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04/04/2004 - 12h35
Guiné-Bissau/Eleições: Carlos Gomes Jr, o homem sobre quem recaem as esperanças

José Sousa Dias, da Agência Lusa Bissau, 04 Abr (Lusa) - Carlos Gomes Júnior, presidente do Partido Africano de Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), deverá ser o futuro primeiro-ministro da Guiné-Bissau, após o anúncio oficial de hoje do resultado das eleições de Março, que lhe dão a vitória.

Apesar de não dispor de uma maioria absoluta no parlamento, tudo indica que o líder do PAIGC se prepara para formar o novo governo da Guiné-Bissau.

Segundo os dados finais provisórios oficiais, o PAIGC elegeu 45 dos 102 deputados à futura Assembleia Nacional Popular (ANP), seguido pelo Partido da Renovação Social (PRS), com 35, Partido Unido Social-Democrata (PUSD), com 17, e pelas coligações União Eleitoral (UE), com dois, e Aliança Popular Unida (APU), com apenas um Trata-se de um homem que diz que espera estar "à altura" de todas as esperanças de um povo.

Já algo rodado na política, onde chegou à "alta esfera" apenas no V Congresso do PAIGC, realizado em Dezembro de 1991, Carlos Gomes Júnior, um político-gestor-empresário de 55 anos ascendeu à liderança do antigo partido único no IV Congresso Extraordinário, que decorreu em Janeiro e Fevereiro de 2002.

à cabeça tinha três prioridades: liderar o partido, ganhar as eleições legislativas e "devolver a dignidade" a um povo massacrado por anos de sacrifícios e de miséria, garantindo uma boa governação e desenvolver economicamente o país.

As duas primeiras, disse à Agência Lusa, já as cumpriu, faltando agora a oportunidade para liderar a terceira, tarefa "gigantesca" mas para a qual espera contar com o apoio de todos os políticos, inclusivamente os do próprio PAIGC.

Assumindo que há combates a travar dentro do próprio PAIGC, Carlos Gomes Júnior sabe que vai contar com alguns entraves à chefia do partido e do governo, uma vez que conhece o peso da sua estrutura e que a renovação que pretende impor tem opositores de peso.

Tendo já indicado que está disponível para incluir quadros "competentes" no seu executivo, o líder do PAIGC sabe ainda que há muitos "seniores" no partido que desejam ocupar lugares ministeriáveis, razão pela qual o bom senso que demonstra, e que é reconhecido pelos seus adversários políticos, terá de imperar.

No saber gerir das divergências entre a velha e nova geração do PAIGC estará o sucesso da sua política, na qual também quer envolver quadros fora da esfera política do partido.

"Nomes não me faltam e sei reconhecer quando há competência", comprometeu-se, numa alusão ao facto de ter "consciência" de que os erros do passado, os "amiguismos", os "negócios" e as "intrigas", pertencem a isso mesmo, ao passado.

Mas Carlos Gomes Júnior tem também pela frente uma oposição que promete ser "feroz", como já ficou demonstrado nos últimos dias pelo Partido da Renovação Social (PRS), que só hoje acedeu a aceitar a divulgação dos resultados da votação iniciada há uma semana.

Culto, discreto e educado, Carlos Gomes Júnior provou isso mesmo durante a campanha eleitoral, quando as restantes 14 forças políticas se lançaram na "caça ao voto". Demarcou-se imediatamente das acusações pessoais e afirmou que não o faria em qualquer circunstância.

Com essa atitude, pretende demonstrar a todos como se pode devolver a credibilidade ao país, garantindo coerência e eficácia na governação, à semelhança do sucesso granjeado nos inúmeros cargos de administrador de várias empresas guineenses, na sua grande maioria ligadas a congéneres portuguesas.

Conhecido popularmente por "Cadogo Filho", uma vez que o pai, Carlos Domingos Gomes, também empresário, é, por sua vez, conhecido por "Cadogo", o presidente do PAIGC começou na política no início da década de 80, quando participou nos Comités de Bairro de Bissau.

É no V Congresso do PAIGC (Dezembro de 1991) que "ascende" pela primeira vez a delegado, mantendo-se, contudo, afastado dos centros de decisão, embora tenha sido eleito deputado, pela primeira vez, nas também primeiras eleições multipartidárias do país, em 1994.

O ano de 1996 marca a sua viragem política, pois, no VI Congresso do partido, é eleito membro do Bureau Político, integrando também a Comissão Preparatória do 40º aniversário da fundação do PAIGC.

No III Congresso Extraordinário do PAIGC, em 1999, é reeleito membro do Bureau Político e escolhido como secretário para as Relações Exteriores e Cooperação Internacional do partido.

No âmbito parlamentar interno e externo, além de deputado, foi 1º vice-presidente da Assembleia Nacional Popular (ANP) e 2º secretário do Comité Inter-Parlamentar da União Económica e Monetária da África Ocidental (CIP-UEMOA), onde chegaria a vice-presidente.

Se, na política, pode eventualmente ter chegado "tarde", na vida empresarial Carlos Gomes Júnior tem tido sucesso, tendo como base o mercado ligado aos combustíveis e bancário, o que lhe abriu as portas para outros negócios em mais de uma dezena de empresas lucrativas.

Passou pela DICOL (combustíveis), criou a Grucar (supermercados), co-fundou a Petromar (petróleo) e outras empresas ligadas ao ramo automóvel (Steia) e aos sectores farmacêutico (CEDIC e CEDIFAR) e turístico (Agência Sagres).

Pelo meio, ainda no quadro empresarial e bancário, é administrador de Petrogás, Soguipal (importação e exportação) e ainda do Banco da África Ocidental (BAO), o único que opera no país.

É ainda fundador e presidente do Rotary Club de Bissau, da União Desportiva Internacional de Bissau (UDIB, equipa que venceu o campeonato de futebol na época transacta) e ex-vice-presidente da Câmara de Comércio, Indústria e Agricultura da Guiné-Bissau.

Natural de Bolama, a antiga capital guineense a Sul de Bissau onde nasceu a 19 de Dezembro de 1949, Carlos Gomes Júnior estudou em Portugal no Colégio da Parede, arredores de Lisboa, regressando ao país em 1967 para ingressar na Escola Comercial e Industrial.

Acabados os estudos secundários, frequentou vários cursos de formação e reciclagem ligados aos sectores bancário (no Banco Central dos Estados da África Ocidental - BCEAO) e da economia petrolífera (na Universidade LAVAL, no Quebeque, Canadá).

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