, pede o governo golpista.

Esses não parecem ser os planos do Brasil. Nesta segunda-feira, Amorim classificou o governo brasileiro como "guardião" de Zelaya e acrescentou que seria "covardia" mudar de postura agora.

"Seria muito fácil para nós simplesmente retirar os dois diplomatas que estão lá e o oficial de administração e o problema de segurança, do ponto de vista do Brasil, terminaria", disse o chanceler.

"Mas nós não podemos fazer isso, porque seria, primeiro, um gesto de covardia e, segundo, um gesto de desrespeito à própria democracia e um incentivo a outros golpes de Estado no continente, coisa que não podemos fazer."

A resistência agradece.

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