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13/01/2010 - 13h00

Exército confirma morte de 11 militares no Haiti; terremoto mata também Zilda Arns

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Em São Paulo
Atualizado às 19h46

Zilda Arns: uma vida dedicada ao próximo

  • Arquivo Folha Imagem

    Zilda Arns, 75, fundadora e coordenadora da Pastoral da Criança e da Pastoral da Pessoa Idosa, participava de missão humanitária e está entre as vítimas do terremoto de 7 graus que assolou o Haiti


O comando do Exército confirmou em nota oficial divulgada no início da tarde desta quarta-feira (13) que 11 militares brasileiros morreram vítimas do terremoto de 7 graus na escala Richter que devastou a capital do Haiti, Porto Príncipe. A tragédia também matou Zilda Arns, 75. Médica pediatra e sanitarista, Zilda Arns era fundadora e coordenadora da Pastoral da Criança e da Pastoral da Pessoa Idosa, órgão de Ação Social da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) e foi indicada por três vezes ao Prêmio Nobel da Paz.

O corpo de Zilda Arns está em uma unidade do Exército brasileiro na capital haitiana e deve ser transportado para o Brasil nesta quinta-feira (14). Ela morreu soterrada entre escombros de uma igreja no terremoto em Porto Príncipe. Assim que chegar ao Brasil, o corpo será enterrado no Cemitério Água Verde, após vigília na sede da Pastoral da Criança na capital paranaense.

Os militares que morreram na tragédia são: o 1º tenente Bruno Ribeiro Mário, o 2º sargento Davi Ramos de Lima, o 2º sargento Leonardo de Castro Carvalho, o cabo Douglas Pedrotti Neckel, o cabo Washington Luis de Souza Seraphin, o soldado Tiago Anaya Detimermani, o soldado Antonio José Anacleto, o cabo Arí Dirceu Fernandes Júnior, o soldado Kleber da Silva Santos, e o subtenente Raniel Batista de Camargo. Morreu ainda o coronel Emilio Carlos Torres dos Santos, do Gabinete do Comandante do Exército e que trabalhava na Minustah, a missão brasileira no Haiti ligada às Nações Unidas.

Estão desaparecidos sete militares. Há sete feridos em atendimento no Hospital Argentino da Minustah e dois outros militares foram enviados para a República Dominicana. Também está desaparecido Luiz Carlos da Costa, representante especial adjunto das Nações Unidas no Haiti, o mais alto funcionário civil da ONU de nacionalidade brasileira no país.
  • EFE / Radio Tele Ginen Haiti

    Mulher se desespera ao ver escombros de casas destruídas pelo terremoto no Haiti


A ONU (Organização das Nações Unidas) anunciou na noite desta quarta-feira que 14 dos seus funcionários no Haiti foram encontrados mortos e 150 estão desaparecidos. Entre eles está o tunisiano Hedi Annabi, chefe da Missão das Nações Unidas para Estabilização no Haiti (Minustah), que estava entre as desaparecidas nos escombros do prédio da ONU em Porto Príncipe.

Ainda não há números oficiais de vítimas e prejuízos, mas a Cruz Vermelha calcula que 3 milhões de pessoas foram afetadas. O primeiro-ministro do Haiti, Jean-Max Bellerive, afirmou à rede de TV norte-americana CNN que o número de mortos pode superar os 100 mil. Mais cedo, o embaixador do Haiti na Organização dos Estados Americanos (OEA), Duly Brutus, disse que o sismo causou "dezenas de milhares de vítimas e perdas materiais consideráveis".

Relatos que chegam pelas agências de notícias informam que diversos edifícios desabaram no país, inclusive o palácio presidencial da capital Porto Príncipe. Também o prédio da Organização das Nações Unidas (ONU) e a Catedral desmoronaram pelos tremores. A maior prisão de Porto Príncipe desabou e alguns dos presos conseguiram fugir, segundo a ONU.

De acordo com as agências internacionais, vários feridos aguardam ajuda médica pelas ruas da capital haitiana. Um hospital argentino, que afirma ser o único de pé na cidade, atendeu mais de 800 pessoas, apesar de enfrentar uma situação crítica devido ao grande número de mortos e feridos, segundo declarou seu diretor a uma TV argentina. "Muitas crianças foram deixadas no hospital porque seus pais estão voltando para casa em busca de outros parentes ou por temor dos saques", contou Daniel Desimone.

Uma repórter fotográfica brasileira afirmou à Folha Online que há casas desmoronadas, muitos feridos e corpos nas ruas. "A reação das pessoas é imprevisível, porque agora a luta é pela sobrevivência. Não tem comida, não tem água, não tem nada. Estamos em racionamento. A situação aqui está desgovernada", conta.

