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02/01/2010 - 07h00

Eleições 2010 colocam holofotes em conservadores das Américas e da Europa

Maurício Savarese
Do UOL Notícias
Em São Paulo
A onda rosa que varreu a Europa há cerca de dez anos está por um fio a ser cortado nas eleições gerais do Reino Unido. Na América Latina, há chances razoáveis de Brasil e Chile - vitrines esquerdistas do continente - mudarem de direção apesar de seus governos populares. Em baixa nas pesquisas de popularidade, o presidente democrata dos Estados Unidos, Barack Obama, deve sofrer para manter sua maioria no Congresso. Afinal, os conservadores estão de volta.

O cenário mais promissor para os defensores dos cortes de gastos públicos está no Reino Unido, onde o Partido Conservador deve desalojar o impopular primeiro-ministro Gordon Brown por ampla maioria. É tão baixo o apoio ao sucessor de Tony Blair que o Partido Trabalhista teme terminar as eleições gerais - a serem realizadas entre maio e junho - em terceiro lugar, atrás do Partido Liberal Democrata, de centro-direita. Caso as pesquisas se confirmem, David Cameron, 43, será o novo premiê.

A provável derrota dos trabalhistas britânicos dará fim à chamada "onda rosa" que elegeu no fim dos anos 90 governos de centro-esquerda nas principais potências europeias: Reino Unido, Alemanha, França e Itália. Embora mantenha a esquerda no poder com o primeiro-ministro José Luis Zapatero, a Espanha o elegeu pela primeira vez na esteira dos ataques terroristas de 11 de março de 2004, em uma votação que dias antes daria a vitória ao conservador governista Mariano Rajoy.


Na América Latina a maior hegemonia política da região estará em jogo já em janeiro, quando o Chile decide em segundo turno o sucessor da popular presidente Michelle Bachelet. A briga será entre o liberal Sebastián Piñera e o ex-mandatário Eduardo Frei, candidato da Concertação - grupo de centro-esquerda de todos os ocupantes do Palácio La Moneda desde a restituição da democracia, em 1990.

O empresário sócio da companhia aérea LAN, que rejeita o rótulo de conservador por se dizer "liberal clássico", venceu o primeiro turno por ampla vantagem, porém insuficiente para definir a disputa. Ele é o favorito para bater o democrata-cristão Frei, que dividiu a esquerda chilena no fim dos anos 90 ao pressionar para que o ex-ditador Augusto Pinochet (1915-2006) fosse libertado da prisão em Londres, devido a crimes contra a humanidade durante seu governo.

No Brasil, a oposição também aparece na frente nas pesquisas de intenção de voto, com o governador de São Paulo, José Serra, apesar dos cerca de 80% de aprovação popular ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Embora esteja a votação seja apenas em outubro, o Palácio do Planalto espera grandes dificuldades para eleger a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff.

Na Colômbia, pouco depois de as eleições chilenas sinalizarem se há crescimento conservador na América do Sul, o favorito é presidente Álvaro Uribe, maior aliado dos Estados Unidos na região e adversário do venezuelano Hugo Chávez. Ele ainda depende de autorização da Justiça para em maio concorrer pela terceira vez. Com sua popularidade em alta por conta do confronto com guerrilheiros e narcotraficantes, não tem rival no país até o momento.

Legislativas
Além das eleições presidenciais, 2010 também contará com decisivas votações parlamentares. A mais importante delas será nos Estados Unidos, em novembro. Com popularidade em baixa, o presidente Obama tentará manter sua sólida maioria no Congresso, desafiada por uma cada vez mais agressiva oposição republicana.

A Câmara dos Representantes escolhe seus 435 membros - hoje ela conta com 256 democratas, 178 republicanos e tem uma cadeira vaga. Um terço do Senado será renovado, em uma casa onde a vantagem de Obama é mais frágil.

São 58 democratas, 40 republicanos e dois independentes, sendo que os últimos foram decisivos na aprovação do controverso plano de saúde da Casa Branca na véspera de Natal. Historicamente o partido que vence as eleições presidenciais é derrotado na votação de meio de mandato.

Duas outras eleições legislativas devem pesar sobre a americana: o Iraque, ex-número 1 na agenda dos Estados Unidos, indica seus novos representantes em março e o Afeganistão, sob vigilância ainda maior, fará o mesmo em maio. Durante a administração de George W.Bush a Casa Branca aumentou o contingente de soldados enviados ao Iraque, um movimento que Obama copiou em relação ao Afeganistão há poucas semanas.

Embora sem data fixada, até um dos regimes mais fechados do mundo resolveu marcar eleições para 2010. A junta militar que governa Mianmar criou uma espécie de parlamento bicameral que estará em disputa - exceto para prisioneiros políticos. Alguns analistas preferem avaliar a votação no conturbado país asiático como uma tentativa de legitimar a ditadura.

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