UOL Notícias Internacional
 

10/12/2009 - 04h47

Abortada saída de Zelaya da embaixada brasileira em Honduras

Do UOL Notícias
Em São Paulo*
A negociação que garantiria a saída do presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, da embaixada brasileira no país foi abortada na madrugada desta quinta-feira. Zelaya afirmou que o governo interino "abortou o processo que estava sendo promovido pelo México" para que ele pudesse deixar o país, ao exigir sua renúncia ao cargo de líder como condição para sua saída.
  • EFE

    Seguidores de Manuel Zelaya protestam em frente à embaixada brasileira em Tegucigalpa

O presidente deposto fez a declaração à rede de televisão mexicana Televisa, após o ministro das Relações Exteriores hondurenho, Carlos López, afirmar que o pedido de salvo-conduto feito pelo México para que Zelaya pudesse viajar ao país foi negado. O chanceler garantiu, no entanto, que a possibilidade do documento ser concedido "segue em aberto".

O governo hondurenho "negou (o salvo-conduto) pela forma como foi feita a solicitação e pela falta de qualificação jurídica do tipo de asilo que lhe pretendiam conceder", explicou López à imprensa local. O chanceler não quis entrar em detalhes sobre os termos da solicitação mexicana. "Não quero me estender sobre esse tema porque diz respeito à relação bilateral entre os dois países. Posso dizer apenas que o pedido não reunia as condições apropriadas", justificou.

Entenda a crise em Honduras

  • AP/Reuters


    Por que Manuel Zelaya foi deposto?

    Presidente desde 2006, Manuel Zelaya (esq.) liderou um governo que se afastou gradualmente do Partido Liberal que o elegeu, aproximando-se de governos de esquerda da América Latina, como Cuba e Venezuela. Ao implementar medidas populares, como um drástico aumento do salário mínimo, foi alvo de críticas dos empresários locais e aos poucos perdeu respaldo do Congresso.

    O ponto crítico veio com a proposta de reformar a Constituição, que Zelaya tentou encaminhar sem passar pelo poder legislativo, por meio de uma consulta popular que perguntava aos hondurenhos se eles aprovariam uma mudança constitucional.

    Juízes hondurenhos declararam a iniciativa ilegal, apoiados por uma cláusula legal que proíbe a alteração de certos trechos da Constituição (entre eles a proibição da reeleição presidencial). O exército então anunciou que não daria apoio logístico para o referendo, e Zelaya ordenou que seus aliados organizassem a eleição sem apoio militar.

    A Justiça entendeu que a ação era criminosa e ordenou a prisão do presidente. No dia em que aconteceria o referendo, militares entraram na casa presidencial, tiraram Zelaya da cama e colocaram-no em um avião ainda de pijamas. No mesmo domingo, uma falsa carta de renúncia foi apresentada e poder foi entregue ao próximo na linha sucessória: Roberto Micheletti (dir.), presidente do Congresso

    Por que Zelaya depois se abrigou na embaixada brasileira?

    Após ter sido deposto, Zelaya passou dois meses visitando governos em busca de apoio internacional. Em 21 de setembro, entrou escondido no país e foi para a embaixada brasileira em Honduras, que é considerada território brasileiro - com isso, Zelaya se protegia das ordens de prisão emitidas contra ele em Honduras.

    A intenção do presidente deposto ao voltar para o país era aumentar a pressão por um acordo, e chegou a clamar por protestos entre seus apoiadores desde o prédio da representação diplomática do Brasil. Segundo o governo brasileiro, que classifica Zelaya como "hóspede" e não impõe data para sua saída, a embaixada não tinha conhecimento dos planos do presidente deposto e não colaborou com seu retorno



Em entrevista à versão hispânica da rede de televisão CNN, López afirmou, no entanto, que o governo de Roberto Micheletti aceitaria "com muito gosto" a concessão de asilo do México ao presidente deposto. Só que esta possibilidade já havia sido descartada por Zelaya, que não aceita deixar o país como exilado. À TV Telesur, o presidente deposto disse que não pediu asilo político a nenhum país. "Em caso de uma eventual saída de Honduras, ela ocorreria na qualidade de presidente dos hondurenhos."

Na noite de ontem, o Ministério das Relações Exteriores do Brasil chegou a confirmar a iminente saída de Zelaya da embaixada brasileira em Tegucigalpa. Além disso, o encarregado de negócios da embaixada brasileira, Francisco Catunda, afirmou à Globonews que o presidente deposto havia aceitado um convite feito pelo presidente do México, Felipe Calderón, para se abrigar no país como um "hóspede de honra". Permaneceria, portanto, em situação análoga a que ele se encontra na Embaixada do Brasil.

Deposto em 28 de junho, Zelaya retornou para Honduras secretamente há três meses e meio. Desde então, Zelaya é hóspede da Embaixada do Brasil. Na semana passada, o Congresso de Honduras decidiu que Zelaya não retornará ao poder.

Países exigem renúncia de Micheletti para legitimar novo governo
Os presidentes da Costa Rica, Oscar Arias, e do Panamá, Ricardo Martinelli, advertiram nesta terça-feira o presidente eleito de Honduras, Porfirio Lobo, que ele deve conseguir que Roberto Micheletti renuncie antes de sua posse, em 27 de janeiro, como forma de legitimar seu governo e obter o reconhecimento internacional.

Arias e Martinelli, únicos presidentes centro-americanos que reconheceram as questionadas eleições hondurenhas, se reuniram na noite de terça-feira em San José com Lobo, que fez sua primeira viagem ao exterior depois de vencer as eleições de 29 de novembro, em busca de apoio para acabar com o isolamento que Honduras vive desde o golpe de Estado de 28 de junho.

"Vai ser muito difícil que a comunidade internacional esteja disposta a aceitar o futuro governo", alertou Arias, Prêmio Nobel da Paz que, sem sucesso, tentou mediar as negociações por um fim à crise hondurenha. Ele disse ainda que conversou com presidentes do continente e também da União Europeia, que, em sua maioria, expressaram a necessidade da renúncia de Micheletti para que possa haver um reconhecimento diplomático de Lobo.

*Com informações da Folha Online e de agências internacionais

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