O professor Antropologia Omar Ribeiro Thomaz e sete alunos da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) estão em Porto Príncipe desde o dia 31 de dezembro para uma pesquisa de campo no Haiti. No blog do grupo, eles disseram que a situação na cidade "está bem complicada" e que "o terremoto foi muito forte".

"Saindo às ruas em busca de água, o pessoal viu muitas pessoas feridas na rua, mortas, casas desabadas e pessoas retirando os escombros, além de briga por comida, saques, um tiroteio, e o pior, aparentemente, tudo isso sem a presença de nenhum tanque, carro ou oficial da ONU nesses primeiros momentos de pavor da população", relata o estudante Werner Pereira.

A ONG Viva Rio, que possui cerca de 400 funcionários em Porto Príncipe, sendo nove brasileiros, está abrigando em sua sede muitos afetados pelo tremor. Não se sabe ao certo quantas pessoas estão no local, mas as primeiras informações são de que há 8.000 desabrigados. Aproximadamente 300 pessoas estão trabalhando para ajudar os atingidos. A ONG abriu uma conta para receber doações.

Logo após o tremor, na noite de terça-feira, um cinegrafista ligado à agência de notícias Associated Press disse que presenciou o desabamento de um hospital em Pétionville, subúrbio de Porto Príncipe.
  • Arte UOL

    Nome oficial: República do Haiti
    Capital: Porto Príncipe
    População: 9.035.536
    Idiomas: francês e francês crioulo
    Religião: católica, protestante,afro-americanas
    Etnias: negros (95%), mulatos e brancos (5%)
    IDH (Índice de Desenvolvimento Humano): 148º
    Tipo de governo: república presidencialista
    Divisão administrativa: o país é divido em 10 departamentos


Outro repórter da agência Reuters afirmou que viu dezenas de mortos e feridos entre os escombros espalhados pelas ruas. "Tudo começou a tremer, as pessoas gritavam, casas começaram a cair... está um caos total", disse o repórter Joseph Guyler Delva.

Danos às instalações brasileiras
O Brasil comanda cerca de 7.000 soldados da força de paz da Organização das Nações Unidas (ONU) no Haiti, enviada ao país em 2004. O ministro das Relações Exterior, Celso Amorim, afirmou nesta quarta-feira que há mais de 1.310 brasileiros no Haiti. Segundo estimativa do Itamaraty, há 1.260 militares e aproximadamente 50 civis brasileiros.

Em nota oficial na noite dea terça-feira, o Ministério da Defesa do Brasil informou que houve "ocorrência de danos materiais em algumas instalações usadas por brasileiros".

O escritório da embaixada, por exemplo, teve muitos danos. Os militares brasileiros estão em uma planície onde não há construções altas, então ali não há tanto perigo. Mas a área da chancelaria sofreu bastante", disse o embaixador do Brasil no país, Igor Kipman, em entrevista à rádio CBN.

Militares brasileiros mortos no Haiti

Função Nome
Coronel Emilio Carlos Torres dos Santos
1º Tenente Bruno Ribeiro Mário
Subtenente Raniel Batista de Camargos
2º Sargento Davi Ramos de Lima
2º Sargento Leonardo de Castro Carvalho
Cabo Arí Dirceu Fernandes Júnior
Cabo Douglas Pedrotti Neckel
Cabo Washington Luis de Souza Seraphin
Soldado Antonio José Anacleto
Soldado Kleber da Silva Santos
Soldado Tiago Anaya Detimermani

O representante do Brasil no Haiti também afirmou que houve danos sérios em inúmeros imóveis na capital do país. O embaixador informou que sua volta ao Haiti, onde vive há dois anos, estava prevista para a próxima quinta-feira (14), mas deve decidir nesta quarta se antecipa sua volta ou se permanece no Brasil.

Telefone emergencial
O Ministério de Relações Exteriores brasileiro criou uma sala de crise, com funcionamento 24 horas, para atender as vítimas do forte terremoto que atingiu o Haiti.

Os seguintes telefones foram abertos pelo Itamaraty: 61 3411-8803/ 61 3411-8805 / 61 3411-8808 / 61 3411-8817 / 61 3411-9718 ou 61 8197-2284.

Local do tremor
De acordo com o Serviço Geológico dos Estados Unidos, o epicentro do terremoto aconteceu a cerca de 10 km de profundidade e a 16 km de Porto Príncipe, que tem uma população de cerca de 1 milhão de pessoas. O terremoto foi seguido de outros tremores, sendo dois de magnitudes de 5,9 e 5,5.

O tremor foi sentido com força em quase todo o território da República Dominicana, país situado na ilha de Hispaniola, como o Haiti, e também no leste de Cuba.

