UOL Notícias Internacional
 

23/11/2009 - 16h43

Lula destaca apoio ao Irã no enriquecimento de urânio para fins pacíficos

Claudia Andrade*
Do UOL Notícias
Em Brasília
Atualizado às 18h09

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta segunda-feira (23) que o Brasil defende o enriquecimento de urânio pelo Irã "para fins pacíficos". A declaração foi feita durante encontro com o presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad, em Brasília.

"O Brasil tem um modelo de desenvolvimento de energia nuclear reconhecido pelas Nações Unidas e conhecemos a polêmica sobre o mesmo desenvolvimento em relação ao Irã. O Brasil defende que o Irã tenha direito ao desenvolvimento de urânio para fins pacíficos, tanto quanto o Brasil vem desenvolvendo. É simples. Aquilo que defendemos para nós, defendemos para os outros", disse.

Lula disse que a defesa é feita obedecendo à Constituição, no que se refere à não proliferação e ao desarmamento nuclear. O objetivo do Brasil, segundo Lula, é encorajar o presidente iraniano a "encontrar uma solução justa e equilibrada para a questão nuclear".
  • Roberto Jayme/Reuters

    Lula se encontra com o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, em Brasília


Lula defendeu ainda a existência de um território para o povo palestino e também para o povo de Israel.

"Eu acredito firmemente que poderemos ter um mundo de paz, porque a guerra não leva ao desenvolvimento, ao progresso, à melhora da qualidade de vida das pessoas. Defendo que todos possam viver em harmonia", disse Lula.

Intermediador

Ahmadinejad disse que o presidente Lula pode atuar como um "elo entre o Irã e a América Latina" e destacou que os dois países "buscam um mundo livre de armas de destruição em massa".

Em tom diplomático, o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, afirmou hoje (23) que sua política é baseada na defesa dos direitos humanos, da paz e da produção de energia nuclear para fins pacíficos. E o Brasil pode cooperar com o Irã como um interlocutor capacitado na América Latina, disse Ahmadinejad.

"A presença do Brasil pode levar ao aperfeiçoamento. Acreditamos que o Brasil pode atuar como um elo entre o Irã e a América Latina", ressaltou.

No discurso de 17 minutos, Ahmadinejad negou as suspeitas de que o Irã esteja produzindo armas nucleares. "Os dois países [Irã e Brasil] buscam um mundo livre de armas nucleares e de destruição em massa", disse ele. "São dois países que decidiram desempenhar um papel ativo [no cenário internacional]."

Ahmadinejad defendeu ainda mudanças "fundamentais" no Conselho de Segurança da ONU (Organizações das Nações Unidas), que "fracassou na missão de garantir a segurança mundial" por conta do poder de veto de alguns países envolvidos diretamente nos conflitos mais recentes.

"O Conselho de Segurança da ONU precisa passar por profundas mudanças. Nos últimos anos, o conselho fracassou [em várias negociações]", afirmou o iraniano. "O Conselho deve ser reformado. Apoiamos a candidatura de novos membros individuais. Apoiamos a presença do Brasil como membro permanente."

Em resposta, o presidente Lula disse que o Brasil, pela posição que sempre assumiu em defesa da paz mundial, está capacitado para assumir-se como membro permanente do conselho. "Temos defendido ao longo dos últimos 15 anos a necessidade da mudança das Nações Unidas com a reforma profunda do conselho para que todos os continentes estejam representados no órgão. E para que as decisões sejam tomadas com base em uma realidade contemporânea", disse ele.

Em relação à questão nuclear, o presidente do Irã agradeceu "ao amigo" Lula pela "ótima explicação" sobre o tema e destacou que uma proposta de troca de combustíveis foi feita pelo Irã. Ahmadinejad afirmou que seu país já detém a tecnologia de enriquecimento do urânio, mas reclamou que houve uma "propaganda negativa" sobre a proposta e que a real intenção era apenas retirar combustível do Irã, sem devolver depois.

A visita de Ahmadinejad ao Brasil começou com protestos em Brasília, tanto a favor como contra a política iraniana.

Os dois governos assinaram uma série de acordos nas áreas de Ciência e Tecnologia, Agricultura, Minas e Energia e Relações Exteriores. A agenda do presidente iraniano prevê ainda uma visita ao Congresso Nacional, palestra em uma universidade privada e uma entrevista coletiva no final do dia.


* Com informações da Agência Brasil

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