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24/08/2007 - 17h48
Fim de embargo europeu de armas à China está mais distante

Por Rui Boavida, da Agência Lusa

Pequim, 24 Ago (Lusa) - Em janeiro de 2004, houve quem chamasse de "champanhe e molho de soja" a visita do presidente chinês à França, quando Paris inclusive prometeu a Hu Jintao apoio contra o embargo à venda de armas.

Paris banhou a Torre Eiffel de luz avermelhada, organizou uma parada nos Campos Elísios que incluiu acrobatas chineses e convidou Hu para discursar no Parlamento francês, mas o grande momento aconteceu quando o presidente francês manifestou a sua oposição ao embargo europeu à venda de material militar ao país asiático.

"O embargo não corresponde de forma alguma à realidade do mundo contemporâneo", disse Jacques Chirac, em entrevista coletiva ao lado do governante chinês.

O fim do embargo nunca esteve tão próximo como em 2004, quando Chirac e o então chanceler alemão Gerard Schroeder tentaram convencer a União Européia (UE) a suspender a proibição da venda de armas, imposta após a repressão militar na praça da Paz Celestial em 1989, quando o exército chinês esmagou as manifestações pacíficas pró-democracia.

Com as alterações políticas na França e na Alemanha (Nicolas Sarkozy substituiu Chirac e Schroeder deu o lugar a Angela Merkel), o fim do embargo parece cada vez mais distante, apesar do apoio de países da UE.

No domingo, Angela Merkel inicia uma visita oficial à China. A chanceler alemã deverá manifestar mais uma vez a sua oposição à suspensão da proibição, que exige o voto unânime dos 27 países do bloco europeu.

Segundo declarações à Agência Lusa de diplomatas em Pequim e Bruxelas, que pediram o anonimato, a hipótese do fim do embargo da venda de armas é tão remota que não existe a preocupação em fazer os cálculos dos potenciais votos a favor da medida.

Suspensão do embargo

"É difícil de dizer quem está a favor ou contra. É uma questão que não tem sido discutida no grupo de trabalho das relações entre União Européia e Ásia", afirmou um diplomata de uma embaixada européia ligada à UE.

De acordo com o embaixador de um dos países da atual troika comunitária (que representa o bloco nos domínios das relações exteriores), formada por Alemanha, Portugal e Eslovênia, o mesmo acontece na capital chinesa.

"A suspensão do embargo não é um assunto que tenha estado nos últimos tempos em discussão entre os embaixadores europeus em Pequim", afirmou o diplomata.

Segundo os opositores, a medida dificulta a melhoria das relações com Pequim e coloca o país ao lado de Sudão, Birmânia e Zimbábue, também sujeitos a embargos de venda de armas. Além disso, não melhora a forma como a China trata os direitos humanos.

França e Reino Unido interpretam o texto do embargo de forma tão sumária que continuam a vendendo à China tudo o que não seja material bélico letal, incluindo peças e aparelhos para a Força Aérea, radares e equipamento como sistemas de rastreio por satélite, que podem ter uso civil e militar.

Outro grupo defende que a China já melhorou de forma suficiente a defesa dos direitos humanos e lembra que o país é o maior parceiro comercial da União Européia, com um comércio bilateral que cresceu 25,3% em 2006 para os US$ 272,3 bilhões (R$ 528.2 milhões).

"O que eles querem dizer é que se a UE apoiar a China neste ponto, Pequim vai-nos recompensar com mais compras, começando por mais aviões da Airbus", disse à Agência Lusa na capital chinesa um diplomata de um país contrário à interrupção do embargo.

Posições

Holanda, Suécia e Dinamarca estão entre os países que defendem a manutenção da medida. Alemanha e Reino Unido terão de obter autorização dos respectivos parlamentos para votar a favor da suspensão.

Com os Estados Unidos opondo-se frontalmente ao fim do embargo, os países favoráveis à proibição defendem que os prejuízos na relação com Washington não compensam eventuais ganhos na relação com a China.

Por outro lado, os políticos europeus começam a perceber que Bruxelas e Pequim podem manter boas relações apesar do embargo. Em janeiro, foram iniciadas as negociações de um novo Tratado de Parceria e Cooperação que será a base da nova relação bilateral.

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