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06/11/2009 - 19h00

Diplomata brasileiro exalta língua portuguesa no Timor Leste

Díli, 6 nov (Lusa) - O embaixador brasileiro no Timor Leste, Edson Duarte Monteiro, afirmou que não basta enviar professores para ajudar o país a recuperar a língua portuguesa, mas sim é preciso promover mais o intercâmbio cultural.

O diplomata brasileiro conversou com a Agência Lusa por ocasião do Mês Cultural do Brasil, uma iniciativa promovida na cidade de Díli no mês de novembro, com ofertas diversificadas que vão da dança ao teatro, passando pela música, pela fotografia e pelo artesanato.

Trata-se de uma espécie de amostra do que pretende vir a ser o Centro Cultural Brasil/Timor Leste, que será construído em uma área no centro de Díli cedida pelo governo timorense.

"Quando tivermos um centro cultural, será possível uma vez, ou uma vez a cada dois meses, trazer a nossa música, as nossas danças, a capoeira, essas coisas, que acho que têm afinidade com a cultura de Timor Leste", disse o embaixador.

Duarte Monteiro afirmou que estas também são maneiras de o português penetrar nos jovens timorenses, educados na língua indonésia e para os quais é difícil explicar que, agora, precisam aprender outro idioma.

"Nós, países da CPLP (Comunidade dos Países de Língua Portuguesa), temos de fazer um esforço maior, pois estou muito convencido de que não bastam 170 professores lusófonos. Para consolidar a língua portuguesa é preciso muito mais", defendeu.

O embaixador disse que é preciso haver mais bibliotecas de livros portugueses, mais cinema lusófono e mais televisão, "bem direcionada para o povo timorense".

"Quanto à televisão, é preciso identificar os programas, ter atenção aos horários e aos interesses do público, e não sei se a retransmissão da RTP (Rádio e Televisão de Portugal), nos moldes em que é feita, é o adequado. É muito bom para a língua portuguesa? Claro que sim, é uma presença, mas nós temos apenas duas horas de TV brasileira, mas a programação foi curtida, foi pensada", declarou.

Apoio ao Timor

O embaixador defende um maior envolvimento dos países da CPLP no Timor, e deu especial ênfase aos governos brasileiro e português na defesa do idioma comum.

"A CPLP já tem plano de ação para Timor Leste que aprovou este ano e que tem a componente da língua. Já foi também aprovado pelo governo timorense em conselho de ministros, mas eu quero ver a ação, a realização, e não apenas a planificação no papel", diz.

Para o embaixador, o "Timor Leste não pode perder a tradição da língua portuguesa, que está muito bem casada com a tradição cultural do Timor", e o aliciamento da juventude timorense para que aprenda inglês, em vez de português, por ser "mais útil", é apenas um pretexto.

"Eu aí só posso dar o exemplo pessoal: no Brasil, a língua nacional é o português e estamos muito bem, obrigado. Com esta língua nós mantemos as nossas escolas e as nossas universidades, a nossa televisão, a nossa cultura", afirmou.

Muitos brasileiros falam inglês, mas são os que precisam desse idioma para atividades específicas: "quem quiser frequentar universidades estrangeiras, quem quiser atrair turistas pode falar inglês como língua de trabalho, mas não é preciso ser língua nacional", afirmou.

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