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16/08/2008 - 14h11

Destruída pela guerra civil da Angola, Huambo renasce

Por Henrique Botequilha, da Agência Lusa

Huambo, Angola, 16 ago (Lusa) - Onde havia ruínas apareceram casas, nas artérias bombardeadas alisou-se o asfalto, da obscuridade fez-se luz e Huambo, palco de um dos mais violentos episódios da guerra civil de Angola, ressuscitou.

Em apenas três anos, uma das cidades mais destruídas do país renasceu na forma de um grande canteiro em que, além das obras no espaço público, foi incentivada, com subsídios estatais, a recuperação de habitações.

"Huambo cresceu consideravelmente. As nossas estradas estão reabilitadas, as nossas casas também estão sendo reabilitadas. Huambo cresceu e vai crescer mais ainda", atesta Odete Lucas, 32 anos, técnica da Ação de Desenvolvimento Rural e Ambiente, uma organização não-governamental angolana.

"Passei aqui o tempo de guerra e pensava que não era possível desenvolver Huambo. Atualmente, estou a ver que é possível", prossegue.

Odete Lucas era uma adolescente em 1993, quando as tropas do governo ficaram sitiadas em Huambo durante 55 dias, até que as forças da Unita fizeram o assalto final rumo ao centro de poder da cidade, deixando um rastro de destruição.

As ruas que já foram frentes de batalha são hoje cenário da reconstrução vertiginosa da cidade. Ainda há três anos, eram chagas urbanas abertas por balas. Agora, os carros circulam sobre um tapete liso e são ordenados por semáforos que o empresário Valentim Amões, falecido em um desastre aéreo recente, plantou por toda a cidade.

O centro do poder, na atual praça Agostinho Neto, foi retomado pelas tropas do governo em 1995, e da violência da reconquista já não sobram sinais.

Os edifícios dos serviços provinciais e os correios foram reconstruídos por empresas portuguesas, que deram à praça um toque festivo, decorando-a com luzes amarelas e azuis. Um obelisco dedicado a Agostinho Neto mostra a imagem do primeiro presidente de Angola com um livro na mão e uma kalashnikov a tiracolo.

O aeroporto foi recuperado, novas faculdades devolvem à cidade o posto de centro do conhecimento angolano, um novo hospital está sendo erguido em uma empreitada chinesa, um arrojado ginásio foi construído para acolher o torneio AfroBasket de 2007.

"O Huambo de hoje é um bocado conseqüência do que vivemos ontem", afirma Júnior Chinendele, responsável pelo projeto Casa Ecológica, que pretende fazer da cidade uma referência ambiental na África Austral.

Perto de seu escritório, alarga-se o jardim botânico, centro de um corredor verde que atravessa o coração da cidade. É lá que, durante a tarde, dezenas de estudantes se deitam sobre a grama para ler. "É uma felicidade estar cá", afirma César Pakissa, 27 anos, professor do ensino médio.

"Sou natural do Huambo e, por incrível que pareça, nunca me ausentei e já vivo condignamente nesta cidade, o que dantes não acontecia", relata.

Além do quadro de destruição, os serviços eram quase inexistentes há três anos, a água mal corria nas torneiras e as lâmpadas raramente acendiam. A população circulava apática: era uma cidade fantasma.

"Muitas pessoas diziam que nunca mais voltariam a Huambo, mas estão aparecendo agora", testemunha Odete Lucas.

Apesar das limitações que persistem no abastecimento de água e energia, o boom do setor da construção está sendo alavanca para todo o resto: infra-estruturas, serviços e emprego.

"Dantes, ter um meio de transporte como um veículo era um sonho. Hoje, quase todo o pessoal tem", diz Odete Lucas.

"É muita coisa", constata a técnica da ONG angolana na sua declaração de amor à cidade: "É muito bom viver em Huambo. Eu, pelo menos, não quero que me tirem daqui".

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