UOL Notícias Internacional
 

13/01/2010 - 07h00

Cabinda e Luanda vivem clima tranquilo, mas temem aumento da repressão após a Copa Africana

Guilherme Balza
Do UOL Notícias
Em São Paulo
Cinco dias após o atentado ao ônibus da seleção de Togo que terminou com duas mortes, o clima é tranquilo nas ruas de Luanda, capital de Angola, e Cabinda, município localizado na província de mesmo nome, foco das tensões separatistas, segundo relatos de fontes de Angola entrevistadas pelo UOL Notícias.

Após o término da Copa Africana de Nações, sediada em Angola, a repressão às forças separatistas pelo governo central deverá se intensificar, na opinião dos entrevistados.

De acordo com Tomás Lelo, funcionário em Cabinda da Associação Provincial de Futebol, atualmente trabalhando na organização da Copa Africana de Nações, o atentado chocou a população cabindense, mas a situação na cidade de Cabinda não é de tensão.

"Todos aqui estranharam o ataque, ninguém acreditava que poderia acontecer aquilo que aconteceu. Mas agora voltou tudo ao normal", afirma Lelo, que nasceu em Cabinda, cresceu em Luanda, morou no exterior e há dez anos voltou a morar e a trabalhar na cidade de origem.

Segundo ele, houve um reforço no aparato policial, sobretudo nas entradas da província e nos arredores da capital, mas "não há clima de estado de sítio" em Cabinda. Para exemplificar, Lelo cita a partida de terça-feira (11), em que Costa do Marfim e Burkina Fasso empataram em 0 a 0.

"O campo, onde poderiam jogar uma bomba, ficou cheio no jogo de ontem [terça-feira]. As pessoas inclusive foram a pé até o estádio, há passeatas pela cidade. Não há clima de medo", diz.

Para Lelo, contudo, a repressão do governo de Luanda aos rebeldes separatistas deve aumentar após o fim da Copa Africana de Nações. "Tudo indica que vai haver uma intensificação da repressão, mas eles devem agir mais nas fronteiras", prevê.

De acordo com ele, a maioria da população cabindense apoia a independência da província. "O cabindense não se considera angolano, a não ser para evitar problemas. E a maior parte dos cabindenses é favorável à independência", afirma.

As fronteiras de Cabinda foram determinadas em 1885 na Conferência de Berlim, ocasião em que as potências imperialistas da Europa dividiram o território africano para exploração e colonização. Atualmente, a província, com quase 300 mil habitantes e 7.283 km², concentra quase 80% da produção de petróleo de Angola. O território também é rico em diamantes e em madeira.

Apesar disso, segundo Lelo, a região é a mais pobre de Angola. "Não temos porto, estradas. Tudo tem que vir de avião, como produtos importados. Aqui é a região mais pobre do país", diz.

Luanda
A situação nas ruas de Luanda também é de tranqüilidade, segundo Guilherme Azevedo, publicitário e jornalista brasileiro que também participa da organização da Copa Africana. "A noticia deixou todos chocados, tristes. Foi uma decepção generalizada. Havia uma expectativa grande em razão do campeonato. Depois do ataque, o governo aumento o policiamento em Luanda, mas o clima já está mais tranquilo", afirma.

Azevedo também crê em uma retaliação por parte do governo de Luanda aos rebeldes separatistas. "Vai haver uma retaliação forte. Todo mundo comenta isso. Muita gente aqui inclusive acha que eles merecem uma reação armada", diz. "Os angolanos se orgulham muito do Exército. Dizem que é o melhor do sul da África e que por isso ninguém se mete com eles", acrescenta.

Segundo Azevedo, os brasileiros com quem ele conversou estão tranqüilos. "Os brasileiros têm um bom relacionamento aqui. Há um certo receio normal, mas não há um temor generalizado", afirma.

Ainda de acordo com Azevedo, não há liberdade de imprensa em Angola --os únicos diários são estatais-- o que dificulta o acesso à informações sobre os acontecimentos envolvendo o ataque ao ônibus da seleção de Togo. "Nos informamos por veículos estrangeiros", diz.

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