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30/11/2009 - 10h57

Começa julgamento de acusado de ser vigia de campo de extermínio nazista

Do UOL Notícias*
Em São Paulo
Começou em Munique, Alemanha, nesta segunda-feira (30) o julgamento de John Demjanjuk, 89, ex-guarda de um campo de extermínio nazista. Ele é acusado de colaborar na morte de 27.900 judeus que foram enviados à câmara de gás durante a Segunda Guerra Mundial. Ele pode pegar até 15 anos de cadeia se for condenado.

O julgamento de Demjanjuk pode ser o último dos processos contra acusados de cometer crimes sob o Estado alemão nazista de Adolf Hitler. É também o julgamento do acusado de mais baixa patente: o réu é acusado de servir como vigia do campo de Sobibor, na Polônia. Os vigias não necessariamente matavam os prisioneiros com as próprias mãos, mas Demjanjuk foi considerado culpado pelos assassinatos por fazer parte da cadeia da máquina da morte nazista.
  • Michael Dalder/Reuters

    Acusado de colaborar com o Holocausto, John Demjanjuk foi hoje a julgamento em Munique


O aposentado, que mora com a família nos Estados Unidos, chegou ao tribunal em uma cadeira de rodas usando o boné e coberto por uma manta azul clara. Ele foi considerado capaz de aguentar o processo, mas as audiências foram limitadas a duas sessões de 90 minutos por dia devido à sua saúde frágil. Segundo a revista alemã "Der Spiegel", Demjanjuk sofre de gota e foi recentemente diagnosticado com leucemia - sua expectativa de vida é de menos de um ano. Sua família reclama que, em estado terminal da doença, ele não poderia ir a julgamento.

O julgamento começou com uma moção do advogado de Demjanjuk contra o juiz e os promotores, acusando-os de agirem de forma tendenciosa.

Para Efraim Zuroff, o mais importante caçador de nazistas do Centro Simon Wisenthal, o início do julgamento nesta segunda é um marco importante.

"[O julgamento] é uma mensagem poderosa de que, mesmo quem não tinha a patente de um oficial, mesmo assim é responsável [pelo Holocausto]", disse Zuroff.

Grupos judaicos e familiares das vítimas do campo de Sobibor dizem que nunca é tarde para se fazer justiça e consideram o caso Demjanjuk simbólico.

"Não vim aqui para me vingar de Demjanjuk. Eu vim para contar como era Sobibor", disse uma das partes do processo, o sobrevivente Thomas Blatt, 82. Sua família foi morta no campo de extermínio em 1943. Aos 15 anos, os responsáveis pelo campo ordenaram que ele organizasse os pertences dos judeus que seriam mandados às câmaras de gás.

"Um guarda de outro lugar, de uma cadeia, ou de um campo de concentração, fazia a vigilância para que os prisioneiros não pudessem escapar", disse Blatt. "Mas um guarda de uma fábrica da morte, de um campo de extermínio, era um assassino. Ele ajudou a matar pessoas."

Nascido na Ucrânia, John Demjanjuk lutou no Exército Vermelho da União Soviética até ser preso pelas tropas nazistas em 1942 e se oferecer para trabalhar como guarda da SS, a força paramilitar mais fiel a Hitler. Ele nega a história oferecida ao juiz pelos promotores, e diz que após ser capturado pelos militares alemães na região da Crimeia em maio de 1942, integrou o chamado Exército de Libertação Russo, uma força anticomunista aliada à Alemanha nos últimos meses da guerra.

Ele também alega que foi confundido com outra pessoa. A troca de identidades já aconteceu uma vez, em 1986, quando Demjanjuk foi deportado para Israel para ser julgado como "Ivan, O Terrível", um guarda famoso por seu sadismo que serviu no campo de Treblinka. Dois anos depois, em 1988, ele foi sentenciado à morte, mas a condenação foi cancelada quando evidências de que outro homem que seria "Ivan" chegaram à Justiça israelense.

Demjanjuk está na Alemanha desde maio, quando o governo americano liberou sua extradição à Alemanha. O processo corre na Justiça de Munique porque ele viveu na região por um breve período após a guerra. Ele emigrou para os EUA em 1951, e se naturalizou americano em 1958. Na América, ele trabalhou na indústria automotiva.

*Com informações de AP e Reuters

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