Ajuda externa
Em discurso nessa quarta-feira, o presidente dos EUA, Barack Obama, prometeu um forte apoio para que o Haiti se recupere. "O povo do Haiti terá o apoio total dos Estados Unidos no esforço urgente para resgatar aqueles que estão presos sob os escombros e entregar a ajuda humanitária, o alimento, água e medicamentos, que os haitianos precisarão nos próximos dias", informou Obama, lembrando que ainda trabalha para ter rapidamente informações dos "muitos americanos que moram e trabalham no Haiti."

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em nota, afirmou que se sente "profundamente consternado" com as consequências do terremoto que atingiu o Haiti, principalmente em razão da presença de brasileiros que participam da força de paz da ONU no país. Lula lamentou a morte de Zilda Arns.

O Brasil anunciou o envio de US$ 10 a 15 milhões e 14 toneladas de alimentos para o Haiti. O ministro da Defesa, Nelson Jobim, embarcou nesta quarta-feira na Base Aérea de Brasília para verificar a situação do Haiti e ver de que forma o Brasil pode intensificar a ajuda às vítimas. República Dominicana, França, Colômbia e Venezuela também já se comprometeram a ajudar o país.

O BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) anunciou um subsídio de emergência de US$ 200 mil para fornecer comida, água, remédios e abrigo para as vítimas do terremoto, que poderia ter causado centenas de mortos, disseram testemunhas. "Estamos acompanhando de perto a situação e estamos prontos para ajudar o Haiti a lidar com esta catástrofe", disse o presidente do banco, Luis Alberto Moreno. "Estamos em contato com outros doadores, para partilhar informações e coordenar as ações de resposta."

Desafio para o Brasil

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem uma grande oportunidade no desafio à sua frente de ajudar o Haiti. A pretensão do Brasil de se tornar uma potência na diplomacia internacional pode agora ser colocada em prática. O governo brasileiro tem meios de ser muito útil no trabalho humanitário e de reconstrução do país caribenho


A própria ONU (Organização das Nações Unidas), com sede nos Estados Unidos, anunciou que está preparando um enorme esforço internacional no Haiti, enquanto seus funcionários tentavam em vão entrar em contato com seus representantes no país.

"Tentamos entrar em contato com as nossas equipes no terreno, mas temos problemas de comunicação, o que não é surpreendente depois de uma catástrofe como essa", disse o porta-voz do Escritório de Coordenação dos Assuntos Humanitários (OCHA), Stephanie Bunker.

Bunker disse que a OCHA tinha enviado mensagens de aviso para diferentes locais em todo o mundo com o objetivo de preparar uma mobilização excepcional de ajuda ao Haiti.

Histórico de tremores na região
O terremoto desta terça foi um dos mais fortes já registrados no Haiti e na República Dominicana, que compartilham a ilha caribenha de Hispaniola. O tsunami resultante deste tremor matou quase 2.000 pessoas. Mas, o terremoto desta terça-feira seria o mais forte tremor de terra em cem anos no Haiti.

"Desde o terremoto de 4 de agosto de 1946, que foi de 8,1 graus, não tínhamos registrado, pelo menos em nosso país, um fenômeno tão grande como este", afirmou o diretor do Instituto Sismológico Universitário da República Dominicana, Eugenio Polanco.

De acordo com cientistas, a ilha de Hispaniola está entre duas placas tectônicas, a placa da América do Norte e a Caribenha e, quando estas placas se movimentam uma contra a outra num movimento horizontal, os terremotos ocorrem na região. E, de acordo com geofísicos, as duas placas apresentam um movimento de 20 milímetros por ano.

Nos últimos 50 anos, milhares de pessoas foram vítimas de terremotos na América Latina. O tremor mais forte registrado nesse período, não apenas no continente como em todo o mundo, ocorreu no Chile em 22 de maio de 1960 e atingiu 9,5 graus na escala Richter. Mais de 2.000 pessoas morreram.

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Placas tectônicas
Os terremotos se produzem pelo movimento das placas tectônicas que compõem a crosta terrestre. Cerca de 90% dos tremores ocorrem ao longo das linhas de colisão entre as placas, que passam por vários países.

A costa oeste da América do Sul fica numa região de encontro de duas placas: a placa de Nazca, submersa no Oceano Pacífico, e a placa sul-americana, onde fica o continente.

A linha de colisão entre as placas dos oceanos Atlântico e Pacífico percorre toda a costa oeste das Américas do Norte, Central e Sul. Portanto os países que ficam ao longo dessas falhas, como Estados Unidos, México, Guatemala, Nicarágua, El Salvador, Peru e Chile, têm recebido ao longo dos anos os mais devastadores terremotos de que se tem registro.


*Com informações das agências internacionais, Folha Online, Jovem Pan, Agência Brasil e keila Santana, de Brasília.

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