UOL Notícias Notícias
 

27/08/2008 - 12h01

China quebra silêncio e diz que crise no Cáucaso preocupa

Moscou, 27 ago (Lusa) - A pressão sobre a Rússia, muito criticada depois de ter reconhecido os separatistas georgianos, aumentou nesta quarta-feira, com a China manifestando-se "preocupada", enquanto que o ocidente apela a Moscou para não "começar" uma nova guerra fria.

A China está "preocupada" com os últimos desenvolvimentos na Ossétia do Sul e na Abkházia", anunciou a agência Nova China, citando um porta-voz do ministério chinês das Relações Exteriores, Qin Gang.

Até aqui a China esteve silenciosa, exprimindo apenas esperança que as partes envolvidas encontrem "uma solução adequada para este problema através do diálogo".

Esta declaração saiu pouco antes de um encontro do presidente russo, Dmitri Medvedev, com o seu homólogo chinês Hu Jintao em Duchambé, capital da ex-república soviética do Tadjiquistão, no quadro de uma cúpula dos países da Organização de Cooperação de Xangai (OCX).

Os dois Chefes de Estado vão discutir o assunto mas isso não quer dizer que os chineses se sintam compelidos a reconhecer (as duas Repúblicas depois da Rússia). Os chineses têm os seus próprios problemas", declarou a porta-voz do Kremelin, Natalia Timakova.

Medvedev, que escolheu a China para fazer a sua primeira grande viagem oficial ao exterior, após a sua investidura em maio, deseja como o seu antecessor, Vladimir Putin, construir um eixo Moscou-Pequim num momento em que as suas relações com o Ocidente estão mais tensas.

Aumentando a pressão, o ministro britânico das Relações Exteriores, David Miliband, declarou em Kiev que competia à Rússia "não iniciar" uma nova guerra-fria, adiantando que seria contraproducente isolar Moscou.

A França, que ocupa a presidência em exercício da União Européia (UE), acusou Moscou de se colocar "fora da lei internacional" na Geórgia e de ter "outros objetivos" depois de reconhecer a independência da Ossétia do Sul e da Abkházia, entre os quais a "Criméia, Ucrânia e Moldávia".

A UE deve apoiar claramente uma adesão da Ucrânia para evitar que este país não venha a se tornar, depois da Geórgia, "o próximo alvo das pressões políticas" da Rússia, disse o Comissário europeu para a ampliação, o finlandês Olli Rehn.

A Otan apelou à Rússia para "retroceder na sua decisão" de reconhecimento da independência da Abkházia e da Ossétia do Sul, que "viola várias resoluções do Conselho de Segurança da ONU" sobre a integridade territorial da Geórgia.

A Geórgia, por sua vez, decidiu reduzir os seus laços com a Rússia, deixando apenas dois diplomatas na embaixada em Moscou, declarou a ministra georgiana das Relações Exteriores, Eka Tkechelachvili.

"Já não temos embaixador em Moscou, apenas diplomatas de segundo nível que trabalharão na nossa embaixada na Rússia", declarou.

Na região, o confronto entre russos e ocidentais assumiu um objetivo concreto no Mar Negro, com Moscou acusando a Otan de concentrar as suas forças navais e de prestar ajuda humanitária à Geórgia.

A frota russa recebeu ordens para seguir os movimentos dos navios dos países da Otan no Mar Negro, anunciou o Chefe de Estado-Maior adjunto das Forças Armadas russas, Anatoli Nogovitsyne.

No mesmo momento, um barco da guarda-costeira norte-americana, o "Dallas", carregado de material humanitário, chegava a Batoumi, a sudoeste da Geórgia. A embarcação deve partir ao fim do dia após descarregar a ajuda humanitária.

O cruzador "Moskva", navio almirante da frota russa, bem como outros navios russos acostaram em Soukhoumi, capital da Abkházia.

Os navios "efetuam missões de controle das águas territoriais para impedir o tráfico de armas" e estão também em "missão humanitária", informou sem detalhes a Marinha russa.

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    17h00

    0,63
    3,905
    Outras moedas
  • Bovespa

    18h21

    -0,44
    87.449,50
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host